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Neymar realmente merece convocação para a seleção brasileira?

O técnico Carlo Ancelotti incluiu o atacante Neymar, do Santos, na lista larga que será enviada pela CBF à Fifa até este domingo. Em boa fase no clube, o astro deve retornar oficialmente à Seleção Brasileira no dia 25, quando sairá a convocação final para os jogos contra Chile e Bolívia, pelas Eliminatórias.

A partida contra o Chile, no Maracanã, e o duelo em La Paz contra a Bolívia marcam a despedida do Brasil no torneio — a equipe já garantiu vaga na Copa do Mundo de 2026. Depois, a CBF planeja amistosos contra seleções da Ásia, África e Europa, o que pode ser um laboratório perfeito para Ancelotti testar combinações e avaliar veteranos como Neymar.

A notícia reacende uma discussão que divide torcedores e analistas: Neymar, hoje, merece estar na Seleção?

Sequência rara e boa fase no Santos

Desde que o Brasileirão voltou após a Copa do Mundo de Clubes, Neymar vive uma fase incomum para os últimos anos: está saudável e jogando com regularidade. Depois de uma série de lesões graves — incluindo a ruptura de ligamento cruzado em 2023 — e passagem pouco empolgante pela Arábia Saudita, o camisa 10 finalmente emendou mais de dez partidas seguidas disponíveis.

Esse ritmo lhe devolveu parte da confiança e da capacidade de influenciar o jogo. Foram gols importantes, como contra Flamengo e Juventude, além de assistências decisivas. Estatisticamente, Neymar tem participação direta em gols (marcando ou assistindo) em mais de metade das partidas que disputa desde o retorno ao Santos.

Para um jogador que, por anos, teve sua temporada constantemente interrompida por problemas físicos, essa sequência representa um avanço importante.

Apesar do peso do nome e da história, Neymar não volta para a seleção para encontrar um cenário livre de competição. A Seleção tem hoje atacantes e pontas vivendo ótimo momento em ligas de altíssimo nível.

Matheus Cunha, do Manchester United, é um exemplo. O atacante viveu sua melhor temporada na Premier League com o Wolverhampton, com 17 gols e cinco assistências, e vem ganhando espaço na Seleção pela versatilidade — pode jogar centralizado ou como um meia, ajudando na pressão e na recomposição defensiva.

Raphinha, por sua vez, é um dos jogadores mais consolidados do ciclo atual. Titular no Barcelona, ele chegou a colocar o seu nome entre os candidatos à Bola de Ouro. Sua regularidade, somada ao comprometimento tático, o torna uma peça difícil de tirar do time. Além disso, ele também jogou centralizado em certos momentos, podendo disputar diretamnete com Neymar.

Os prós e contras para Neymar

Além da boa fase no Santos, Neymar traz algo que poucos no elenco oferecem: experiência em torneios de alto nível e capacidade de decidir em momentos de pressão. Com mais de 100 jogos pela Seleção, ele já viveu disputas de Copa do Mundo, Copa América e Copa das Confederações.

Para Ancelotti, essa bagagem pode ser valiosa, especialmente em partidas eliminatórias ou contra adversários de perfil mais fechado, onde a criatividade e a visão de jogo de Neymar podem destravar defesas.

O principal ponto de dúvida é a intensidade física. Embora Neymar tenha voltado a atuar com frequência, o nível de exigência no Brasileirão não é o mesmo das Eliminatórias contra seleções competitivas ou de amistosos contra potências europeias.

Há também o risco de nova lesão — algo que marcou sua carreira recente. Ancelotti precisará ponderar se vale a pena dar minutos a Neymar agora, sabendo que a Copa do Mundo está a apenas um ano, e que a construção de um time titular sólido depende de consistência.

Uma convocação simbólica?

Diante da situação da Seleção já classificada, existe a possibilidade de que essa convocação seja também simbólica: uma chance de reencontro entre Neymar e a torcida no Maracanã, um teste para ver como o camisa 10 reage ao ambiente e ao ritmo da Seleção antes de jogos mais decisivos. Se render bem contra Chile e Bolívia, poderá ganhar espaço nos amistosos que a CBF planeja contra seleções da Ásia, África e Europa, nos quais Ancelotti certamente fará mais experiências.

No final, a inclusão de Neymar na lista larga não garante a convocação final, mas já indica que Ancelotti está aberto a contar com ele. A decisão final deve pesar desempenho recente, estado físico e adaptação ao sistema tático da Seleção.

Se o camisa 10 repetir no Santos o nível de protagonismo que já mostrou em 2025 e aguentar a carga física, é difícil imaginar que ficará de fora da Copa de 2026. Mas, até lá, terá de mostrar, jogo após jogo, que a convocação não será apenas por história, mas por mérito.

(Foto: Guilherme Dionizio, Código19/Gazeta Press)