Nesta segunda-feria (15), Polina Kudermetova se tornou mais uma tenista russa a mudar de nacionalidade. Com 22 anos e atual n.º 104 do ranking da WTA, a atleta jogará sob a bandeira do Uzbequistão. Esse tem sido um movimento comum entre as jogadoras da Rússia e, só neste fim de ano, Polina se tornou a quarta.
Recentemente, Anastasia Potapova informou que irá competir pela Áustria. Já Maria Timofeeva e Kamila Rakhimova também escolheram o Uzbequistão. Mas isso não é só de agora. Nos últimos anos, em especial depois do banimento da Rússia do esporte, muitas tenistas escolheram por mudar suas nacionalidades.
Alguns exemplos são: Elena Rybakina e Yulia Putintseva, ambas foram para o Cazaquistão; Elina Avanesian, Armênia; Daria Saville e Daria Kasatkina defendem a Austrália; e Varvara Gracheva escolheu pela França. A última troca de nacionalidade havia sido de Potapova, o que gerou uma resposta de Shamil Tarpischev:
“Não posso dizer nada sobre Potapova. Para nós, se isso não é uma surpresa completa, então é uma surpresa que ela tenha feito isso. Ela morou na Áustria por dois anos. Só posso presumir que ela quer participar das Olimpíadas. Ela não entra na nossa equipe com base no ranking. Ela ficava reclamando de problemas com o visto. Isso atrapalha nosso ritmo. Coisas puramente banais.”
Sobre possíveis saídas de Mirra Andreeva e Daina Shnaider, duas top 10 do ranking mundial, Tarpischev afirmou: “Não. Nem ela (Mirra), nem Diana (Shnaider). Imagine, tenho 1.070 tenistas jogando no exterior. São como soldados! E mantemos 350 em nossas seleções nacionais. O resto segue por conta própria.”

Por que Polina Kudermetova e outras fazem a troca?
Apesar da troca estar se tornando mais comum entre as tenistas russas, também acontece entre os homens. Alexander Bublik é um exemplo da mudança na ATP, jogando pelo Cazaquistão. Trocas de nacionalidade não são exatamente algo novo no mundo do esporte. No vôlei mundial, por exemplo, isso também acontece com certa frequência.
No entanto, esse movimento está acontecendo cada vez mais no tênis, principalmente entre as tenistas russas. Rybakina fez a mudança ainda em 2018, quando ainda não havia o mais recente banimento do esporte russo, que só veio em 2022. Na época, afirmou que precisava do apoio que a Federação Cazaque poderia oferecer.
Já para as mudanças dos últimos anos, mesmo quando não falado de forma explícita, o motivo parece ser o banimento da Rússia. Daria Kasatkina é uma atleta, por exemplo, que sempre se pronunciou contra a invasão russa na Ucrânia, iniciada em 2022. Além disso, é abertamente lésbica e o país não amigável à comunidade LGBTQIA+.
Para outros, o motivo é algo completamente diferente: a vontade de jogar as Olimpíadas. No maior evento esportivo do mundo, os atletas russos disputam sob bandeira neutra. Ou seja, hino e símbolos russos não são mostrados. Mas não é só esse fator que envolve os Jogos Olímpicos.
São poucas vagas e aqueles que não possuem ranking alto tem menos chances de participarem do evento. Uma oportunidade para isso é defender um país que irá apoiar e financiar a ida. Só que, assim como a questão política, não é algo que é deixado claro pelos próprios atletas. Polina Kudermetova, por exemplo, não explicou o motivo de sua decisão.
A debandada de russas nesse fim de ano pode envolver diversos fatores: políticos, financeiros ou apenas esportivos. Mas o banimento da Rússia é, para alguns, uma razão para a troca. E quanto mais se arrasta, mais trocas de nacionalidades devem acontecer.

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