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Palmeiras classifica, mas não engrena. Como resgatar o “modo Abel”?

O Palmeiras está longe de apresentar o alto nível das últimas temporadas, desde 2024, a equipe de Abel Ferreira tem tido grandes dificuldades para conquistar resultados. Neste último domingo (23), passou um sufoco danado para marcar presença nas quartas de final do Paulistão, tendo a necessidade de contar com uma combinação de fatores, junto da sua vitória sobre o Mirassol.

Em alguns momentos, o Verdão foi capaz de impor um exímio nível, mas a inconstância tem sido o principal problema do elenco. O Palmeiras se apresentava pouco criativo contra o RB Bragantino por exemplo, porém, depois visitava o Guarani e conseguia fazer um belo 4 a 1, com o estilo de jogo funcionando bem e dando tudo certo.

Certas movimentações feitas em algumas ocasiões, contavam com a aparição de frutos, entretanto, não era sempre assim. Os problemas defensivos estão ficando evidentes, a questão é que, a falta de qualidade no setor ofensivo tem sido mais problemática ainda. Diante disso, Abel Ferreira precisará mexer alguns “pauzinhos” para recuperar sua equipe, que contou com a saída de uma peça importante, e a chegada de alguns profissionais que estão entregando.

Ao observar o mercado do Palmeiras, contratações que eram necessárias, foram feitas. Entretanto, alguns jogadores do elenco não estão sendo capazes de entregar o esperado, deixando a desejar e abandonando o técnico português. Sem contar que, ele não é isento de críticas, por conta disso, pontuaremos alguns problemas do Verdão neste início de temporada.

Problemas do Palmeiras em 2025

Palmeiras
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

 

1. Saída de bola

Para iniciar essa discussão, o Palmeiras tem tido grandes problemas no principal local do gramado: a saída de bola. O time paulista já chamou muita atenção para o quesito no passado, mas de forma positiva, algo distante do momento. Antes, Abel colocava esse papel na mão de três jogadores no sistema defensivo, fazendo uma linha de três que possibilitava a subida de um dos laterais.

A questão é que, em 2025, as coisas não estão acontecendo desta forma. Não se sabe ao certo se é por conta da ausência de Vitor Reis, que foi vendido para o Manchester City, ou as recorrentes lesões de Gustavo Gomez. Sem tanta confiança na saída de bola, mais profissionais se instauram na região, tornando a construção bem mais complicada do que o usual.

A mudança para uma saída de bola mais sustentada, não tem contado com pontos positivos, pelo simples fato do Palmeiras não ter entendido como atuar. A ideia é boa, é possível notar os espaços criados dentro do campo, o problema são as decisões dos jogadores, que em diversos momentos, principalmente contra o Massa Bruta, fizeram questão de escolher as piores opções.

A dinâmica de terceira homem não foi bem utilizada, simplesmente queriam correr mais do que as pernas. Porque nessas situações, o time, que em questão é o Palmeiras, está sendo pressionado e conta com uma opção de passe em sua frente, e outro profissional num espaço que ficará mais claro, quando o primeiro atleta ter a bola em seus pés. Entretanto, quem está com ela inicialmente, se encontra ansioso para desafogar a marcação com velocidade, e coloca sua equipe em perigo.

2. Jogo por dentro

O Palmeiras tem procurado atuar com um quarteto de “meias” no ataque, porém, depois da lesão de Maurício, essa movimentação se tornou problemática. Diante desse ocorrido, Flaco López ou Thalys têm recebido espaço como centroavante, retornando a fórmula da temporada passada. Para utilizar seu “camisa nove”, em algumas oportunidades ele aparece para fazer seu pivô, na intenção de auxiliar no ataque.

O problema desta movimentação, é a ausência de opções que aparecem para ele. O clube paulista vê o jogo se armar, junto das possibilidades de passe, porém, não tem conseguido auxiliar o pivô, fazendo com que a atitude seja em vão. No final das contas, ou perdem a posse da bola, ou contam com uma falta sofrida do profissional, que dá um alívio para o Verdão, no caso.

