Laremy Tunsil NFL Draft
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NFL Draft: os 10 momentos mais caóticos da última década

O Draft da NFL é um momento de expectativa e esperança, onde os piores times da temporada anterior ganham o direito de sonhar com um futuro glorioso e escolher os jogadores mais talentosos vindo do College. É um evento construído sobre projeções perfeitas e métricas precisas, mas que, na hora da verdade, funciona como um moedor de carne movido por egos, pânico e, às vezes, puro azar.

Nesta arena, decisões de bilhões de dólares são tomadas em questão de segundos, muitas vezes ignorando o óbvio em favor de uma “intuição” que pode arruinar uma franquia por anos. Para o torcedor, é o espetáculo máximo do imprevisto. Para os jogadores, é uma roleta russa onde um post de rede social pode mudar o destino de uma carreira.

Abaixo, mergulhamos em dez episódios caóticos, engraçados, incompreensiveis ou curiosos que definiram a última década do Draft da NFL, provando que, no futebol americano, o caos dos bastidores as vezes e tao grande quanto o que acontece dentro de campo.

1. Laremy Tunsil e a máscara de gás (2016)

O Tackle Laremy Tunsil era considerado por muitos o melhor prospecto de toda a classe, com potencial para ser a primeira escolha geral. Mas, apenas dez minutos antes do início do evento, surgiu um vídeo em que Tunsil era visto com uma máscara de gás, onde ele estava usando substâncias ilegais. O impacto foi financeiro e imediato: estima-se que a queda da 1ª para a 13ª posição tenha custado a ele cerca de 12 milhões de dólares em seu primeiro contrato. Mais tarde, descobriu-se que o hack foi resultado de uma briga com o ex-padrasto.

As câmeras focaram no rosto do jogador enquanto ele via sua vida mudar em tempo real. Para piorar, na coletiva pós-escolha, ele admitiu ter aceitado dinheiro de treinadores na universidade de Ole Miss, o que gerou uma punição histórica da NCAA. No final, Tunsil deu a volta por cima, se estabeleceu como titular em Miami e anos depois foi trocado pelos Dolphins para os Texans em um pacote que rendeu várias escolhas de primeira rodada, tornando-se um dos jogadores mais valiosos da liga na sua posição.

2. A polêmica troca dos Bears por Mitchell Trubisky (2017)

Chicago tinha a terceira escolha e estava em uma busca desesperada por um quarterback. O General Manager Ryan Pace se convenceu de que Mitchell Trubisky era o jogador ideal, mesmo ele tendo apenas 13 jogos como titular no College. Com medo de que outro time o roubasse, Pace negociou com os 49ers para subir apenas uma posição.

O preço foi absurdo. Chicago entregou a 3ª escolha geral, duas escolhas de terceira rodada e uma de quarta rodada só para pular uma casa. O que torna o erro eterno na NFL é o contexto: Patrick Mahomes e Deshaun Watson ainda estavam disponíveis. Enquanto Mahomes acumulava MVPs e títulos pelo Kansas City Chiefs, os Bears sofriam com a inconsistência de Trubisky, que nunca justificou o investimento. Até hoje, essa troca é usada como exemplo de pânico administrativo em dia de Draft da NFL.

3. Daniel Jones e o amor em pleno florescer (2019)

Quando o New York Giants usou a 6ª escolha em Daniel Jones, a liga entrou em choque. Jones era projetado por quase todos os analistas como um talento de final de primeira rodada ou até de segunda. O GM Dave Gettleman ignorou o consenso e justificou a escolha com uma frase que virou piada: ele disse ter sentido um “full bloom love” (amor em pleno florescer) pelo jogador após vê-lo no Senior Bowl.

A torcida reagiu com vaias e um silêncio incrédulo no MetLife Stadium. A grande crítica era o valor perdido, já que os Giants tinham a 17ª escolha e poderiam ter pego Jones lá, usando a 6ª escolha para um talento defensivo de elite como Josh Allen (edge). O “amor” de Gettleman custou caro à estrutura do time por anos, mantendo a franquia em uma mediocridade difícil de quebrar.

4. Jalen Reagor sobre Justin Jefferson e o riso dos Vikings (2020)

Este é um dos erros de avaliação mais bizarros da história recente da NFL. Em 2020, o Philadelphia Eagles precisava de um recebedor. Justin Jefferson, vindo de uma temporada histórica em LSU, era o favorito óbvio. No entanto, os Eagles escolheram Jalen Reagor na 21ª posição, alegando que ele era mais veloz e se encaixaria melhor no sistema do time.

O melhor aconteceu nos bastidores do Minnesota Vikings, que tinham a escolha seguinte. Existe um vídeo famoso da War Room dos Vikings onde o GM Rick Spielman e o técnico Mike Zimmer caem na gargalhada quando percebem que os Eagles deixaram Jefferson passar. Eles mal conseguiram conter a alegria ao fazer a escolha número 22. Jefferson se tornou um dos melhores recebedores da história da liga já no primeiro ano, quebrando recordes de calouro, enquanto Reagor acumulou drops e acabou sendo trocado pelos próprios Eagles pouco tempo depois.

5. Josh Rosen, arrogância e a profecia que deu errado (2018)

Poucos jogadores entraram no draft da NFL com tanta confiança quanto Josh Rosen. Talentoso, articulado e extremamente direto em entrevistas, ele também era visto como arrogante por muitos avaliadores. Selecionado pelo Arizona Cardinals na 10ª escolha, Rosen reagiu à queda com a famosa frase de que “nove erros foram cometidos à minha frente”, uma provocação direta ao restante da classe.

