Jeremy Jacquet ainda nem vestiu a camisa do Chelsea, mas já chega a Stamford Bridge carregando um pacote interessantíssimo: talento, expectativa, pressão… e um problema pouco comentado. O clube londrino está muito perto de fechar sua primeira contratação da janela de janeiro com a chegada do zagueiro francês vindo do Rennes, em uma negociação que gira em torno de €65 milhões. Muito dinheiro, pouca idade e uma aposta clara no futuro, simplesmente com todas as credencias desta nova realidade dos Blues.
No papel, o movimento segue o roteiro clássico do Chelsea nos últimos mercados. Jogador jovem, margem enorme de evolução e uma quantia que faz qualquer torcedor precisar conferir se não leu errado. Jacquet tem apenas 20 anos e só uma temporada completa em alto nível no currículo. Ainda assim, chega como se fosse um zagueiro pronto para dominar a Premier League.
E é justamente aí que começa o debate, porque até certo ponto, tudo são as mil maravilhas.
Muito potencial, pouca estrada
Jeremy Jacquet é visto na França como um defensor moderno. Boa saída de bola, físico interessante, leitura de jogo acima da média para a idade, basicamente o que todos os profissionais desta nova leva que pouco ficam em seus primeiros clubes, possuem. Não à toa, o Chelsea decidiu atravessar o Canal da Mancha com um caminhão de dinheiro para garantir o negócio.
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Mas há um detalhe que chama atenção: segundo o FootballTransfers, o zagueiro tem um valor de mercado de apenas €17,8 milhões. Ou seja, o Chelsea está disposto a pagar quase quatro vezes mais do que o preço estimado de mercado, pode-se dizer que alguém está muito interessado nesta contratação…
Isso não significa que Jacquet não valha o investimento a longo prazo. Significa apenas que o clube está pagando, sobretudo, por projeção, não por entrega comprovada. E isso, em um Chelsea que já acumula apostas caríssimas em jovens, aumenta naturalmente a lupa sobre cada detalhe do jogador.
A lesão que passa despercebida (mas não deveria)
Enquanto a discussão gira em torno do preço, um ponto importante ficou em segundo plano: a condição física de Jacquet. O zagueiro atua desde o início da temporada com um problema no adutor. Não é uma lesão grave a ponto de tirá-lo dos jogos, ele atuou sempre que esteve disponível na Ligue 1, mas é um incômodo constante, ainda mais por não estar tratando essa situação, o que pode contar com um agravamento.
A situação chegou a limitar seus minutos na Copa da França e também reduziu a carga de treinos em determinados períodos. Em dezembro, o técnico do Rennes, Habib Beye, explicou com franqueza sobre a situação de Jacquet.
“Jeremy tem o mesmo problema desde o início da temporada e está jogando com isso. Estamos aliviando algumas responsabilidades. Enquanto o limite de dor não for alto demais, vamos gerenciando.”
Não é exatamente o tipo de declaração que tranquiliza um clube prestes a investir €65 milhões. Ainda que, após a pausa de inverno, o próprio Beye tenha afirmado que o jogador está “em ótima forma”, o histórico recente exige atenção redobrada. Do que adiantaria colocar tanto dinheiro na mesa, pro profissional ser reprovado nos exames médicos?
No Chelsea, onde o departamento médico já virou personagem recorrente da temporada, a avaliação clínica será decisiva.
“Passe displicente”? Segundo Jacquet, é personalidade
Se fisicamente o sinal de alerta está aceso, tecnicamente Jacquet também admite que ainda há ajustes a serem feitos, especialmente no aspecto mental, estamos falando de um jovem, um talento que ainda não viveu muito do mundo do esporte. Em entrevista ao Ouest France, o próprio jogador falou sobre uma crítica recorrente:
“Vejo pessoas dizendo que sou displicente nos passes, mas isso é da minha personalidade. Quando tenho a bola, sou mais relaxado.”
A frase resume bem o dilema. Na Ligue 1, esse estilo mais tranquilo pode até funcionar. Na Premier League, com atacantes pressionando a cada segundo, relaxamento vira erro em dois toques, diante das fortes pressões nas saídas de bola, ou dará muito certo para o francês, ou serão erros multíplos em suas costas.
Jacquet reconhece isso e diz que precisa manter o nível de concentração alto durante os 90 minutos, em todos os duelos. E esse talvez seja o maior desafio da sua adaptação ao futebol inglês.
O que o Chelsea está comprando, afinal?
Para Habib Beye, a evolução do zagueiro é clara. O treinador destaca que Jacquet deu um salto importante nesta temporada, especialmente no entendimento da posição.
“Ele entendeu que não se trata apenas do que faz com a bola, mas de ser duro e impactante quando o time está sob pressão.”
Beye também revelou que precisou alertar o jogador sobre excesso de confiança no início do trabalho. Hoje, segundo ele, Jacquet está mais agressivo, mais atento e mais preparado para duelos físicos, algo indispensável na Premier League.
Ou seja, o Chelsea está comprando um projeto de zagueiro de elite, não um produto acabado. Dá para colocar na mesma prateleira da movimentação do Manchester United por Leny Yoro. Existe uma enorme expectativa pelo diamante, mas ele ainda precisa ser lapidado.
Pressão imediata em um ambiente nada paciente
O problema é que o Chelsea não é exatamente um ambiente paciente. Mesmo com discurso de longo prazo, o clube cobra resultados semanais. Cada erro vira compilado no X, cada passe errado vira meme, cada falha defensiva vira debate de programa esportivo. Não é um time qualquer, o assunto é um time da capital da Inglaterra, um representante do Big Six.
Jacquet chega jovem, caro e com expectativa alta. Se o desempenho não acompanhar o investimento desde cedo, a curva de aprendizado tende a ficar ainda mais íngreme. Abrindo espaço para empréstimos, assim como ocorreu com Andrey Santos junto ao Strasbourg. A questão é que, Estêvão chegou e conseguiu se adaptar ao alto nível, não é titular, mas não se fala sobre empréstimos.
Vai que o mesmo acontece com o defensor? Ele é, sem dúvida, um jogador em ascensão. Mas no Chelsea, subir rápido demais também pode significar tropeçar.
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