(por Matheus Correia)Luís Castro é o técnico do momento no mercado brasileiro. O português de 60 anos é protagonista de uma disputa acirradíssima entre Botafogo e Corinthians. O clube do Parque São Jorge já possui as bases acertadas com Castro, e está pendente apenas do pagamento da multa rescisória do treinador, que gira em torno de R$7 milhões. Entretanto, a equipe carioca continua forte na briga, com o sócio-majoritário John Textor disposto a pagar a multa à vista, enquanto o Corinthians negocia com empresários para realizar o pagamento de forma parcelada. No fim das contas, será Luís Castro que terá a decisão final em sua mão. No Botafogo, terá um projeto de longo prazo, podendo estabelecer seus ideais sem sofrer muita pressão. Já no Corinthians, apesar da pressão maior, terá grande visibilidade, disputando uma Libertadores ainda nesta temporada.Seja Corinthians ou Botafogo, a equipe que conseguir fechar com o português terá um técnico muito interessante em mãos. Aliás, quem é Luís Castro? A Playmaker fez um resumo/análise da carreira e do estilo de jogo do treinador para situar melhor o torcedor dos clubes alvinegros.CurrículoClubes treinados: Águeda (1998-2000), Mealhada (2000-2001), Estarreja (2001-2003), Sanjoanense (2003-2004), Penafiel (2004-2006), Sub-19 do Porto (2006-2013), Porto B (2013-2016), Porto (2014 – Interino), Rio Ave (2016-2017), Chaves (2017-2018), Vitória de Guimarães (2018-2019), Shakhtar Donetsk (2019-2021) e Al-Duhail (2021-2022).Formação preferida: 4-2-3-1Tempo médio em um clube: 1,21 anosTítulos: Campeonato Ucraniano 2019/20 (Shakhtar Donetsk) e Segunda Divisão Portuguesa 2015/16 (Porto B)CarreiraA carreira de Luís Castro se iniciou em 1998, no Águeda, último clube que atuou como jogador profissional. Sua jornada é extensa, mas sem queimar etapas. Após 7 anos transitando entre clubes de menor expressão no futebol português, Castro assinou com o Porto, onde foi designado para treinar a equipe Sub-19 dos Dragões. Lá, ficou sete anos, sendo promovido para o time B do clube em 2013. Com o Porto B, alcançou um feito inédito e histórico: conquistou o título da Segunda Divisão do Campeonato Português, se tornando a única equipe “B” a ganhar este título em Portugal e a segunda no mundo inteiro (Real Madrid Castilla foi a primeira em 1983). Luís assumiu a equipe profissional do Porto de maneira interina após a demissão de Paulo Fonseca, em 2014. Talvez tenha sido este seu ponto baixo na carreira, conquistando 9 vitórias, 1 empate e acumulando 6 derrotas.Em 2016, ele deixou o Porto para enfrentar de fato o seu primeiro desafio. Castro assumiu o Rio Ave e conseguiu fazer um bom trabalho no comando da equipe, terminando a temporada na 7ª colocação da Liga Portuguesa. Em 2017-18, surpreendeu ao futebol português ao alcançar a sexta colocação com o modesto Chaves. Na temporada seguinte, conseguiu levar o Vitória de Guimarães à Liga Europa, deixando o clube na 5ª colocação.Em 2018, Castro assumiu o Shakhtar Donetsk, onde fez seu melhor trabalho. Conquistou o Campeonato Ucraniano em 2019 e foi responsável por fazer a equipe jogar ofensivamente e com eficência contra clubes de alto nível em competições como a Liga dos Campeões. O resultado que Castro talvez mais se orgulhe na carreira é um 2 a 0 contra o Real Madrid na Champions de 2020/21. Entretanto, é também no Shakhtar que o treinador tem sua pior derrota, ou melhor, derrotas. Na fase de grupos da mesma Champions, a equipe ucraniana perdeu de 10 a 0 no agregado contra o Borussia Monchengladbach, levando seis gols dentro de casa.No Al-Duhail, tornou a equipe uma das mais imponentes do Catar, atrás apenas do Al-Sadd. Lá, possui uma média de 2.17 pontos conquistados por partida.Estilo de jogoCastro faz parte da escola ofensiva portuguesa. Ele prioriza um jogo de posse de bola, com uma construção de jogo muito bem coordenada e estruturada, com triangulações e toques rápidos com objetividade e verticalidade. O treinador tenta ao máximo produzir um esquema de jogo que não deixe a equipe “engessada”, fazendo com que todos os jogadores participem da construção ofensiva, com liberdade para fazer um passe mais arriscado ou tentar um drible objetivo. Defensivamente, Castro também gosta que seus jogadores tenham a mesma disposição demonstrada no setor ofensivo – todos devem participar da marcação quando a equipe adversária está atacando. Além disso, suas equipes tem de fazer uma pressão intensa quando o adversário está com a bola. Apesar da forma intensa e para “frente” de jogar, Castro também é capaz de adaptar sua equipe dependendo do time que tem à disposição. Não à toa, fez excelentes trabalhos em clubes com um elenco fraco no Campeonato Português. Tudo se trata de potencializar ao máximo aquilo que os atletas podem oferecer.CaracterísticasUm dos pontos que mais chamam a atenção na metodologia de trabalho de Luís Castro é a forma com que treina uma equipe. O português dá enorme importância aos treinamentos, utilizando exercícios que se adaptam ao estilo de jogo do time. Em entrevista à imprensa portuguesa, Castro explicou um pouco como se sente em relação aos treinos: “Exercícios são feitos em função do nosso modelo de jogo e das nossas dinâmicas. Preocupa-me a forma como ele é acolhido pelos jogadores, e que o exercício contemple todas as preocupações que fizeram nascer o exercício (…) Se eu quero que a minha equipe jogue com uma linha alta, se quero que pressione após a perda, se quero que haja jogo por fora, jogo por dentro, com formação de triângulos, que haja coberturas, que tenha profundidade, que haja basculações, marcações individuais com coberturas, haja entrada pelo corredor central… se eu quero tudo isto, a partir do momento que parto para a elaboração do exercício, parto com todas estas preocupações atrás de mim, e essa é a minha principal preocupação” E apesar de ser extremamente metódico, o português é alvo de muitos elogios por parte de atletas com que trabalhou. O jornalista Andrew Souza, do Meu Timão, divulgou conversas com jogadores que trabalharam com Castro, e entre elas, há comparações afirmando que Luís “está no nível de Jorge Jesus e Abel Ferreira”.Outro ponto interessante de Castro é seu excelente trabalho com jogadores da base, algo evidenciado pelo seu longo período treinando a categoria Sub-19 do Porto. Lá, por exemplo, foi responsável direito por revelar nomes como Fábio Silva, Diogo Dalot, André Silva e Ricardo Pereira.Luís deve definir seu futuro ainda no final de semana – e pelo que tudo indica, seu destino deve ser o Corinthians. Há certo receio entre os torcedores por seu currículo “modesto” e pela falta de títulos conquistados. É importante lembrar que a carreira de Castro, apesar de longa, só teve um início a nível verdadeiramente competitivo em 2016. Uma classificação para a Europa League para clubes como Vitória de Guimarães, Chaves e Rio Ave, muitas vezes, tem o mesmo peso de um título. Quando esteve em um time de alto nível perante sua liga, conseguiu levar o clube ao título nacional (Shakhtar Donetsk). Desta forma, talvez seja melhor analisar o que o Luís Castro pode oferecer ao seu futuro clube, do que ofereceu aos clubes que treinou no passado.
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