Cristiano Ronaldo Portugal
Futebol

Nos pênaltis, Portugal vence Espanha e conquista a Liga das Nações

Em uma final épica disputada na Allianz Arena, em Munique, a seleção de Portugal venceu a Espanha nos pênaltis por 5 a 3, após empate por 2 a 2 no tempo regulamentar e na prorrogação, e se tornou a primeira seleção bicampeã da Liga das Nações da UEFA. Com o título, os portugueses ultrapassam França e Espanha, ambas com uma conquista, e se consolidam como a principal força da competição.

O jogo

A decisão começou em ritmo acelerado, com as duas seleções buscando o ataque desde o apito inicial. Logo aos cinco minutos, Portugal teve sua primeira chance real. Após cobrança de falta para a área, Bernardo Silva ajeitou para João Neves, que bateu de primeira, assustando o goleiro Unai Simón ao mandar a bola rente à trave esquerda.

A Espanha respondeu aos 14 minutos em uma jogada construída em velocidade. Nico Williams escapou pela esquerda e cruzou rasteiro para a chegada de Pedri, que finalizou desequilibrado e mandou para fora. Aos 16, Williams voltou a incomodar, desta vez com um chute direto que passou perto do travessão.

O primeiro gol do jogo saiu aos 20 minutos, em uma jogada confusa na área portuguesa. Lamine Yamal cruzou da direita, Ruben Dias cortou mal, e João Neves, ao tentar afastar, acabou deixando a bola nos pés de Zubimendi. O meio-campista espanhol não desperdiçou e abriu o placar.

A vantagem, no entanto, durou pouco. Aos 25 minutos, Pedro Neto achou Nuno Mendes na entrada da área. O lateral arrancou em velocidade, invadiu a área e finalizou forte, rasteiro, no canto direito de Unai Simón. O gol foi validado após checagem do VAR, que confirmou posição legal.

No fim do primeiro tempo, aos 44 minutos, a Espanha voltou a liderar. Após roubo de bola no meio, Pedri conduziu e serviu Oyarzabal, que entrou na área e chutou cruzado, vencendo Diogo Costa e fazendo 2 a 1 para a Roja.

Portugal voltou do intervalo disposto a empatar. Aos três minutos, Bruno Fernandes balançou as redes após boa jogada com Pedro Neto, mas o gol foi corretamente anulado por impedimento na origem da jogada.

Aos 15 minutos, brilhou a estrela de Cristiano Ronaldo. Nuno Mendes avançou pela esquerda e cruzou rasteiro. A bola desviou em Le Normand, subiu e caiu na segunda trave, onde o camisa 7 apareceu livre para empurrar para o gol e empatar novamente: 2 a 2.

A Espanha tentou responder com Isco, que arriscou de fora da área aos 37 minutos, mas parou em boa defesa de Diogo Costa. O placar permaneceu empatado até o apito final, levando a decisão para a prorrogação.

Na prorrogação, Portugal começou mais presente no ataque. Rafael Leão criou boa jogada aos quatro minutos do primeiro tempo extra, cruzando para Semedo, que finalizou mal. No segundo tempo, Pedro Porro quase surpreendeu Diogo Costa com um chute de longa distância, tentando cobertura do meio-campo.

Já nos acréscimos, Diogo Jota teve a última boa chance, mas cabeceou para fora. Com o empate mantido, a final foi decidida nos pênaltis.

A série de cobranças começou com Gonçalo Ramos, que converteu para Portugal. Merino respondeu para a Espanha. Vitinha e Baena também marcaram. Bruno Fernandes e Isco mantiveram a igualdade até a quarta cobrança. Nuno Mendes marcou para os lusos, mas Morata parou em Diogo Costa, que defendeu a cobrança decisiva. Coube a Ruben Neves fechar a série com perfeição, selando o título de Portugal por 5 a 3.

Portugal mostra maturidade, Espanha repete velhos erros

A final da Liga das Nações mostrou duas seleções em estágios diferentes de amadurecimento. Portugal, sob comando de Roberto Martínez, apresentou um time equilibrado, capaz de reagir com rapidez às desvantagens no placar. A equipe demonstrou personalidade, experiência e controle emocional — fatores que fizeram a diferença nos pênaltis.

O destaque vai para Nuno Mendes, que participou diretamente dos dois gols e foi uma válvula de escape constante pela esquerda. Cristiano Ronaldo, aos 39 anos, voltou a ser decisivo em momentos-chave, marcando o gol do empate e reforçando seu papel como referência em finais. Outro ponto alto foi Diogo Costa, seguro durante toda a partida e decisivo na cobrança de Morata.

Do lado espanhol, o início promissor esbarrou nos mesmos problemas que têm perseguido a Roja nas últimas competições: instabilidade defensiva, dificuldades para sustentar o ritmo e falhas em momentos cruciais. A equipe de Luis de la Fuente criou boas chances, teve o controle em parte do jogo, mas cedeu espaços e sofreu gols evitáveis.

A Espanha mostrou talento em nomes como Yamal e Pedri, e competência no meio-campo com Zubimendi, mas falhou no aspecto mental. Perder mais uma final nos pênaltis, após ter liderado duas vezes no tempo normal, reabre a discussão sobre maturidade e capacidade de decisão do grupo.

Portugal, por outro lado, colhe os frutos de uma renovação bem gerida, onde jovens como João Neves, Vitinha e Rafael Leão convivem com veteranos como Bruno Fernandes, Ruben Neves e Cristiano Ronaldo. O bicampeonato da Liga das Nações é simbólico: mais do que um troféu, é a consolidação de uma seleção que se recusa a sair do topo do futebol europeu.

(Foto: Alexandra Baier/AFP)