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NFL: 5 quarterbacks que mais tem pressão na temporada 2026

Nenhuma posição na NFL enfrenta tanta pressão quanto a de quarterback. Quando o time vence, é ele quem geralmente recebe os maiores elogios, mas quando perde, ninguém carrega mais culpa do que o homem por trás da linha ofensiva.

Por isso, os quarterbacks costumam jogar sob pressão constante, em cada partida e em cada temporada. Ainda assim, alguns entram na nova temporada com mais em jogo do que outros, seja a necessidade de corresponder ao próprio potencial, de conquistar um novo contrato ou de levar sua equipe aos playoffs ou até ao Super Bowl.

Aqui temos os 5 quarterbacks com mais pressão em seus ombros na temporada 2026 da NFL.

Bryce Young, Carolina Panthers

Escolhido como 1ª escolha geral no Draft de 2023, Bryce Young viveu um início turbulento na NFL, sofrendo 62 sacks como novato à frente de um elenco ofensivo fraco. Três anos depois, nenhum recebedor daquela temporada segue nos Panthers.

Após o primeiro ano, a franquia contratou Dave Canales, que já havia revitalizado as carreiras de Geno Smith e Baker Mayfield, para fazer o mesmo com Young. Um início ruim em 2024 chegou a tirá-lo da titularidade, mas ele retomou a posição após lesão de Andy Dalton e fechou a temporada em ascensão. Em 2025, viveu sua melhor campanha na NFL e ajudou Carolina a voltar aos playoffs pela primeira vez desde 2017, mas seu futuro na franquia ainda gera dúvidas. 

O que está em jogo para Bryce Young

Provar que é o quarterback do futuro dos Panthers; Conquistar uma extensão contratual de longo prazo; Ajudar um elenco talentoso a repetir a classificação aos playoffs; Evitar que Carolina busque um substituto no Draft de 2027

Por que ainda existem dúvidas

Apesar dos avanços, Young ainda oscila muito. Em 2025, liderou uma vitória decisiva sobre o Buccaneers na Semana 16, mas a equipe perdeu os dois jogos seguintes e só avançou aos playoffs graças a uma zebra do Falcons. Em 12 partidas, não passou de 200 jardas aéreas, seu recorde pessoal de 448 jardas, justamente contra o Atlanta Falcons, segue sendo exceção. Numa liga que costuma dar pouco tempo até para quarterbacks de primeira rodada (casos como Anthony Richardson e Josh Rosen), 2026 pode ser decisivo para o futuro de Young em Carolina. 

Motivos para otimismo

O elenco de 2026 será o mais talentoso que Young já teve: a chegada de Tetairoa McMillan deu a ele, pela primeira vez, um recebedor de elite, enquanto a franquia também reforçou a linha ofensiva e a defesa. Apesar de limitações físicas, como altura e força de braço, Young se destaca pela capacidade de prolongar jogadas e converter passes fora do pocket, além de ter liderado seis “game-winning drives” na última temporada. 

O que dizem os treinadores

Dave Canales e o GM Dan Morgan tem elogiado a evolução de Young nesta offseason. “Ele melhora ano após ano, entende muito bem o esquema e é um líder cada vez mais maduro”, disse Morgan. Já Canales afirmou: “Estamos moldando o ataque em torno do Bryce e buscando peças que complementem seu jogo. A pergunta não é mais ‘se’, mas ‘como’ vamos construir esse projeto sabendo que ele é o nosso quarterback.”

Malik Willis, Miami Dolphins

Em 2026, um Malik Willis mais experiente volta a titular em contexto parecido com o de sua estreia como novato em Tennessee, em 2022, quando iniciou três partidas por um Titans com bom ataque terrestre, mas carente de recebedores. Vindo de Liberty como prospecto ainda cru, Willis mostrou lampejos de talento, mas pecou em precisão e controle no pocket: completou apenas 50,8% dos passes na temporada, com 276 jardas, nenhum touchdown e três interceptações.

O cenário mudou em 2024, quando assumiu o time após lesão de Jordan Love, no Green Bay Packers. Mesmo com um esquema que favorecia o jogo terrestre, Willis pareceu muito mais confortável conduzindo o ataque. Em 2025, repetiu o bom desempenho ao ser novamente acionado: em duas partidas, completou 30 de 35 passes para 422 jardas e três touchdowns, sem interceptações, atuação que convenceu o Miami Dolphins a apostar nele como titular. 

