O Palmeiras não deixou os cofres fechados nesta temporada e, mais importante do que gastar, gastou com propósito. Sob comando da presidente Leila Pereira, o clube iniciou uma renovação profunda no elenco, trocando nomes consagrados, mas em queda, por jovens talentos e peças mais ajustadas ao modelo de jogo de Abel Ferreira.
Com um elenco que vinha dando sinais de desgaste, o Verdão colocou em prática uma reformulação silenciosa, porém robusta, distribuída ao longo de 2025. Mesmo que os resultados de 2024 tenham frustrado as expectativas, sem títulos, apesar do brilho individual de Estêvão, a diretoria enxergou o momento certo para virar a chave e montar uma nova base competitiva.
A única movimentação de impacto recente foi a chegada do goleiro Carlos Miguel, ex-Corinthians. De resto, o que se vê hoje no elenco do Palmeiras é o resultado de meses de trabalho de bastidor, negociações bem costuradas e decisões estratégicas.

Do ataque à base: Palmeiras rejuvenesce a linha de frente
A mudança mais simbólica da temporada foi a chegada de Vitor Roque, em operação que movimentou 25,5 milhões de euros, a maior contratação da história do futebol brasileiro. O ex-Barcelona foi trazido com status de estrela para assumir a camisa 9 e preparar o terreno para a saída de Estêvão, além de ocupar o lugar de Rony, que acabou negociado com o Atlético Mineiro por 6 milhões de euros.
No embalo da negociação com o Galo, o Palmeiras também trouxe Paulinho, mesmo em baixa por conta de lesão. Aposta de médio prazo, ele chega como potencial titular para 2026. Facundo Torres e Ramón Sosa completam o pacote de reforços para o setor ofensivo, ampliando o leque de opções e ajudando a preencher o vazio deixado por Dudu, que além de dizer adeus, fez questão de fazer barulho.
Apesar dos problemas com o ex, o Verdão foi capaz de reestruturar muito bem seu sistema ofensivo, porém, ainda espera pela presença de Bruno Rodrigues, que foi contratado junto ao Cruzeiro no passado, e o atacante Paulinho.
Meio renovado e defesa ajustada
No meio-campo, nomes históricos também deram lugar a novas peças. Zé Rafael, símbolo de títulos e regularidade, encerrou seu ciclo e foi para o Santos, onde reencontrará Neymar. Richard Ríos seguiu caminho europeu e acertou com o Benfica logo após o Mundial de Clubes.
Para preencher essas lacunas, o Palmeiras agiu rápido e trouxe Emiliano Martínez, Aníbal Moreno e Lucas Evangelista, todos com perfil competitivo e boa capacidade técnica. O trio passou a compor o novo coração do time de Abel Ferreira, sem prejuízo na intensidade, e com mais mobilidade.
Na defesa, a renovação também foi visível. A saída de Luan, que já não fazia parte do time ideal, abriu espaço para os reforços Bruno Fuchs e Micael, enquanto a lateral-direita foi completamente reformulada com as saídas de Marcos Rocha (Grêmio) e Mayke (também no Santos). A renovação dessa ala, tão importante nos anos dourados do Palmeiras recente, sinaliza o fim de uma era, e o começo de outra.
No caso, o clube paulista decidiu por apostar em Khelvenn, ex-Athletico, e por agora, tem negociado com Jefté, outro nome brasileiro, mas não tão conhecido em seu país.
Goleiro novo e recado direto: ninguém tem cadeira cativa
Se havia alguma dúvida sobre a disposição da diretoria em mudar, a contratação de Carlos Miguel deixa tudo claro. Mesmo com Weverton ainda no elenco, as falhas recentes do camisa 21 e a oportunidade de mercado convenceram o Palmeiras a apostar no ex-Corinthians. Jovem, alto, com margem de crescimento e sem histórico de lesões, Carlos chega com status de futuro titular.
Não é só uma contratação: é um aviso. Ninguém tem cadeira cativa no novo Palmeiras.
Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon