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NFL: como times ‘quentes’ podem bagunçar a disputa pelo Super Bowl

Existe um velho clichê na NFL que costuma resistir ao tempo: não importa como você começa a temporada, mas sim como termina. Em 2025, poucas frases explicam tão bem o momento vivido por Houston Texans, Jacksonville Jaguars e San Francisco 49ers. Três equipes que passaram longe do favoritismo no início do ano, mas que chegam à reta final embaladas por longas sequências de vitórias e, mais do que isso, com argumentos reais para serem levadas a sério na corrida pelo Super Bowl LX.

O curioso é que nenhuma delas se encaixa no perfil tradicional do “contender óbvio” na NFL. Houston começou a temporada 0-3. Jaguars e 49ers flertavam com campanhas medianas perto da metade do calendário. Ainda assim, Texans acumulam sete vitórias seguidas, Jaguars seis, e os 49ers cinco. Poucos times na liga chegam aos playoffs jogando melhor do que eles agora, mesmo que as casas de apostas ainda resistam em colocá-los no mesmo patamar de Rams, Seahawks ou Patriots.

Aos trancos e barrancos, Texans brigam pela divisão

No caso dos Texans, a explicação começa, inevitavelmente, pela defesa. Estatisticamente, Houston tem a melhor unidade defensiva da NFL em 2025. Lidera a liga em EPA por jogo, pontos por campanha e taxa de sucesso contra o passe. Sofre apenas 16,6 pontos e 272,3 jardas por partida, números que remetem diretamente a defesas históricas, como a dos Seahawks de 2014. Não é exagero dizer que essa defesa, sozinha, já é digna de Super Bowl.

O impacto de Will Anderson resume bem isso. O pass rusher vive uma temporada dominante na NFL, acumulando pressões em momentos críticos como poucos na história recente. Houston consegue pressionar quarterbacks sem precisar mandar blitz, o que potencializa o trabalho de Derek Stingley e Kamari Lassiter na secundária. Não por acaso, os três foram escolhas altas de draft em sequência e hoje formam a espinha dorsal de um projeto defensivo que parece sustentável a longo prazo.

O problema, como sempre, está do outro lado da bola. O ataque dos Texans é irregular, sofre com uma linha ofensiva instável e praticamente não tem jogo terrestre. Ainda assim, há méritos importantes. C.J. Stroud, mesmo longe de uma temporada brilhante, tem protegido a bola como poucos. Desde a Semana 4 da NFL, Houston é o time que menos cedeu pontos após turnovers e um dos que mais forçou erros adversários. Para um time com uma defesa desse nível, esse cuidado ofensivo pode ser suficiente. Não precisa ser brilhante, apenas funcional.

O Jacksonville Jaguars e o salto de Trevor Lawrence

Jacksonville vive uma narrativa diferente na NFL. A arrancada dos Jaguars começa justamente após um colapso traumático: a virada sofrida para os Texans depois de abrir 19 pontos no quarto período. Desde então, o time parece ter amadurecido. São seis vitórias seguidas, com a melhor média de pontos e o melhor saldo da história da franquia em um recorte semelhante. Trevor Lawrence voltou a jogar com confiança, explorando passes mais longos e criando química imediata com Jakobi Meyers.

Mas o grande salto dos Jaguars talvez esteja na defesa, pouco mencionada fora da Flórida. Após dez semanas medianas, Jacksonville passou por uma transformação clara: mais cobertura em zona, menos blitz. O resultado foi imediato. O time passou a liderar a liga em EPA defensivo, pontos cedidos e jardas por tentativa aérea nesse período. Mesmo enfrentando quarterbacks menos estrelados, a mudança de filosofia foi inteligente e eficiente. Hoje, os Jaguars controlam o jogo aéreo nos dois lados da bola, algo que poucos times conseguem.

Esse equilíbrio coloca Jacksonville em uma posição interessante dentro da NFL. Diferente de Houston, os Jaguars não dependem exclusivamente da defesa. Diferente de Buffalo ou Kansas City, não vivem apenas do quarterback. São, talvez, o time mais completo da conferência neste momento, ainda que sem o brilho midiático dos tradicionais favoritos.

Os 49ers tentam aproveitar a queda de seus principais rivais na NFL

Já o caso dos 49ers é o mais improvável dos três. As lesões de Nick Bosa e Fred Warner pareciam decretar o fim de qualquer ambição real. A defesa despencou em eficiência, perdeu pressão e passou a figurar entre as piores da liga em métricas avançadas. Mesmo assim, San Francisco encontrou um novo caminho para vencer.

Esse caminho atende pelo nome de Brock Purdy. Criticado por muito tempo como “game manager” e beneficiário de jardas após a recepção, Purdy vive uma temporada estatisticamente impressionante na NFL, especialmente em terceiras descidas. Ele lidera a liga em eficiência nessas situações sem depender de YAC, algo quase inédito no sistema de Kyle Shanahan. A ofensiva perdeu explosão, mas ganhou precisão, ritmo e capacidade de sustentar campanhas longas.

Com Christian McCaffrey saudável e extremamente envolvido no ataque, os 49ers se tornaram um time metódico. Não é mais o ataque de grandes jogadas, mas o de conversões constantes. E isso se reflete nos resultados: cinco vitórias seguidas por dois dígitos, pouquíssimo tempo em desvantagem e uma chance real de terminar como o primeiro seed da NFC, com o Super Bowl sendo disputado justamente em Levi’s Stadium.

(Foto: G Fiume/Getty Images)