O problema é que a NFL não perdoa esse tipo de narrativa quando o desempenho não acompanha. Rosen teve dificuldades imediatas em um time instável, com linha ofensiva fraca e sistema ofensivo inconsistente. Em pouco tempo perdeu espaço, foi trocado e acabou substituído no ano seguinte por Kyler Murray. Virou reserva itinerante na liga e sua fala passou a ser lembrada como símbolo de confiança que não resistiu ao nível profissional.

6. A bomba relógio de Jordan Love em Green Bay (2020)

Os Packers vinham de uma temporada onde ficaram a uma vitória do Super Bowl e precisavam de um recebedor para ajudar Aaron Rodgers. Em vez disso, a diretoria subiu no Draft para selecionar o sucessor de Rodgers ainda na primeira rodada, o QB  de Utah State Jordan Love. O detalhe é que Rodgers não foi avisado e ficou sabendo da escolha pela televisão, assim como o resto dos fãs de NFL.

Isso iniciou uma guerra fria que durou três anos. Furioso, Rodgers respondeu ganhando dois prêmios de MVP seguidos, provando que ainda estava no auge e deixando a diretoria com um reserva de luxo no banco. A relação entre o quarterback e a franquia nunca se recuperou totalmente, culminando na sua saída para os Jets anos depois. Ironicamente, o ciclo se repetiu, já que Rodgers também tinha sido draftado para substituir Brett Favre em circunstâncias parecidas.

7. O efeito dominó de Mac Jones e Trey Lance (2021)

O San Francisco 49ers fez uma troca agressiva, entregando três escolhas de primeira rodada para subir para o número 3. Durante semanas, o boato unânime era que eles queriam Mac Jones pelo seu estilo cerebral. No dia do evento, surpreenderam ao escolher Trey Lance, um projeto de longo prazo que tinha jogado pouquíssimo no College. Isso causou uma queda livre para Mac Jones, que ficou na sala de espera enquanto via times como Panthers e Broncos passarem por ele. Jones acabou sobrando para os Patriots na 15ª posição.

Depois disso, a história tomou outro rumo. Lance sofreu com lesões e perdeu espaço, sendo eventualmente trocado. Mac Jones acabou indo parar justamente em San Francisco anos depois como reserva de Brock Purdy. Em 2025, ganhou uma sequência como titular após lesão de Purdy, teve boa performance e voltou ao radar dos times da NFL como opção real de disputa pela posição de titular.

8. Shedeur Sanders e o choque de realidade da NFL (2025)

O caso de Shedeur Sanders foi um dos mais simbólicos dos últimos anos por expor a diferença entre hype e avaliação real da NFL. Filho de Deion Sanders, ele chegou ao draft como uma das figuras mais midiáticas do futebol universitário. Em Colorado, virou centro das atenções com jogos televisionados, contratos de NIL e presença constante nas redes. Fora de campo, era praticamente uma marca global.

Dentro de campo, o talento era inegável, mas havia dúvidas. Scouts apontavam que ele segurava demais a bola, sofria sob pressão e operava em um sistema que nem sempre traduzia bem para a NFL. Nos bastidores, reuniões com franquias também levantaram questionamentos sobre liderança, comprometimento e sobre o impacto da forte presença do pai no ambiente profissional.

Na noite do draft, a expectativa de primeira rodada não se confirmou. Ele passou por ela sem ser escolhido, algo que já indicava a diferença entre percepção pública e avaliação interna das equipes. A queda continuou até a 5ª rodada, quando foi selecionado pelo Cleveland Browns, que ja havia draftado outro QB duas rodadas antes. Um dos nomes mais falados da classe mostrou que, na NFL, exposição e hype não substituem consenso dentro das franquias.

9. New Orleans Saints e o preço de Marcus Davenport (2018)

Para quem torce pelos Saints, esse caso dói até hoje. Em 2018, o time deu um “all-in” caríssimo: enviou sua escolha de primeira rodada daquele ano, uma de quinta rodada e a escolha de primeira rodada do ano seguinte para os Packers só para subir e pegar Marcus Davenport.

A aposta era que Davenport poderia se desenvolver e virar peça central no pass rush ao lado de Cameron Jordan. Só que, ao mesmo tempo, o time já tinha Trey Hendrickson, que começava a mostrar evolução como peça de rotação defensiva. Contando que Davenport ia crescer e virar titular de impacto, os Saints decidiram não renovar com Hendrickson em 2021 e deixaram ele sair na free agency. Ele assinou com o Cincinnati Bengals e explodiu na liga, com temporadas acima de 14 sacks e, em 2024, liderando a NFL com 17,5 sacks, e sendo eleito como All-Pro e ficando em segundo lugar na votacao para Defensor do Ano.

Enquanto isso, Davenport nunca conseguiu se manter saudável ou consistente em New Orleans. O resultado foi duplo prejuízo: o time pagou caro para subir no draft e ainda abriu mão de um jogador que virou estrela em outro lugar. E o mais pesado de tudo: Lamar Jackson ainda estava disponível naquele draft e acabou selecionado pelo Baltimore Ravens, transformando o cenário em um dos maiores “e se” da década para a franquia e para a NFL.

10. O colapso de Roberto Aguayo nos Bucs (2016)

Para fechar, o caso de Roberto Aguayo. Ele era o kicker mais preciso da história do College e os Buccaneers ficaram tão obcecados que trocaram escolhas de terceira e quarta rodadas para subir e pegá-lo na segunda rodada.

A pressão de ser um kicker escolhido tão alto, aparentemente, destruiu o psicológico do jogador. Aguayo começou a errar chutes automáticos já nos treinos da pré-temporada, algo que foi documentado de forma dramática no programa Hard Knocks. Ele durou apenas uma temporada em Tampa, com um dos piores aproveitamentos da liga. Hoje, ele é o exemplo definitivo de que o talento no College nem sempre sobrevive à pressão mental da NFL.

(Foto: Getty Images)