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Automobilismo Fórmula 1

Piastri critica nova era da Fórmula 1 e faz desabafo: “É uma maneira horrível de correr”

A temporada 2026 da Fórmula 1 voltou a levantar dúvidas sobre o impacto das novas unidades de potência no desempenho dos carros. Depois do fim de semana em Spa-Francorchamps, Oscar Piastri fez duras críticas ao atual regulamento e afirmou que, em alguns momentos, os grids de largada estão sendo definidos mais pelo comportamento dos computadores do que pela capacidade dos pilotos.

Para o australiano, essa situação prejudica a essência da categoria e faz com que fatores fora do controle dos competidores tenham um peso excessivo nos resultados.

As declarações vieram após um GP da Bélgica marcado por dificuldades relacionadas ao gerenciamento de energia, um dos maiores desafios dos novos motores. O problema, segundo Piastri e outros pilotos, vai além de um circuito específico e pode continuar influenciando a temporada.

Spa expôs as limitações das novas unidades de potência

Desde o início do fim de semana na Bélgica, ficou claro que Spa-Francorchamps seria um dos maiores testes para as novas unidades de potência da Fórmula 1. O circuito possui longas retas e curvas de alta velocidade, oferecendo poucas oportunidades para recuperar energia durante a volta.

Por causa dessas características, os pilotos precisaram utilizar apenas o motor a combustão durante praticamente todo o segundo setor do circuito. Nessa configuração, os carros entregavam cerca de 540 cavalos de potência, número inferior aos aproximadamente 620 cavalos produzidos pelos motores Mecachrome utilizados atualmente na Fórmula 2.

Além dessa limitação, outro fator chamou a atenção das equipes. O chefe da McLaren, Andrea Stella, explicou que as unidades de potência de 2026 contam com elementos de autoaprendizagem. Esses sistemas conseguem aprender volta após volta e até mesmo durante uma única volta para antecipar a melhor forma de gerenciar a energia disponível.

Segundo Stella, porém, o sistema é extremamente sensível. Pequenas diferenças na forma como o piloto conduz o carro podem provocar grandes alterações no restante da volta. Ao mesmo tempo, fatores completamente externos, como mudanças na aderência da pista e na direção do vento, também interferem diretamente no funcionamento do sistema.

Foi justamente isso que, de acordo com a McLaren, aconteceu com Oscar Piastri na classificação. Apesar de os dois carros utilizarem exatamente a mesma configuração, o australiano perdeu um tempo considerável para Lando Norris. Stella também afirmou que George Russell enfrentou uma situação semelhante, já que o piloto da Mercedes não conseguiu explicar por que perdeu tanto tempo nas retas em relação ao companheiro Kimi Antonelli.

Piastri critica falta de controle dos pilotos sobre o próprio desempenho

Depois da classificação, Piastri não escondeu sua frustração ao comentar a situação. Questionado sobre como é sentir que o próprio sistema de potência compromete o desempenho, o australiano foi direto. “É horrível. Não tem outra maneira de dizer…”

Para ele, o problema está longe de ser exclusivo da McLaren. O piloto acredita que diversos competidores passaram pela mesma situação ao longo da temporada e que os resultados da classificação têm sido influenciados por fatores que escapam completamente do controle dos pilotos.

Piastri citou George Russell como um dos pilotos que também sofreu com essas dificuldades durante o fim de semana belga e afirmou que conversou com outros competidores que relataram experiências semelhantes. Na avaliação do australiano, ver um grid de largada ser definido pelo comportamento dos computadores representa uma forma inadequada de competir. “Quando o grid de largada acaba sendo decidido por computadores que se comportam, ou deixam de se comportar, como deveriam, é uma maneira muito ruim de correr.”

Ele explicou que a sensação se torna ainda mais frustrante quando a análise da volta mostra que o desempenho nas curvas foi semelhante ao do companheiro de equipe, mas, mesmo assim, a diferença aparece apenas no fim da reta por causa do funcionamento da unidade de potência.

Lando Norris concorda e diz que o problema o prejudicou durante quase toda a temporada

Embora tenha levado vantagem sobre Piastri em Spa, Lando Norris fez questão de afirmar que também considera o sistema um problema. Segundo o atual campeão mundial, o piloto tem influência muito pequena sobre o resultado da classificação quando a unidade de potência passa a determinar boa parte do desempenho do carro.

Para Norris, existem momentos em que pequenos detalhes da pilotagem podem fazer diferença, mas o número de fatores que fogem do controle do piloto é excessivamente grande. “Na verdade, isso não tem praticamente nada a ver com você como piloto.” contou Norris.

O britânico afirmou que é frustrante perceber que o ritmo apresentado durante a classificação depende muito mais da reação da unidade de potência do que da capacidade de quem está ao volante. Segundo Norris, muitas vezes resta apenas torcer para que o sistema funcione corretamente e não apresente um comportamento inesperado.

Curiosamente, desta vez ele saiu beneficiado. Mesmo assim, revelou que passou praticamente toda a temporada enfrentando exatamente o problema contrário. Norris afirmou que o GP da Bélgica foi o primeiro fim de semana de 2026 em que realmente se sentiu competitivo nas retas. Até então, segundo ele, vinha sofrendo constantemente com limitações semelhantes às enfrentadas por Piastri na classificação em Spa.

O piloto também ressaltou que a situação vivida pelo companheiro de equipe não foi consequência de um erro de pilotagem, mas do comportamento da unidade de potência.

Mudanças previstas não devem resolver o problema imediatamente

Apesar das alterações planejadas para as unidades de potência, a expectativa dos pilotos é de que esse tipo de situação continue acontecendo por algum tempo. O equilíbrio entre o motor a combustão e a parte elétrica deverá mudar gradualmente para uma divisão de 60% e 40%. No entanto, Piastri acredita que essa modificação não resolverá o problema específico observado em Spa.

Segundo ele, a dificuldade está diretamente ligada à forma como os sistemas são calibrados e ao processo de aprendizagem incorporado às novas unidades de potência. Na visão do australiano, o desenvolvimento natural dos motores fará com que os fabricantes compreendam melhor esse funcionamento ao longo do tempo, reduzindo gradualmente esse tipo de comportamento.

Ainda assim, ele destacou que o problema não afeta apenas a McLaren ou a Mercedes. Pelas conversas que teve com outros pilotos, todas as fabricantes enfrentam dificuldades semelhantes.

Para Piastri, esse é justamente o ponto mais preocupante. Independentemente da equipe ou do fornecedor do motor, o fato de um sistema eletrônico ter tanta influência sobre o desempenho de uma volta rápida acaba tirando dos pilotos parte do controle que tradicionalmente sempre tiveram dentro da Fórmula 1.

Foto: (Fórmula 1)