Fórmula 1
Automobilismo Fórmula 1

Fórmula 1 justifica fracasso dos novos carros na pista com grandes públicos e iniciativas ambientais?

A temporada 2026 da Fórmula 1 entrou em uma nova era com mudanças importantes no regulamento, novas equipes e pilotos estreantes. Depois de 11 etapas, porém, não são apenas as novidades esportivas que chamam atenção. Os números da primeira metade do campeonato mostram uma categoria que continua crescendo em diferentes frentes, desde a presença nos circuitos até a audiência televisiva, as redes sociais e as iniciativas ambientais.

Com a pausa de verão iniciada após o GP da Hungria, a F1 apresentou um balanço dos principais indicadores registrados até agora. E um dos sinais mais evidentes da força da categoria aparece diretamente nas arquibancadas. Todas as etapas disputadas em 2026 tiveram ingressos esgotados. Ao todo, os finais de semana de corrida reuniram quase 3,7 milhões de pessoas, contra aproximadamente 3,4 milhões nas mesmas provas de 2025. O crescimento é de 6% em relação ao ano passado.

Cinco circuitos também estabeleceram novos recordes de público. A Austrália recebeu 484 mil pessoas, enquanto o Canadá registrou 360 mil. A Áustria chegou a 320 mil, Silverstone alcançou impressionantes 564 mil e a Bélgica recebeu 400 mil espectadores.

Alguns dos aumentos em relação a 2025 foram particularmente expressivos. O GP do Japão teve crescimento de 18% no público, enquanto a etapa britânica avançou 13%. Na Áustria, o aumento foi de 7%. Os dados mostram que a expansão da F1 não está restrita a um único mercado. O interesse presencial cresceu em diferentes etapas do calendário, reforçando a capacidade da categoria de atrair grandes multidões mesmo em uma temporada marcada por profundas mudanças técnicas e esportivas.

Audiência de TV cresce e Brasil ganha destaque

O crescimento também aparece diante das telas. A audiência televisiva global continua avançando, com mercados estratégicos como Brasil, Itália e China desempenhando um papel importante nesse movimento. No Brasil, o salto foi especialmente significativo. Os finais de semana de corrida chegaram a registrar audiências até cinco vezes maiores do que as observadas em 2025.

O GP da Grã-Bretanha foi o principal destaque. A transmissão combinada da TV Globo e do SportTV3 alcançou 18 milhões de espectadores no país. Foi a maior audiência brasileira para a prova em oito anos e também a maior audiência registrada em um único mercado para qualquer corrida de Fórmula 1 desde 2020. A Itália também apresentou crescimento. Até o GP da Grã-Bretanha, a audiência televisiva acumulava alta de 27% em comparação com 2025.

Algumas corridas tiveram ainda seus melhores resultados de audiência no país em vários anos. O GP do Japão registrou a maior audiência italiana desde 2017, enquanto a Bélgica alcançou seu maior público desde 2019. Na China, o GP local teve uma audiência de fim de semana mais de duas vezes superior à registrada no ano anterior. A ampliação da cobertura e o crescimento do interesse pelo campeonato também contribuíram para manter bons resultados nas demais corridas realizadas em 2026.

O GP de Mônaco, por sua vez, chegou perto de 80 milhões de espectadores globalmente, representando um crescimento de dois dígitos em relação a 2025. Outro elemento dessa expansão é a nova parceria de transmissão da Fórmula 1 com a Apple. A categoria afirma que a colaboração vem apresentando bons resultados de audiência e engajamento em seu conjunto de plataformas.

Um dos momentos mais significativos foi o primeiro simulcast da Apple com a Netflix durante o GP do Canadá. A iniciativa também envolveu a exibição de Drive to Survive e buscou alcançar um público mais jovem e diversificado, explorando novas formas de consumo da Fórmula 1 tanto para os fãs mais assíduos quanto para espectadores ocasionais.

Calendário ganha estabilidade e interesse de novas cidades

O crescimento global da categoria também está aumentando o interesse das cidades e circuitos que recebem as corridas. Entre os acordos anunciados estão um contrato de cinco anos com o Istanbul Park, na Turquia, que mantém o circuito no calendário até 2031, e uma extensão de dez anos para o GP de Las Vegas, que permanecerá na programação até 2037.

A Fórmula 1 também fechou extensões alternadas e de múltiplos anos para dois circuitos tradicionais. O Circuit de Barcelona-Catalunya terá corridas em 2028, 2030 e 2032, enquanto Spa-Francorchamps receberá etapas em 2027, 2029 e 2031.

Portugal também voltará ao calendário. O circuito de Portimão tem um acordo para receber corridas em 2027 e 2028, em um retorno que já havia sido anunciado no fim de 2025. Esses acordos mostram outra dimensão do crescimento da categoria: além de atrair mais público para as corridas atuais, a F1 continua despertando interesse de locais que querem fazer parte de seu calendário.

