Detroit Pistons
Basquete NBA

Pistons percebem que Cade Cunningham não é o suficiente e já pensam em mudanças

O Detroit Pistons teve uma temporada regular maravilhosa. Melhor campanha do Leste, 60 vitórias e aquela sensação de que finalmente a franquia havia voltado ao mapa da NBA depois de anos perdida em reconstruções infinitas e draft atrás de draft. Só que os playoffs chegaram trazendo a parte menos divertida do basquete: a realidade.

Detroit quase virou apenas o sétimo cabeça de chave número 1 da história a cair logo na primeira rodada para um oitavo colocado. Escapou graças à lesão de Franz Wagner pelo Orlando Magic, mas não conseguiu sobreviver por muito tempo. Depois de abrir 2 a 0 contra o Cleveland Cavaliers, os Pistons desmoronaram e foram eliminados em um atropelo no Jogo 7.

O problema nem foi a eliminação em si. O problema foi como ela aconteceu. Porque os playoffs deixaram escancaradas falhas ofensivas que Detroit vinha ignorando durante toda a temporada.

Cade Cunningham carregou um piano nas costas

Se alguém ainda tinha dúvida sobre o nível de Cade Cunningham, essa pós-temporada basicamente eliminou qualquer discussão. O armador fez absolutamente tudo pelos Pistons.

Pontuou, criou jogadas, controlou ritmo, chamou responsabilidade e ainda precisou gastar energia defensiva marcando nomes como Donovan Mitchell e James Harden em vários momentos. O problema? Ele estava sozinho demais.

Até o Jogo 6 da série contra Cleveland, apenas Joel Embiid e Jaylen Brown tinham usage rate maior nos playoffs. Só que existe um detalhe importante: Cunningham fazia isso jogando mais de 41 minutos por partida e sendo disparado o principal criador ofensivo da equipe.

Quando Cade saía de quadra, o ataque simplesmente entrava em colapso.

Detroit até teve alguns momentos heroicos de Tobias Harris, que viveu uma sequência digna de “Carmelo Anthony versão aluguel de temporada”. Durante alguns jogos, parecia impossível errar um arremesso. Só que todo mundo sabia que aquilo não iria durar para sempre. E não durou.

Quando Tobias voltou ao normal, os Pistons ficaram sem segunda opção ofensiva confiável. O ataque desacelerou completamente nos finais apertados, Cleveland começou a dobrar marcação em Cade com ainda mais agressividade e Detroit simplesmente não tinha resposta.

A sensação foi clara: os Pistons chegaram cedo demais ao topo sem terminar a montagem do elenco.

Detroit Pistons ainda joga como se estivesse em 2004

Existe uma coisa curiosa sobre os Pistons: parece que a franquia nunca saiu totalmente da era Bad Boys. Historicamente, Detroit sempre construiu equipes baseadas em defesa física, intensidade, rebotes e sofrimento coletivo. Funciona muito bem na temporada regular. O problema é que a NBA atual exige mais do que isso.

Você precisa pontuar.

Nos playoffs, especialmente, o jogo desacelera e vira uma batalha de meia quadra. E Detroit mostrou enormes limitações nesse cenário, muito por conta de os jogadores que precisavam ter consistência, não foram capazes de entregar para ajudar Cade. A equipe terminou a temporada com uma das menores taxas de arremessos de três da NBA, algo quase inacreditável para um contender em 2026.

O presidente de operações Trajan Langdon até tentou melhorar minimamente o espaçamento trazendo nomes como Duncan Robinson e Caris LeVert, mas ficou claro que isso não era suficiente.

A trade deadline virou um ponto especialmente criticado após a eliminação. Enquanto outras equipes agressivamente buscavam peças ofensivas, Detroit preferiu preservar ativos de draft.

Hoje, olhando para trás, parece uma oportunidade desperdiçada. Jogadores como Michael Porter Jr., Coby White ou Ayo Dosunmu poderiam ter ajudado muito justamente nos pontos em que os Pistons mais sofreram: criação secundária e arremesso. Inclusive, já se fala um pouco sobre Lauri Markkanen, Utah Jazz e Trey Murphy, New Orlenas Pelicans, como peças para auxiliar a principal estrela do Detroit Pistons.

O caso Jalen Duren ficou muito mais complicado

Mas nenhuma questão da offseason parece tão delicada quanto a envolvendo Jalen Duren.

Antes dos playoffs, o pivô parecia uma peça praticamente intocável. Jovem, dominante fisicamente, All-NBA em ascensão e dono de um impacto absurdo perto da cesta. Só que a pós-temporada bagunçou completamente essa visão.

Duren desapareceu. Sua média de pontuação despencou, o aproveitamento caiu muito e ele teve dificuldades até em finalizações simples perto do aro. Defensivamente, também sofreu bastante em questões de posicionamento e leitura.

Mas o maior problema talvez tenha sido outro: o encaixe ofensivo com Ausar Thompson. Os números são extremamente preocupantes. Com os dois juntos em quadra, o ataque de meia quadra dos Pistons foi pior do que o do Brooklyn Nets, a pior equipe ofensiva da temporada regular nesse quesito.

E faz sentido quando você observa o jogo.

Nenhum dos dois é arremessador confiável. Resultado? As defesas simplesmente lotaram o garrafão. Orlando fez isso usando Jalen Suggs praticamente como um defensor livre. Cleveland repetiu a estratégia deixando Evan Mobley plantado próximo da cesta.

O espaço desapareceu completamente. Sem corredor para infiltração e sem espaço para suas jogadas próximas ao aro, Duren ficou perdido ofensivamente. Sua confiança claramente diminuiu ao longo da série. E agora chega a parte mais perigosa da história.

Os Pistons têm uma decisão que pode definir o futuro da franquia

Jalen Duren será agente livre restrito. E por causa de sua temporada regular, ainda existe uma possibilidade real de receber uma oferta gigantesca no mercado. Antes dos playoffs, Detroit provavelmente pagaria sem pensar duas vezes.

Agora? A conversa mudou bastante. Porque os Pistons precisam responder uma pergunta extremamente difícil: vale investir dinheiro máximo em um pivô que talvez complique o encaixe ofensivo do principal jogador da franquia?

Ao mesmo tempo, deixar um All-NBA de apenas 22 anos sair praticamente de graça também parece um desastre.

Existe até a possibilidade de Detroit escolher outro caminho: trocar Ausar Thompson para buscar uma segunda estrela ofensiva ao lado de Cade Cunningham. Mas isso também traz riscos enormes, porque Thompson já se tornou uma peça transformadora defensivamente.

Ele é basicamente o coração da identidade defensiva dos Pistons. Ou seja: qualquer escolha parece perigosa.

Detroit precisa finalmente entrar na NBA moderna

No fim das contas, os playoffs deixaram uma mensagem extremamente clara para os Pistons: defesa ainda ganha jogos, mas ataque ganha títulos.

A franquia encontrou um verdadeiro franchise player em Cade Cunningham. Isso já é enorme. Muita equipe passa décadas procurando alguém desse nível.

Só que agora vem a parte mais difícil: montar um elenco moderno ao redor dele. Detroit não pode continuar presa à nostalgia dos Pistons de 2004, tentando vencer apenas na base de defesa sufocante, rebotes e intensidade física. A NBA mudou completamente.

Os melhores times da liga hoje conseguem defender em alto nível sem sacrificar espaçamento, criação e volume ofensivo. Os Pistons ainda não chegaram lá. E depois dessa eliminação dolorosa, talvez tenham finalmente entendido isso da pior maneira possível.