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Em monólogo completo, Opetaia vence o valente Glenton e é campeão da Zuffa

O Zuffa Boxing 4 colocou frente a frente o fenomenal Jai Opetaia diante do azarão Brendon Glanton, valendo o primeiro cinturão cruzador da história da organização. Muitos achavam que a diferença entre ambos seria grande, mas ela se mostrou enorme, com Opetaia vencendo todos os 12 rounds.

De positivo para Glanton fica a resistência e valentia do americano, que sofreu muitos golpes, mas aguentou até o final, demonstrando um coração absurdo. Um operário do boxe que teve a chance da vida, porém, viu que a distância era grande.

Agora, o australiano Jai Opetaia, campeão da Ring Magazine e da Zuffa, deve ir atrás de lutas mais difíceis para seguir aumentando seu legado, que hoje conta com títulos e 30 vitórias em 30 combates. O caminho mais coerente dentro da categoria seria enfrentar logo de cara Gilberto Ramírez, que é reconhecido como o outro grande cruzador do boxe atual, ou David Benavídez, que subirá para enfrentar o “Zurdo” Ramírez no próximo dia 2 de maio.

Enquanto o futuro não é definido, vale reconhecer Jai Opetaia como um dos gênios do esporte na atualidade. Confira como se desenvolveu a luta que deu mais um cinturão para a carreira do lutador australiano.

Jai Opetaia passeia sobre Brandon Glanton, mas não derruba o oponente

Jai Opetaia foi muito superior a Brandon Glanton, dominando a luta por completo e conquistando o cinturão cruzador da Zuffa Boxing
Jai Opetaia foi muito superior a Brandon Glanton, dominando a luta por completo e conquistando o cinturão cruzador da Zuffa Boxing (Imagem: Divulgação Zuffa Boxing)

Jai Opetaia começou já impondo seu ritmo e desferindo uma variação de golpes interessante. Mais rápido e preciso, o campeão foi melhor no primeiro round, acertando golpes limpos e mostrando um belo cartão de visitas.

Já no segundo assalto, Jai Opetaia seguiu no seu ritmo, com combinação velozes que minavam Brandon Glenton, que não achava o australiano. Mais um monólogo nesta parcial.

No terceiro round, mais do mesmo. Jai Opetaia era mais rápido, tocava no rosto e no corpo do adversário, que tentava se aproximar, mas não tinha sucesso. Um direto de esquerda no fim da parcial foi a cereja do bolo.

Na quarta parcial, Glanton abaixava a cabeça e se aproximava, só que ficava exposto e permitia golpes limpos de Jai Opetaia, que acertava golpes poderosos e limpos, vencendo mais um round.

Jai Opetaia era muito melhor e mostrava isso a cada instante. Brandon Glanton buscava o dirty boxing, mas não conseguia ser eficiente e levava diretos e uppers poderosíssimos. Um belo show do australiano, que sofreu um golpe baixo no fim, mas não se abalou e venceu claramente mais um assalto.

O sexto round começou com ambos brigando. Se aproximando e trocando alguns golpes no clinche, mas mesmo no dirty boxing a vantagem era de Opetaia. Para piorar as coisas para Glanton, o americano teve um ponto descontado por segurar demasiadamente o braço do campeão. Na reta final da parcial, com uma troca mais franca, Glanton acertou alguns golpes limpos, mas sofreu um número bem maior.

Glanton seguia tentando encontrar Opetaia no ringue, mas única coisa que via era a mão do australiano o machucando com uppers curtos. O americano tornava a luta muito feia, travando o confronto, porém, mesmo assim o campeão conseguia pontuar, encontrando golpes limpos.

Brandon Glanton voltou no oitavo round com muita sede ao pote e, logo no início da parcial, ele acertou um golpe baixo em cheio, perdendo mais um ponto. Glanton caçava Opetaia no ringue, mas campeão trabalhava bem com diretos potentes que tocavam o desafiante. A cada assalto a diferença entre ambos se tornava mais gritante.

No nono assalto, Brandon Glenton, mesmo muito machucado, com um ferimento impressionante na testa, seguia indo para cima, demonstrando um coração absurdo. Jai Opetaia trabalhou mais os jabs, mas não foi dominante como nos rounds anteriores, embora tenha vencido novamente.

O décimo round foi o mais empolgante da luta. Jai Opetaia parecia disposto a terminar o confronto ali. O australiano lançou sequencias que encontravam o rosto e o corpo de Glanton, que engolia os golpes, balançava, mas não caía. E, surpreendentemente, o americano ainda acertou um diretaço, só que não abalou o australiano, que seguiu soberano em mais uma parcial.

Ambos voltaram para o 11° round dispostos a brigar, com clinches ferozes, empurrões e um boxe feio, sujo, amarrado, em que Jai Opetaia acertava mais golpes, só que não tinha a contundência de outros momentos. Na reta final da parcial, o australiano desferiu combinações limpas, mas Glanton absorveu bem.

Com a luta ganha, Jai Opetaia foi para o 12º assalto para tentar um nocaute, enquanto Brandon Glanton buscava um milagre. O australiano seguia acertando bons golpes. Mas Glanton bem balançava. O americano seguiu na estratégia de aproximação e dirty boxing, mas era ineficiente. Se não bastasse, no último minuto o campeão conectou um belo direto de esquerda, que balançou, mas não derrubou o valente Glanton.

No fim, foi configurado o massacre por decisão unânime, com Jai Opetaia vencendo todos os assaltos de forma clara e mostrando que está numa prateleira bem diferente da que se encontra o seu adversário.

(Imagem de capa: Ed Mulholland/Zuffa Boxing)