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NFL: Os riscos que podem sabotar a temporada 2026 do Houston Texans

O Houston Texans chega à temporada 2026 da NFL cercado de expectativas elevadas. Depois de um encerramento de 2025 considerado insatisfatório apesar de uma campanha forte, a franquia texana investiu pesado na offseason: renovou contratos de peças defensivas importantes, gastou capital de draft e dinheiro em free agents para reforçar a linha ofensiva, e ainda trouxe reforços via troca, caso do running back David Montgomery. O objetivo é claro, reconquistar o título da AFC South e, principalmente, romper de vez o teto histórico da Divisional Round nos playoffs.

Mas, como bem sabe qualquer torcedor do Texans, o otimismo convive lado a lado com o risco de tudo desandar. Uma análise recente traçou um cenário de “pré-mortem” para a equipe, isto é, um exercício hipotético sobre os motivos que poderiam fazer a temporada fracassar caso as expectativas não se confirmem.

A queda de CJ Stroud

Nenhum jogador do elenco carrega tanta pressão quanto o quarterback CJ Stroud. Depois de uma temporada de estreia memorável, ele passou os dois anos seguintes tentando repetir aquele nível, sem sucesso pleno, ainda que tenha vencido ao menos um jogo de playoff em cada uma de suas três temporadas na liga. Parte do problema não é exclusivamente dele: o time sofreu com uma linha ofensiva instável, o que resultou em um dos piores jogos de corrida da liga e expôs Stroud a pressão constante.

O ponto de maior preocupação, porém, foi o fim de 2025: uma atuação com quatro interceptações na derrota para o New England Patriots, no NFL Division Round, que teria custado a Stroud a chance de assinar uma extensão contratual milionária. A taxa de pressão sofrida pelo quarterback continuou entre as piores da liga, mesmo com uma redução no número de sacks.

A dúvida que paira sobre Houston é psicológica: mesmo com upgrades na proteção e no jogo terrestre, como Stroud reagirá à primeira jogada ruim da temporada, à primeira interceptação? Se ele não conseguir sair desse ciclo negativo, todo o investimento feito na offseason pode se tornar irrelevante, e questões incômodas sobre o futuro do quarterback e da franquia voltariam à tona 

O ataque pode não ajudar Stroud

Existe sempre a possibilidade de que os reforços não sejam, de fato, upgrades. Branden Smith e Wyatt Teller chegam para, em tese, melhorar a linha ofensiva, mas Smith ainda se recupera de lesões significativas e Teller já não é o mesmo guard de temporadas passadas. Ed Ingram mereceu sua extensão contratual, mas há quem questione se seu desempenho anterior não passou de um lampejo isolado. Mesmo com Ingram e Ersary, a linha ofensiva como um todo esteve longe de ser dominante, e o coordenador ofensivo Caley, apesar de evoluções pontuais, ainda comete erros relevantes na escolha de jogadas.

O jogo terrestre também gera incertezas. Montgomery deve ser um titular sólido, mas chama atenção o fato de o Detroit ter liberado o jogador, já que ele havia perdido espaço na rotação para Gibbs, o que levanta a pergunta se os Lions não “empurraram” um jogador desgastado para Houston. Já Marks mostrou resistência inesperada, mas não sem sofrer desgaste físico ao longo dos jogos; seu perfil parece mais adequado a um papel de troca de ritmo em terceiras descidas do que de titular constante. Tudo indica que o sucesso da campanha depende diretamente de Montgomery entregar sua melhor versão.

O risco de lesões na defesa

Na temporada passada, Houston teve possivelmente a melhor defesa da liga, com a dupla de defensive ends Will Anderson e Danielle Hunter aterrorizando quarterbacks adversários e um quarteto de secundária formado por Stingley, Lassiter, Bullock e Pitre funcionando como uma verdadeira “zona de exclusão aérea” famosa na NFL. Um fator crucial para esse desempenho foi justamente a ausência de lesões graves: Anderson finalmente disputou uma temporada completa, e entre os titulares principais apenas Pitre (três jogos), Lassiter (um jogo) e Al-Shaair (um jogo) desfalcaram o time por lesão.

Esse tipo de sorte, porém, raramente se repete. Caso os principais nomes da defesa sejam afastados por lesões relevantes, é provável que o rendimento defensivo despenque de forma significativa, comprometendo as ambições de Houston de alcançar a final da AFC.

O fantasma de um início ruim na NFL é sempre presente

Na campanha anterior, o Texans começou com um retrospecto de 0-3, mas conseguiu se reerguer de forma notável, fechando a fase regular com 12 vitórias em 14 jogos. Ainda assim, não é uma fórmula que a equipe possa contar novamente. O calendário desta temporada não inclui a NFC West, mas reserva desafios logo de cara: das quatro primeiras partidas, três serão em casa, contra Buffalo, Cincinnati e Dallas, adversários com ataques entre os mais perigosos da liga. São jogos vencíveis, mas, se a defesa não encontrar seu ritmo rapidamente e o ataque repetir os problemas de 2025, um novo início irregular pode se repetir, algo arriscado em uma NFL cada vez mais competitiva.

O fator imprevisível

Por fim, resta um evento imprevisível e, muitas vezes, só compreendido em retrospecto. Ao longo dos anos, o Texans já enfrentou desde lesões inesperadas até problemas legais envolvendo jogadores, passando por situações completamente fora do controle da equipe. Não é possível prever se algo assim ocorrerá nesta temporada, mas a possibilidade nunca deve ser descartada.

Nenhum desses cenários é, isoladamente, uma sentença de fracasso. Mas, caso vários desses fatores se combinem, a alta expectativa em torno do Texans para 2026-27 pode esbarrar em uma realidade bem mais dura do que a projetada nesta NFL offseason de reforços e otimismo.

Foto: AP Photo/Eric Christian Smith