alpine 2024
Automobilismo Fórmula 1

Afinal de contas, o que acontece com a Alpine?

Atualmente na nona posição no campeonato de construtores, graças a um ponto de cada um de seus pilotos, a Alpine vive hoje seu pior momento na Fórmula 1, e isso vem se arrastando tem um tempo, e nunca percebemos.

Problemas na escolha de pilotos

fernando alonso alpine
Foto: Divulgação

Podemos dizer que essa fase teve inicio em 2022, literalmente no inicio, quando a equipe se viu com Esteban Ocon com contrato por mais 2 anos, Fernando Alonso por mais 1 ano, e Oscar Piastri precisando de uma vaga, pois o prodígio australiano tinha se sagrado campeão da F2 um ano antes, não podendo voltar pra categoria.

Sendo assim, a Alpine colocou Piastri no banco, e correu com os dois pilotos ja experientes.

Avançando para o meio da temporada, com a aposentadoria de Sebastian Vettel, Alonso literalmente DOIS DIAS DEPOIS já estava no telefone com a Aston Martin, negociando uma transferência para a equipe britânica. Isso tudo após a escuderia francesa já ter iniciado conversas com o espanhol para uma renovação.

Porém, já insatisfeito com algumas coisas, Alonso assina com a Aston Martin, e depois em uma das maiores catástrofes de Social Media já feitas, a Alpine simplesmente anuncia Piastri para o ano seguinte, sem sequer consultá-lo.

O problema de não ter consultado a ele? Oscar, já insatisfeito com ver a negociação com Alonso progredindo e ele ansiando por uma vaga no ano que vem, assina com a McLaren para 2023, deixando a Alpine com opções limitadas e perdendo dois pilotos em apenas uma semana.

Otmar Szafnauer, que tinha acabado de chegar praticamente para substituir Marcin Budkowski, tem então a brilhante ideia de contratar Pierre Gasly, um piloto promissor mesmo que com “idade avançada” e que vinha de boas temporadas na Alpha Tauri. Porém, com um ponto a ser destacado, ele simplesmente ODEIA Esteban Ocon, desde a adolescência de ambos.

No meio de 2023, vem a primeira troca de pessoal. Otmar, um ano e meio após sua contratação, é demitido no meio da temporada e, junto dele, foram o diretor esportivo Alan Permane, que tinha 34 anos de grupo Renault, e Pat Fry, chefe do departamento técnico. Isso somado com a perda de um ano antes de Alain Prost, que atuava como conselheiro técnico.

Má gestão como fator determinante

laurent rossi alpine
Foto: Divulgação/Alpine

Com isso podemos somar a perda de quatro pessoas de suma importância na diretoria e agora outras três. Mas a que se deve tudo isso? À má gestão de Laurent Rossi.

No grupo Renault desde 2000, Laurent foi colocado em 2021 como CEO da Alpine. Considerado um dos principais gestores da categoria, ele tentou se desdobrar conciliando com o projeto do WEC. Naquele ano, que ainda tinha algumas sobras do trabalho de Cyril Abiteboul, Laurent viu o maior sucesso da escuderia sob seu comando, incluindo uma vitória no GP da Hungria.

Mas, daí pra frente foi de mal a pior. Laurent se vê com dilemas em que “se perde” para arrumá-los, desde a duvida de qual piloto usar, para a perda de pessoal administrativo, todos tem a mesma reclamação, em termos simples, “A Alpine é uma bagunça”.

Não é mistério que a Renault vem perdendo interesse na F1. Luca de Meo, CEO da montadora, usa o nome da Alpine até como uma estratégia interna pra criar essa “divisão de Motorsports” dentro da marca. Mas a escolha de pessoal vem sempre sendo equivocada, e Luca fez Laurent sofrer pelo seu sucesso.

Assim como Mattia Binotto, Laurent entrou no grupo Renault na divisão de motores, e foi subindo na hierarquia da companhia. Mas nunca foi conhecido por ser um bom gestor, mas sim por fazer muito bem as suas ações designadas, e com isso, ao ser colocado em um cargo de gestão, vê seu grupo se perder justamente por não ter talvez a experiência necessária.

E isso fez que de Meo mais uma vez tomasse a decisão de colocar em posições de gestão, pessoas excelentes fazendo outras coisas. Tanto que, para 2024, a Alpine começou com Philippe Krief. O então vice-presidente de engenharia e performance de produto, foi colocado para substituir Laurent como diretor executivo.

Já no lugar de Szafnauer, temos desde o meio de 2023 – ainda como interino – o francês Bruno Famin, que trabalha no grupo Renault desde 1989 (!!), e atuava como diretor técnico de unidade de potência (percebemos ai um padrão, pois ele TAMBEM foi um dos que vieram a suceder Laurent).

Alpine “frita” os pratas da casa

Em resumo, podemos concluir: a Alpine, hoje, tenta resolver seus problemas com pratas da casa, mas acaba sempre punindo bons funcionários por seu sucesso em sua área usando eles em áreas diferentes. E isso não é exclusividade da Alpine, como aqui já ate mencionamos o caso de Mattia Binotto como exemplo.

Mas, entre um desinteresse do grupo Renault, uma necessidade de investimentos, mesmo após um grupo grande de esportistas com nomes como Travis Kelce, Patrick Mahomes, Trent Alexander-Arnold, entre outros, injetarem bons investimentos, a má gestão da divisão Alpine tem visto uma queda de rendimento brusca em ambas as categorias onde e muito presente.

Segue a Luca de Meo, Phillippe Krief e Bruno Famin conseguirem organizar a casa, criar uma linha de raciocínio conjunta e trabalhar da melhor forma, contratando um pessoal já consolidado e arrumando um novo segundo piloto que possa pilotar ao mesmo nível de Pierre Gasly.

(Foto: Getty Images)

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