Muito se fala sobre a falta de qualidade em alguns pivôs, nesta situação, o quesito tem se apresentado dentro de campo, só quem não tem marcado presença, são as opções. Parece que o Palmeiras raramente está na mesma página, tornando as investidas ofensivas sem muita qualidade, e nessas ocasiões, o individualismo precisa aparecer para o resultado ser positivo no final das contas.

3. A potencialização do Estêvão

Esse ponto já foi citado em inúmeros locais diferentes, mas precisa ser ressaltado. Um atleta que possui qualidade no mano a mano, e gosta de atuar pelos lados do campo, precisa de espaço. Se ele for colocado numa situação de 2×1, quem está livre, tem a obrigação de aparecer para receber a bola, seja no campo ofensivo, numa investida por trás dos defensores, qualquer coisa do tipo.

Nesse início de temporada do Palmeiras, foi fácil de ver a diferença de jogos quando Giay está em campo, e quando o Marcos Rocha está presente. Apesar do veterano ter sofrida inúmeras críticas, principalmente sobre sua renovação de contrato, ele é capaz de potencializar o Estêvão em algumas situações, diferente do lateral argentino, que teve dificuldade no quesito.

Quando você possui um atleta do “tamanho” do camisa 41, é imaginável que o foco será todo voltado para ele. O Palmeiras terá necessidade em buscar a presença do ponta-direita no jogo, porque de longe, é muito melhor com ele pegando na bola. Entretanto, do que adianta acioná-lo nas situações erradas.

Se todos os olhos estão voltados para ele, alguém precisa aparecer para brilhar enquanto o foco é o Estêvão. Seja num “um-dois”, para usar o ponta-direita de isca, qualquer coisa, Estêvão não vai pegar a bola na ponta-direita, com quatro marcadores em cima dele e fazer chover, algo precisa acontecer enquanto todos saem para pegá-lo.

4. Lado esquerdo do Palmeiras

A presença de um atleta do nível do camisa 41, torna vital a importância do lado contrário do Verdão. Se o jogo está pro lado direito, rodá-lo para o esquerdo deve ser uma exímia movimentação, pegar o adversário não tão estruturada quanto estaria na situação contrária. Diante disso, o Palmeiras encontrava alguns problemas, principalmente na ausência de Piquerez.

O lateral-esquerdo uruguaio é o melhor atleta da posição no elenco, e sua diferença para o Vanderlan é assustadora. Por conta dessa questão, na ausência do titular, o nível pode cair bruscamente, ainda mais no setor ofensivo. A chegada de Facundo Torres tem sido uma exímia aquisição, dando espaço para o Verdão ser mais perigoso nesse lado contrário do Estêvão, o problema é quando ele não está presente.

A presença de Estêvão no lado direito, faz com que o Palmeiras trabalhe em bloco na região, em volta do ponta-direita. Essa situação se torna um problema quando não possuem eficiência no lado, rodando o jogo para a esquerda, e encontrando o lateral-esquerdo sozinho, sem opções para trabalhar, então se torna apenas perda de tempo. O que daria espaço para uma entrada dentro da área, é jogado fora pela má formação dos atletas dentro de campo.

Palmeiras tem solução?

O Palmeiras tem toda a capacidade para resolver cada um desses tempos, nesses primeiros jogos da temporada, foi capaz de bater de frente com os principais times de São Paulo. O Santos deu uma cansada no Verdão na Vila Belmiro, mas saiu derrotado no embate, assim como o Corinthians sofreu bastante no Allianz, Parque, apesar de ter conquistado o empate com gosto de vitória.

Parece que quando é necessário, o time de Abel Ferreira sabe jogar o futebol, então tem chances de serem erros de início de campanha. Só o tempo dirá se o português está guardando seu grupo para os principais campeonatos, ou se trata de uma crise mesmo.

Foto: Ettore Chiereguini/AGIF