No domingo (19), o Palmeiras venceu o Athletico-PR, na 12ª rodada do Campeonato Brasileiro, pelo placar de 1 a 0 no Allianz Parque. Com o resultado, o clube chegou aos 29 pontos e assumiu a liderança do torneio nacional. No entanto, a partida também trouxe motivos para preocupação, com um problema já conhecido se repetindo e ficando cada vez mais evidente ao longo da temporada.
Apesar de contar com ótimas peças do meio-campo para frente, o Verdão teve, mais uma vez, dificuldade para criar oportunidades no setor ofensivo. Inclusive, o time precisou, novamente, contar com a bola parada para balançar a rede, algo que vem se tornando uma constante preocupante dentro do modelo de jogo da equipe.
Palmeiras sofre com pouca criatividade ofensiva
O Palmeiras abriu o placar cedo no Allianz Parque. Aos 14 minutos, após cobrança de escanteio, o zagueiro Gustavo Gómez disputou a bola e finalizou com força para marcar. O gol foi o único da vitória do Verdão, que encerrou a partida com onze finalizações, número que, à primeira vista, pode parecer razoável, mas que esconde a baixa qualidade das chances criadas ao longo dos 90 minutos.
Com a expulsão de Murilo no segundo tempo, o clube teve dificuldades para segurar a vitória diante de sua torcida. Embora tenha assegurado os três pontos, o Verdão correu riscos de ser punido pela maior efetividade do adversário, deixando de ampliar o placar quando as equipes ainda estavam com igualdade numérica. Esse tipo de cenário tem se repetido e evidencia uma equipe que não consegue “matar” o jogo quando tem controle da partida.
O cenário é bem semelhante ao que ocorreu em outros compromissos desta temporada, como o empate contra o Corinthians. No clássico, a equipe comandada por Abel Ferreira foi bastante apagada no setor ofensivo, carecendo de criatividade e soluções coletivas para furar a defesa. A dificuldade não parece pontual, mas sim estrutural.
O grande ponto aqui é o quanto o elenco do Palmeiras torna essa realidade surpreendente. Apesar de contar com nomes como Andreas Pereira, Allan, Sosa, Flaco López, Jhon Arias e Vitor Roque, o time ainda se mostra muito dependente de bolas paradas para balançar as redes. Trata-se de jogadores com características complementares, capazes de oferecer mobilidade, técnica e profundidade, mas que, juntos, ainda não conseguiram formar um ataque realmente fluido.
O jogo mais recente do Verdão reforça uma sensação que já havia sido evidente no clássico contra o Corinthians: existe uma falta de repertório no campo de ataque. Mesmo com jogadores que, a princípio, podem desequilibrar individualmente, o time apresenta pouca variação de jogadas e dificuldade na construção por dentro.
Se falta criatividade dos jogadores, o comandante do Verdão poderia encontrar soluções em ajustes táticos; no entanto, isso não vem acontecendo. A equipe parece presa a um modelo que prioriza a segurança defensiva e a organização, mas que, ao mesmo tempo, limita a liberdade criativa no último terço do campo. Falta uma ocupação mais inteligente de espaços e maior dinamismo nos movimentos ofensivos.
Falta ímpeto ao Palmeiras em muitos momentos
O Palmeiras também apresenta falta de ímpeto em muitos compromissos da temporada. O próprio jogo contra o Corinthians comprova esse ponto. Apesar de se tratar de um clássico, o elenco palmeirense não demonstrou a vontade de jogar necessária para vencer esse tipo de confronto. Em alguns momentos, a equipe parece confortável com o controle sem profundidade, o que acaba tornando o jogo morno e pouco produtivo ofensivamente.
Outro aspecto que chama atenção é a dificuldade em acelerar o jogo quando necessário. O Palmeiras até consegue controlar a posse de bola, mas tem problemas na transição ofensiva, demorando para transformar recuperação de bola em chances reais de gol. Isso contribui para o baixo volume de oportunidades claras.
Dessa forma, o Palmeiras segue dependendo da bola parada para balançar a rede. Em 2026, o time tem a média de um gol por falta ou escanteio a cada 2,1 jogos. Apesar dessa dependência, o clube faz o suficiente para liderar o Brasileirão, porém, fica a sensação de que a equipe poderia estar em uma situação ainda mais confortável caso resolvesse seus problemas ofensivos.
Créditos da foto de capa: Cesar Greco/Palmeiras/Divulgação.



