Com várias equipes escondendo o jogo na pré-temporada, é difícil apontar quem foi a “campeã” dos testes da Fórmula 1, mas a maior derrotada parece ter sido a Aston Martin. Para além dos tempos de volta fracos, a confiabilidade da unidade de potência da Honda se mostrou um problema emergente. Ainda assim, segundo o ex-projetista Gary Anderson, é possível juntar os cacos e se recuperar ao longo da temporada.
Nos testes, a Aston Martin foi o time que menos conseguiu andar dentre todo o grid. As falhas na unidade de potência japonesa voltaram a assombrar Fernando Alonso, com direito a uma quebra com somente uma hora corrida no penúltimo dia. O prejuízo não foi apenas no cronômetro, mas na limitação do programa previsto.
Para Anderson, que desenhou carros para Jaguar e Jordan — estrutura que deu origem ao atual time de Silverstone — na Fórmula 1 entre 1991 e 2003, a equipe irá se recuperar do baque e aprender. Os quatro segundos apontados pelo piloto Lance Stroll como distância do AMR26 para as rivais podem ser reduzidos quando a temporada começar.
Anderson otimista em volta por cima da Honda: ‘precisa apenas de um empurrão’

O engenheiro já teve contato com a montadora japonesa em sua última passagem pela Jordan e sustenta que, apesar dos contratempos, a Honda dispõe de recursos técnicos para solucionar as falhas e retomar competitividade no fornecimento de motores na Fórmula 1.
“Uma vez que a Honda reaja, não haverá outra fabricante de unidades de potência melhor ou mais rápido em tomar as providências necessárias. Só precisam desse ‘empurrão’ para começar a funcionar”, afirmou.
A leitura, contudo, contrasta com o cenário projetado para 2026 e soam mais como estado de negação a um cenário adverso do que como diagnóstico definitivo. A temporada pode representar o maior teste da Aston Martin desde seu retorno à categoria, em 2021.
A chegada de Adrian Newey — responsável pelos últimos carros campeões de Max Verstappen — representa um passo importante, mas com uma diferença fundamental: sua função na gestão. Na Aston Martin, o britânico também assumirá papel diretivo, o que amplia sua autoridade, mas consome parte do tempo que poderia ser dedicado exclusivamente ao desenvolvimento aerodinâmico.
Paralelo entre Aston Martin de 2026 e McLaren de 2015

Anderson comparou o momento atual da equipe britânica ao vivido pela McLaren no início da era híbrida. Neste ponto, o paralelo é bastante pertinente. Assim como ocorreu agora, o fornecimento da Honda foi planejado com antecedência, e desde 2013 já se sabia que a fabricante japonesa retornaria à equipe inglesa.
O investimento para 2015 foi elevado. Alonso e Jenson Button formavam uma das duplas mais bem remuneradas do grid. Faltou, porém, o principal: um equipamento competitivo. O salto esperado não se concretizou e a McLaren, na verdade, decaiu e terminou como penúltima força entre as equipes que pontuaram, superando apenas a Manor Marussia que estava prestes a falir.
Os problemas, não só de performance mas também de confiabilidade, começaram ainda na pré-temporada. Um acidente nos testes em Jerez, que levou Alonso ao hospital, permanece cercada por incógnitas e teorias conflitantes, incluindo a hipótese de descarga elétrica no cockpit.
A parceria entre Honda e Aston Martin foi anunciada há três anos, tempo maior que o levado no processo da McLaren-Honda e mais que suficiente para adaptação ao novo regulamento. O time também investiu nos bastidores e, além da contratação de Newey e de reforços no departamento técnico, construiu uma nova fábrica em Silverstone.
Agora, resta saber se o período de transição para 2026 terá sido tempo perdido ou se a Aston Martin será capaz de contornar a situação e, ao menos, retornar ao meio do pelotão. O primeiro teste de fogo será o GP da Austrália, daqui duas semanas, que abre a temporada.