Redes sociais ampliam alcance e atraem novos fãs

Fora das pistas e das transmissões tradicionais, a presença digital da Fórmula 1 também cresceu consideravelmente. A categoria ultrapassou 125 milhões de seguidores nas redes sociais, um aumento de 19% em relação ao ano anterior. O Instagram da F1 continua entre os canais esportivos com maior nível de engajamento, enquanto as impressões nas redes sociais cresceram 12%.

O consumo de vídeos avançou ainda mais. As visualizações aumentaram 54% em relação a 2025, impulsionadas principalmente pelo forte desempenho no TikTok. Uma das ativações que mais chamou atenção foi a parada dos pilotos com LEGO em Silverstone. O conteúdo alcançou mais de 70 milhões de visualizações nas plataformas sociais.

Também houve crescimento no conteúdo em vídeo distribuído diretamente pelos canais da categoria. Fãs passaram mais de 7 milhões de horas assistindo ao conteúdo expandido disponível no F1.com e no aplicativo oficial da Fórmula 1.

O crescimento digital acompanha uma mudança demográfica importante. A categoria afirma que mais de 830 milhões de pessoas acompanham a Fórmula 1 em todo o mundo, número 64% superior ao registrado em 2018, primeiro ano completo após a aquisição da categoria pela Liberty Media. Atualmente, 42% do público da F1 é formado por mulheres. Elas representam três quartos dos novos fãs conquistados pela categoria. Além disso, 43% da base total de fãs tem menos de 35 anos.

Os números apontam para uma audiência que não apenas cresceu em tamanho, mas também apresenta características cada vez mais diversificadas.

Sim Racing e sustentabilidade também entram na conta

O crescimento da Fórmula 1 não está limitado às corridas tradicionais. O campeonato mundial de F1 Sim Racing também apresentou números expressivos em 2026. A competição conta com nove equipes e 12 rodadas distribuídas em quatro eventos. A primeira etapa foi realizada no DreamHack Birmingham, festival global de esports e games, diante de um público de 50 mil pessoas.

Três outros eventos aconteceram no estúdio de sim racing da própria Fórmula 1, localizado no Media and Technology Centre, em Biggin Hill. A audiência ao vivo chegou a quase 13 milhões de espectadores nas plataformas YouTube, Twitch e Facebook, um crescimento de 72% em comparação com 2025.

Nas redes sociais, o campeonato já acumulou 269 milhões de visualizações, enquanto os vídeos relacionados à competição somaram 84 milhões de visualizações ao longo do ano. Outro aspecto destacado no balanço da primeira metade de 2026 é a agenda ambiental. Em junho, a Fórmula 1 afirmou que continua no caminho para cumprir seu compromisso de atingir emissões líquidas zero até 2030.

A categoria registra uma redução de 35% em sua pegada de carbono em relação à base de 2018, incluindo o uso de SAFc. Na logística, as emissões caíram quase 20 mil toneladas de CO₂ equivalente, representando uma redução de 29% em comparação com 2018 e de 21% em relação a 2024. A redução está associada à estratégia de logística de maior eficiência, que passou a incorporar soluções de menor emissão nos transportes terrestre, aéreo e marítimo.

As operações dos eventos também registraram redução. As emissões caíram mais de 1.000 toneladas de CO₂ equivalente, uma diminuição de 6% em relação a 2018 e de 17% por corrida. Esse resultado foi alcançado mesmo com o crescimento do calendário, que passou de 21 eventos em 2018 para 24 em 2025. A Fórmula 1 atribui parte desse avanço à colaboração com os promotores e à ampliação do uso de fontes de energia renovável nos GPs.

O maior corte, porém, aparece nas fábricas e instalações. As emissões desses locais foram reduzidas em mais de 37 mil toneladas de CO₂ equivalente. Isso representa uma queda de 64% em relação a 2018 e de 14% em comparação com 2024. A redução está ligada à continuidade da transição para fontes renováveis de energia utilizadas nas fábricas e escritórios da Fórmula 1 e das equipes.

Assim, os números da primeira metade de 2026 mostram uma categoria crescendo em várias direções ao mesmo tempo. Os circuitos estão recebendo mais espectadores, a televisão registra aumentos importantes em mercados estratégicos, as redes sociais ampliam seu alcance e o público se torna mais jovem e diversificado.

Ao mesmo tempo, o crescimento do sim racing amplia o ecossistema da categoria, enquanto as reduções nas emissões indicam que a expansão da F1 está sendo acompanhada por esforços para diminuir seu impacto ambiental.

Depois de 11 etapas, os números contam uma história que vai muito além da competição na pista: a Fórmula 1 está ampliando sua presença entre públicos, plataformas e mercados diferentes, enquanto tenta avançar também em suas metas ambientais.

Foto: (Fórmula 1)