O que está em jogo

Provar que é o quarterback de longo prazo dos Dolphins Conquistar uma nova extensão contratual; Se firmar como mais um caso de sucesso de “reconstrução de carreira”; Evitar que Miami busque um quarterback no próximo Draft.

Dúvidas sobre Willis

A amostra ainda é pequena, e o elenco em Miami é fraco. Outra incógnita é se ele manterá o nível sem Matt LaFleur como coordenador, agora estará sob comando de Bobby Slowik, que teve resultados irregulares à frente do ataque do Houston Texans. É possível que Willis produza boas atuações individuais mesmo em derrotas, como já aconteceu contra o Baltimore Ravens em 2025.

Motivos para otimismo

Willis jogou com naturalidade em suas aparições recentes, mesmo sob pressão, sem o nervosismo do início de carreira. Seu principal trunfo é a capacidade de jogadas explosivas: terminou em quarto lugar entre os quarterbacks com pelo menos 50 snaps em profundidade média de passe, acertando sete de oito tentativas de 20+ jardas.

O que dizem os treinadores

Os Dolphins têm focado em integrar Willis ao esquema de Slowik, que prioriza um ataque equilibrado. “Ainda estamos nos estágios iniciais do esquema… é bem parecido com o que ele fazia em Green Bay, e estamos nos divertindo bastante”, disse Slowik em maio. O coordenador também elogiou o quarterback: “É um cara muito talentoso, versátil, corre bem, é duro na queda. Mas o que mais tenho gostado é de conhecê-lo como pessoa, é animado e contagia todo mundo com energia.”

C.J Stroud, Houston Texans

2a escolha geral em 2023, C.J. Stroud brilhou já como novato ao registrar 470 jardas e cinco touchdowns contra os Buccaneers, sendo eleito Novato Ofensivo do Ano. No segundo ano, porém, sofreu um “sophomore slump” (queda de rendimento de alguns jogadores em seu segundo ano na NFL): mesmo com os Texans nos playoffs, sofreu 52 sacks atrás de uma linha ofensiva fragilizada.

Em 2025, apesar de começar com 0-3, Stroud se recuperou e voltou próximo ao nível de calouro, com atuações de destaque contra Ravens e 49ers. Perdeu três jogos por concussão, mas ajudou os Texans a fecharem a temporada com sequência de 6-0, garantindo a terceira classificação seguida aos playoffs sob seu comando.

O problema veio na pós-temporada: Stroud teve o pior desempenho entre os quarterbacks nos playoffs, cometendo turnovers decisivos e completando apenas 42,6% dos passes na derrota para os Patriots, o que gerou dúvidas sobre seu status como QB de longo prazo do time.

O que está em jogo

Aproveitar o potencial de Super Bowl dos Texans; Conquistar uma extensão contratual milionária; Se firmar como o quarterback de longo prazo da franquia 

Por que ainda existem dúvidas

Nos playoffs, Stroud completou só 23,1% dos passes sob pressão, uma das piores marcas da pós-temporada. Também perdeu eficiência nos passes longos desde o ano de estreia, quando liderava a NFL em EPA nesse tipo de jogada, queda que reflete tanto ajustes defensivos da liga quanto dificuldades próprias. Os Texans ativaram sua quinta opção de contrato, mas uma extensão de longo prazo ainda não parece garantida; uma nova temporada ruim pode levar a franquia a considerar alternativas na posição. 

Motivos para otimismo

Aos 24 anos, Stroud já provou ser capaz de atuar como um QB entre os dez melhores da liga. É natural que um jogador jovem passe por altos e baixos até ganhar consistência, e a expectativa é que uma linha ofensiva melhor e mais tempo de entrosamento com os recebedores ajudem a recuperar sua eficiência nos passes longos.

O que dizem os treinadores

O técnico DeMeco Ryans reforçou o apoio a Stroud logo após a eliminação nos playoffs e destacou que o quarterback tem trabalhado forte na offseason, física e mentalmente. Ryans também elogiou a evolução na parceria com o coordenador ofensivo Nick Caley: “É o segundo ano do sistema, então já existe uma base de entendimento. A comunicação entre os dois está muito melhor, e o C.J. já traz ideias próprias sobre jogadas e formações.”

