A Argentina irá novamente reformular o formato de seu campeonato. Em 2024, nenhuma equipe será rebaixada, permitindo que o número de times aumente de 28 para 30 em 2025. O modelo “Apertura e Clausura” fará seu retorno, o qual estava em vigor até 2012 na liga. O campeão será decidido em um torneio eliminatório após a fase de grupos. Veja como funcionará:
Em uma reunião realizada nesta quinta-feira, que resultou na reeleição de Claudio Tapia como presidente da Associação de Futebol da Argentina (AFA), foi anunciado que o Campeonato Argentino de 2024 não terá rebaixamento. Atualmente, a competição conta com 28 clubes e passará a ter 30 em 2025.
Esse novo formato será um retorno ao sistema “Apertura” (primeiro semestre) e “Clausura” (segundo semestre), utilizado entre 1991 e 2012 (até 2014, um modelo semelhante foi mantido, mas com nome diferente). As equipes serão divididas em dois grupos de 15.
O vencedor de cada torneio será determinado em um mata-mata. Os dois primeiros colocados de cada grupo avançarão diretamente para as quartas de final, enquanto os times que terminarem entre a terceira e a sexta posição iniciarão sua trajetória a partir das oitavas de final.
Novo formato do Campeonato Argentino:
– Dois torneios anuais, denominados Apertura (primeiro semestre) e Clausura (segundo semestre), ambos com 30 clubes.
– Fase de grupos: 15 equipes divididas em dois grupos, jogando um total de 16 rodadas, que inclui uma rodada de clássicos, uma “interzonal” e 14 partidas contra os demais adversários.
– Mata-mata: os primeiros e segundos colocados classificam-se diretamente para as quartas de final; os terceiros ao sextos lugares começam nas oitavas.
– Campo neutro: a partir das quartas de final, os jogos do mata-mata serão realizados em campo neutro, sem vantagem para nenhum dos times do campeonato.
Em duas ocasiões no campeonato, houve finais entre os campeões dos dois torneios. Em 1991, na primeira edição do modelo “Apertura e Clausura”, o Newell’s Old Boys derrotou o Boca Juniors. Mais de 20 anos depois, em 2013, o Newell’s foi superado pelo Vélez Sarsfield. A AFA ainda não se manifestou sobre como será a definição entre os vencedores do campeonato.
Reeleição de Tapia intensifica a disputa entre a AFA e Milei
A assembleia ocorreu em um contexto de conflito judicial entre a AFA e o governo argentino. A Inspeção-Geral da Justiça (IGJ) alegou que outros assuntos, como o balanço financeiro da AFA, deveriam ser discutidos, mas afirmou que a eleição do presidente “não seria válida” e poderia até ser considerada criminosa. Um dos pontos de atrito entre a AFA e o governo é a possibilidade de clubes se tornarem SAFs, uma proposta apoiada pelo presidente Javier Milei.
Atualmente, a AFA proíbe as SADs (equivalentes às SAFs no Brasil) e desfilia qualquer clube que se transforme em uma empresa. O presidente Javier Milei deseja reverter essa situação e é a favor de investimentos privados nos clubes de futebol. Em dezembro de 2023, ele publicou um decreto que propõe uma série de mudanças para a economia argentina, incluindo a alteração da Lei Geral de Sociedades de 1984 para permitir que associações esportivas se tornem SADs no campeonato.
A AFA se opôs à medida proposta por Milei, que respondeu em agosto, afirmando que “qualquer direito de uma organização desportiva não pode ser impedido, privado ou prejudicado em razão de sua forma jurídica, seja uma associação civil ou uma corporação, desde que reconhecido por lei.” A FIFA proíbe que qualquer governo intervenha nas normas de uma federação, o que poderia acarretar punições à seleção.
Apesar da tensão com o governo, “Chiqui” Tapia assegurou sua reeleição de forma tranquila. Sua chapa foi a única a concorrer, garantindo seu mandato até 2029.
A IGJ não permitiu que as eleições da AFA fossem antecipadas, ocorrendo nesta quinta-feira. O órgão governamental alegou que outros assuntos, como a situação financeira da AFA, poderiam ser discutidos. A realização da votação sem autorização do governo poderia ser considerada crime, de acordo com Daniel Roque Vítolo, chefe da IGJ.
— A Assembleia da AFA de quinta-feira pode discutir o balanço, as demonstrações financeiras e o orçamento, mas não pode debater a reeleição de autoridades ou a alteração de estatutos — afirmou Vítolo à rádio CNN.