Se realizar uma lista dos favoritos para a Copa do Mundo, pode ser provável que Portugal não apareça. Mesmo com a presença de Cristiano Ronaldo e a busca pelo inédito título do torneio, a seleção está passando despercebida.
Ao longo de sua história, a seleção já disputou edições da Copa do Mundo recheadas de expectativas, porém, em grande parte, essas expectativas não foram correspondidas. Em apenas duas ocasiões, a seleção alcançou as semifinais: a primeira ocorreu com o terceiro lugar de 1966 e a segunda, em 2004, com o quarto lugar.
O treinador Roberto Martínez entende que a equipe tenha passado por um processo de amadurecimento desde a eliminação para Marrocos, nas quartas de final da Copa do Mundo de 2022. Para ele, Portugal está bem mais preparado para lidar com as seleções mais fortes. Todavia, a campanha na Euro de 2024 contraria a afirmação, uma vez que foi eliminada pela França nas quartas de final.
Em um elenco com grandes jogadores, com possibilidades de conquistar o campeonato, a história sugere que algo permanecerá no caminho. Será que desta vez Portugal conseguirá ser campeã? Confira quatro principais temas da seleção portuguesa antes de começar a jogar a Copa do Mundo de 2026.
A Última Copa de Cristiano Ronaldo

Com o término de Marrocos 1 x 0 Portugal pelas quartas de final da Copa de 2022, as câmeras flagraram um cabisbaixo Cristiano Ronaldo. O craque português descia as escadas para o vestiário do Estádio Al Thumama, na capital Doha, com o sentimento de que não teria como alcançar o sonhado objetivo.
A situação de Cristiano piorou quando o técnico Fernando Santos escolheu Gonçalo Ramos para começar como titular no início das eliminatórias. Conforme o passar dos meses, o maior artilheiro da história da seleção reconquistou o seu lugar, vencendo a Nations League de 2024/25, como protagonista.
A recuperação de Cristiano o coloca novamente como evidência para Portugal nesta Copa do Mundo. Ainda que haja evidências sobre melhor funcionamento da equipe sem a presença do português, Martínez confia na qualidade do centroavante como fundamental para a construção do time. Em fevereiro de 2026, ele marcou 25 gols nas últimas 30 partidas por Portugal, porém, apenas quatro foram anotados contra seleções classificadas entre as 30 melhores do ranking da FIFA.
Ao contrário de Copas anteriores, Portugal chega para o mundial como um elenco superior em diversas posições, mostrando que o coletivo não depende mais de Cristiano Ronaldo. Porém, trata-se de um jogador destinado a vencer obstáculos e ele deseja derrotar este, que é o último, mas o mais importante de sua carreira.
Roberto Martínez está com o cargo em risco
Roberto Martínez não vive os melhores momentos sob o comando de Portugal. Certamente existe uma pressão para que ele apresente resultados positivos nesta Copa do Mundo.
As críticas também giram em torno do desempenho de Martínez nos mundiais. Com duas Copas como técnico, Roberto não conseguiu alcançar títulos com a “Geração de Ouro” da Bélgica e teve um trabalho contestado na seleção de Portugal, ainda que tenha conquistado a Nations League.
O contrato encerra com o término da Copa do Mundo e há um sentimento de que Portugal pode continuar em frente, independentemente do que aconteça. Caso a seleção realize uma decepcionante campanha, ele deixará o cargo. Todavia, existe outra hipótese de que ganhe a Copa do Mundo e se aposente em grande estilo.
O parceiro de Rúben Dias
Antes da estreia de Portugal contra o Congo nesta terça-feira, Roberto Martínez ainda definiu a escalação titular completa. Dentre as dúvidas, uma é sobre quem decidirá formar dupla com Rúben Dias.
O treinador tem duas opções: Gonçalo Inácio e Renato Veiga. Gonçalo é um jogador conhecido pela excelente qualidade de passes, mas que apresenta falhas defensivas.
Já Veiga foi elogiado por Martínez, destacando a “grande personalidade” do zagueiro canhoto. Com o desenrolar do torneio, poderá desempenhar a posição na América do Norte.
A retribuição coletiva por Diogo Jota
A trágica perda de Diogo Jota, vítima de um acidente de carro, abalou o ambiente da seleção portuguesa. No entanto, com o passar do tempo, trouxe o sentimento coletivo de conseguir glórias, que orgulhariam o eterno colega.
Trata-se de um pensamento que transcende a camisa. Dias antes da Copa do Mundo, o escocês Andy Robertson comentou que está jogando por si e por Diogo, companheiro de equipe do Liverpool. Já o técnico Roberto Martínez incluiu um atleta extra na lista dos 26 convocados para a edição, afirmando que o elenco continua honrando o espírito do compatriota.
“É uma responsabilidade lutar pelo sonho de Diogo. Ele [Jota] é a nossa força e a nossa alegria. O seu espírito, a sua força e o seu exemplo são a força motriz e sempre serão”, falou o comandante espanhol.
Caso Portugal avance no grupo como imaginado, disputará a fase de 16avos de final, em Kansas City, no dia 03 de julho. Data que completa um ano da traumática perda de Diogo Jota.
Créditos da imagem da capa: Carlos Costa/AFP