Jalen Hurts, Philadelphia Eagles

Escolhido na 2a rodada pelos Eagles em 2020, Jalen Hurts assumiu a titularidade ainda como novato e viveu seu melhor ano em 2022, quando lançou 3.701 jardas e 22 touchdowns, levando Philadelphia ao Super Bowl (derrota para os Chiefs). Na sequência, assinou uma extensão de cinco anos e US$ 255 milhões.

Desde então, porém, Hurts não repetiu aquele nível como passador. Em 2024, os Eagles venceram o Super Bowl com Hurts eleito MVP, mas o ataque dependeu majoritariamente da corrida de Saquon Barkley, o próprio A.J. Brown chegou a criticar publicamente a falta de eficiência no jogo aéreo.

Agora, o novo coordenador Sean Mannion chega para implementar um estilo de ataque (influenciado por McVay e Shanahan) historicamente rejeitado por Hurts, e cabe a ele se adaptar. Com o contrato perdendo garantias após 2026, a pressão sobre o quarterback é a maior desde seu último Super Bowl.

O que está em jogo

Conquistar uma nova extensão contratual; Silenciar as críticas sobre seu estilo de jogo; Provar capacidade de adaptação ao novo esquema; Evitar mais uma eliminação precoce nos playoffs com um elenco talentoso

Por que ainda existem dúvidas

A grande incógnita é como Hurts se adaptará ao esquema de Mannion, que deve priorizar mais motions, jogadas under center e play-action, elementos que o quarterback historicamente evitou. O elenco também mudou, com a saída de Brown e chegada de nomes como Makai Lemon e Dontayvion Wicks.

Motivos para otimismo

Apesar das críticas, Hurts segue eficiente em passes longos: terceiro em jardas (857), quarto em passer rating e sexto em EPA por jogada em lances de 20+ jardas, segundo a Next Gen Stats. Esse perfil pode se encaixar bem no novo esquema de Mannion, que vem de um ataque no Green Bay que também valorizava jogadas verticais. 

O que dizem os treinadores

Mannion tem elogiado publicamente Hurts, chamando-o de “prazeroso de trabalhar” e “ótimo aprendiz”, destacando sua força de braço, precisão e fome por evoluir tecnicamente. Já o GM Howie Roseman classificou como “injustos” os relatos sobre resistência de Hurts às mudanças, afirmando que a comunicação com os jogadores é sempre direta e transparente.

Kyler Murray, Minnesota Vikings

1a escolha geral em 2019, Kyler Murray deixou o Arizona Cardinals após sete temporadas e assinou contrato de um ano pelo salário mínimo com o Minnesota Vikings, buscando ser o próximo caso de sucesso de Kevin O’Connell. Em Arizona, foi eleito Novato Ofensivo do Ano e disputou dois Pro Bowls, mas seu tempo na franquia foi marcado por lesões, incluindo ruptura de ligamento no joelho em 2022 e problema no pé em 2025, nunca correspondendo totalmente às expectativas de uma 1ª escolha geral. 

O que está em jogo

Vencer a disputa pela titularidade dos Vikings; Se firmar como mais um case de recuperação de carreira; Conquistar um novo contrato relevante, seja em Minnesota ou no mercado.

Por que ainda existem dúvidas

A saúde é a principal preocupação: Murray só disputou temporada completa em 2024, perdendo tempo significativo em 2022, 2023 e 2025. Em Minnesota, ele disputa a titularidade com J.J. McCarthy, escolha de primeira rodada em 2024. Outro desafio é a adaptação ao esquema dos Vikings, que usa muito mais jogadas under center do que o ataque baseado em shotgun que ele operava no Arizona.

Motivos para otimismo

Astros como Justin Jefferson já elogiaram publicamente o talento de Murray, destacando velocidade, precisão e força de braço. Ele é, possivelmente, o passador mais talentoso com quem O’Connell já trabalhou. Além disso, o elenco dos Vikings é forte o suficiente para vencer mesmo sem atuação de nível MVP no quarterback, como já provou Sam Darnold em 2024. 

O que dizem os treinadores

O’Connell tem elogiado a precisão e os fundamentos de passe de Murray, afirmando que seu perfil se encaixa bem no sistema ofensivo do time. Segundo o técnico, Murray também é subestimado por sua capacidade de jogar “no ritmo” da ofensiva, além das jogadas de destaque mais óbvias, como suas fugas e corridas.

Foto: NBC Sports