A Nova Zelândia é a única representante da OFC na Copa do Mundo. Com o aumento para 48 seleções, a Oceania passou a ter direito a uma vaga direta, sem passar pela repescagem. E coube a principal seleção do continente a honraria de se classificar para o mundial. Vale lembrar: a Austrália joga as eliminatórias pela Ásia.
Será a terceira participação dos All Whites em Copas do Mundo. A primeira, em 1982, terminou na fase de grupos com três derrotas em três jogos. Já em sua última participação, em 2010, os neozelandeses conseguiram o feito de ser a única equipe invicta na competição, empatando as três partidas que disputou.
Sem passar pela primeira fase e sequer conseguir uma vitória em seis jogos na história das Copas, o país ganha mais uma chance para quebrar esse tabu e, quem sabe, avançar para a segunda fase. Num grupo onde é um total azarão comparado a Irã e Egito, o país da Oceania pode fazer história.
Das seleções classificadas, os All Whites detém a pior colocação do Ranking da FIFA (85º) e em muitos Power Rankings está sendo tratada como uma das últimas colocadas das 48 seleções. É como diz a velha máxima: se não tem mais por onde descer, o que resta é subir.
Como joga a Nova Zelândia?

Promovido das seleções de base, o inglês Darren Bazeley é o comandante dos All Whites desde 2023. Sua passagem pela Nova Zelândia vem desde 2013, ou seja, tem muita bagagem no futebol local. Com ele, a seleção atua no 4-2-3-1 padrão, com Chris Wood na referência de ataque.
Dentro da Oceania, a Nova Zelândia, devido a diferença técnica que tem diante das seleções que enfrenta por lá, tem controle das ações o tempo inteiro. Dominando posse de bola e traduzindo isso em produção e muitos gols. Mais detalhes na seção de como foi o ciclo da copa dos neozelandeses.
Fora dela, a tendência é usar e abusar dos contra-ataques acionando sua referência para segurar o jogo, brigar com os zagueiros e aproveitar as chances que os All Whites terão durante os jogos. Com a bola, vai apostar na chegada dos meias para ajudar Wood e abrir o jogo para os laterais, Payne e Cacace, chegarem na linha de fundo.
Será uma surpresa no caso da Nova Zelândia propor o jogo. A tendência, devido a não ser favorita nos jogos, é a segunda opção.
Principais jogadores

Presente na Copa do Mundo de 2010, Chris Wood é a referência e o principal nome do país no futebol. Há 10 temporadas atuando na Premier League, o centroavante atua pelo Nottingham Forest desde que se transferiu para a equipe inglesa na temporada 2022/23. Sua temporada mais artilheira foi em 2024/25, onde marcou 20 gols.
Outros nomes que atuam na Europa estão espalhados pela Inglaterra e até na França. Começando pelo gol, onde o goleiro titular Max Crocombe defende a meta do Milwall. Além dele, Tyler Bindon (Sheffield United), Matthew Garbett (Peterborough United), Liberato Cacace (Wrexham) e Marko Stamenic (Swansea) atuando em equipes das divisões inferiores da Premier League.
Na França, para quem coleciona o álbum da Copa viu que a seleção tem o “Bem Velho” na tradução literal. Esse é o meia-atacante do Saint-Etienne da França, Benjamin Old. Um dos mais jovens da seleção da Nova Zelândia que estarão no Mundial.
E sobre o álbum da Copa, os All Whites são uma das raras exceções que não teve jogador que está no álbum e não foi convocado. Ou seja, todos que estão lá estarão nos Estados Unidos e Canadá.
Como foi o ciclo para a Copa do Mundo?
O ciclo pode ser dividido nas performances dentro e fora do continente. Começando na Oceania, os All Whites foram impecáveis vencendo todos os jogos da Nations Cup da OFC, vencendo o título contra Vanuatu por 3-0, marcando 15 gols em quatro jogos e sem sofrer gols durante a competição.
Nas eliminatórias, outro passeio. Cinco jogos somando todas as fases com: cinco vitórias, 29 gols marcados (graças a goleadas de 8-1, 8-0 e 7-0 contra Vanuatu, Samoa e Fiji, respectivamente), apenas um gol sofrido e vaga assegurada para o mundial batendo a Nova Caledônia por “apenas” 3-0 na final.
Fora da Oceania, nos amistosos, a balança se inverte. Apesar de estrear com vitória diante da China, a seleção do técnico Bazeley venceu apenas mais três das 21 partidas que disputou mundo afora. As vitórias vieram contra a Malásia (4-0 em 2024), Costa do Marfim (1-0 em 2025) e mais recente no último mês de março contra o Chile por 4-1.
Se contar as partidas em que não perdeu, destaque para os empates contra a República Democrática do Congo, Irlanda, Tunísia (mesmo com derrota nos pênaltis), Estados Unidos e Noruega. Essa última sem seu principal jogador, Haaland.
Onde pode chegar?
Como dito anteriormente, por ser a “pior” seleção do Ranking da FIFA, o que se espera da Nova Zelândia é ser um dos países que estarão “a passeio” na América do Norte. Contra a Bélgica, fará um dos duelos de maior discrepância da fase de grupos. Porém, com 48 seleções e 32 vagas, as chances de se classificar aumentam devido a confronto direto.
O Egito tem Salah, que pode desequilibrar qualquer partida. Caso consiga um plano em contê-lo, tem uma chance de aprontar. Mas o grande jogo dos All Whites é contra o Irã, na sua estreia. Em caso de triunfo, os neozelandeses terão que contar com que não sofram goleadas acachapantes para estar entre os oito melhores terceiros colocados para alcançar a segunda fase.
Porém, por ser uma das seleções mais fracas do mundial, uma vitória seria a grande conquista do futebol de seleções da Nova Zelândia. Por ser a grande potência da Oceania, o continente tem apenas uma vitória em Copas, conquistada ainda em 2006 quando a Austrália fazia parte da OFC.
A tarefa da Nova Zelândia é difícil, mas não impossível. Afinal, a Copa do Mundo conta histórias que ficarão nas nossas vidas para sempre. E os All Whites são um desses casos de superação e quem sabe se tornar uma das queridinhas do campeonato.
Os jogos da Nova Zelândia na Copa do Mundo
15/6 – 22:00: Irã x Nova Zelândia (SoFi Stadium – Los Angeles)
21/6 – 22:00: Nova Zelândia x Egito (BC Place – Vancouver)
27/6 – 00:00: Nova Zelândia x Bélgica (BC Place – Vancouver)