Futebol

Impressões do belo empate entre Espanha e Alemanha

(por Rafael Lima) Com muita pressão pelo resultado, a Alemanha foi para o duelo contra a molecada espanhola não podendo perder. Porém, a Espanha foi uma equipe difícil de marcar e dificultou demais para os alemães, que sofreram o primeiro gol, mas foram buscar o empate em 1 a 1, com ótimas alterações de Hansi Flick. A Espanha iniciou a partida numa velocidade absurda, atuando com rápidas trocas de passes, ultrapassagens é um futebol envolvente. Com os espanhóis sem centroavante de referência, a Alemanha não tinha referência para marcar. A posse de bola espanhola era agressiva, ao invés do famoso tiki taka de quando a Espanha foi campeã mundial com Xavi e Iniesta, desta vez o jovem time de Luís Enrique buscava afunilar o ataque o tempo todo. Numa dessas jogadas, Dani Olmo obrigou Neuer a fazer uma defesaça e a bola ainda tocou no travessão. Diferentemente do duelo diante do Japão, a Alemanha atuava no contra-ataque, não conseguia ter a bola como está acostumada e passou a se adaptar a jogar atrás de linha da bola, tentando explorar a velocidade de seus pontas na transição. Numa dessas jogadas, Gnabry saiu na cara do goleiro Unai Simón, que efetuou a defesa. A velocidade espanhola destoava e a molecada parecia saber onde cada companheiro estava sem olhar. Isso com toda a movimentação. Ninguém guardava posição. Porém, do outro lado, a qualidade técnica da Alemanha também era grande e o time passou a adiantar as linhas e pressionar a saída de bola espanhola, dificultando que a Espanha chegasse ao ataque com a bola dominada de forma perigosa. Na metade do primeiro tempo, com os times mais acomodados dentro das quatro linhas, a Alemanha passou a ter mais a bola no campo de ataque, só que a Espanha era muito rápida na transição, se mantendo perigosa. Na reta final, a Alemanha foi mais perigosa por marcar mais a saída de bola e forçar erros espanhóis, mas o primeiro tempo acabou no 0x0, apesar de ter sido de alto nível técnico.Na etapa complementar, a Alemanha seguiu o que estava dando certo, o time foi para campo abafando a saída de bola espanhola e colocando a “Fúria” para atrás. Sem o mesmo ímpeto do primeiro tempo, os espanhóis não conseguiam mais trocar passes rápidos e chegar perto do gol alemão em condições de abrir o placar. Com os times espelhados, a batalha de imposição no meio-campo era grande e a partida ficava mais morna. A grande chance nos primeiros 10 minutos foi uma interceptação no campo ofensivo em que Gundogan rolou para Kimmich bater e Unai Simón, que havia cometido o erro na saída de bola, defender. Só que mesmo com todo equilíbrio e os times postados, dois toques, de Dani Olmo e Jordi Alba, quebraram as linhas alemãs, e com Morata, que entrou para os espanhóis terem presença de área, a Espanha chegou ao gol. A Alemanha se lançou ao ataque e abriu espaços. Com a absurda velocidade de transição espanhola, a Fúria abriu a defesa alemã e quase chegou ao gol numa jogada linda de Olmo, Morata e Asensio, que acabou chutando para fora. O panorama era de uma Espanha organizada com o contragolpe encaixado e a Alemanha tentando entender a melhor forma de chegar ao gol. Os alemães, que possuem muita qualidade, passaram a ocupar o campo de ataque, marcando e avançando em bloco. Numa jogada de extrema lucidez de Sané, Musiala saiu na cara do gol, mas carimbou o goleiro Unai Simón.Com o avanço das linhas, os alemães passaram rondar a meta espanhola. E, numa subida rápida de Sané, que entrou muito bem, com participação de Musiala, Fullkrug, centroavante colocado para incomodar mais os zagueiros espanhóis, empatou esse jogaço. Hansi Flick soube melhorar seu time, deixando a equipe mais agressiva, principalmente com a movimentação de Sané. Na reta final, com ambos os times mais cansados, nenhuma das equipes conseguiu criar situações de gol e a partida acabou empatada. Esse foi um dos grandes jogos da Copa do Mundo do Catar até aqui, com variações táticas, movimentação frenética da Espanha e adaptação alemã ao longo do jogo para se tornar mais competitiva à medida que o confronto seguia.