A ex-atleta jamaicana Beverly McDonald finalmente recebeu sua medalha de bronze conquistada nas Olimpíadas de Sydney em 2000, na manhã desta sexta-feira (9), em Paris.
Sonho de qualquer atleta olímpico, Beverly teve que esperar 24 anos para receber sua medalha de bronze das Olimpíadas nos 200 metros do atletismo, e essa longa espera terminou este ano.
McDonald havia chegado na quarta colocação na prova, vencida pela norte-americana Marion Jones, seguida de Pauline Davis-Thompson, das Bahamas, e Susanthika Jayasinghe, do Sri Lanka, com a jamaicana fechando na quarta posição.
No entanto, tudo mudou em 2007, quando Jones confessou ter utilizado substâncias dopantes para melhorar sua performance ao longo de sua carreira. Em Sydney, Jones conquistou cinco medalhas (três de ouro e duas de prata), que foram devolvidas ao Comitê Olímpico Internacional. Jones, que era tricampeã mundial da prova, foi banida do esporte para sempre.
Enquanto Thompson-Davis e Jayasinghe já haviam recebido suas medalhas de ouro e prata, apenas agora, por questões processuais, Beverly, aos 54 anos, pôde, enfim, ser condecorada com a medalha de bronze daquela prova. Esta foi a terceira medalha olímpica da jamaicana, que também conquistou a medalha de ouro no revezamento 4×100 metros nas Olimpíadas de Atenas em 2004 e a medalha de prata na mesma prova em Sydney 2000.
Outras provas das Olimpíadas também afetadas
Além das medalhas dos 200 metros, todas as outras provas em que Jones foi vencedora nas Olimpíadas de 2000 tiveram suas medalhas retiradas pelo COI, assim como os dois pódios conquistados por ela no Mundial de 2001, nos 100 metros rasos e no revezamento 4×100 metros.
Nos 100 metros, a medalha de ouro ficou sem dono, com a prata sendo dividida entre a grega Ekaterini Thanou e a jamaicana Tayna Lawrence, enquanto a compatriota Marlene Ottey ficou com o bronze.
No salto em distância, prova que também foi vencida por Jones, a russa Tatyana Kotova herdou a medalha de bronze após a desclassificação de Jones.
Os casos mais complicados envolveram as provas de revezamento, o 4×100 metros (em que os EUA ganharam o ouro) e o 4×400 metros (bronze). A confissão de Jones ocorreu em outubro de 2007, e, um mês depois, a World Athletics recomendou que o COI desclassificasse as equipes dos EUA dessas provas.
Somente em 2008 o COI pediu a devolução das medalhas das companheiras de Jones; entretanto, não houve remanejamento do pódio. Em 2010, após um processo no Tribunal Arbitral do Esporte, as medalhas foram devolvidas às atletas dos revezamentos.