As premiações da Premier League tradicionalmente premiam os jogadores que fizeram uma grande temporada e que também já são conhecidos mundialmente por suas performances. Nomes como Bruno Fernandes, Declan Rice e Erling Haaland dominam as manchetes e duelam pelo cobiçado prêmio de Jogador do Ano. Apesar disso, por trás do glamour da elite, existe um grupo de atletas cujo trabalho silencioso e operário sustenta suas equipes. Seja por atuarem em funções menos vistosas, por defenderem clubes da metade inferior da tabela ou por carregarem o peso injusto de altas cifras de transferência, esses jogadores acabam ignorados pelo grande público.
Para fazer justiça a esses jogadores, o FootballTransfers utilizou análise de dados e montou a seleção dos jogadores mais subestimados da Premier League na temporada 2025/26. Como critério, somente participaram atletas com no mínimo 900 minutos jogados na Premier League.
A linha defensiva da Premier League
Goleiro: Matz Sels (Nottingham Forest)
Muitos dizem que Matz Sels caiu de rendimento em relação à temporada anterior, porém os números dizem o contrário. Com uma sólida taxa de defesas de 72,4%, ele é o terceiro melhor da Premier League no quesito, atrás apenas de Gianluigi Donnarumma e Karl Darlow. Sels garante a vaga nesta seleção por sua consistência e pela alta porcentagem de jogos sem sofrer gols.
Lateral-direito: James Justin (Leeds United)
Recém-chegado do Leicester City, James Justin virou peça essencial no sistema defensivo de Daniel Farke. Atuando na lateral direita, o inglês lidera diversas métricas computadas pela SciSports, destacando-se no posicionamento, nos desarmes em jogadas de linha de fundo e, principalmente, na proteção defensiva em lances de bola parada.
Zagueiro: Marcos Senesi (Bournemouth)
Para a surpresa dos torcedores do Arsenal, o zagueiro mais bem avaliado da temporada por análise de dados não é Saliba ou Gabriel Magalhães, mas sim o argentino Marcos Senesi. Pilar da histórica campanha do Bournemouth, o defensor de 29 anos permanece fora do radar do grande público, apesar de o Liverpool estar se movimentando para contratá-lo a custo zero na próxima janela de transferências.
Zagueiro: Ladislav Krejci (Wolverhampton)
O Wolverhampton enfrentou sérios problemas defensivos, sofrendo um total de 67 gols na temporada. Ainda assim, Krejci, contratado junto ao Girona, jogou em nível digno de elite. Os analistas o colocam no mesmo patamar de Senesi, uma vez que o tcheco figura no terço superior de todas as seis principais métricas defensivas da liga, resistindo ao caos e à péssima temporada de sua equipe.
Lateral-esquerdo: Patrick Dorgu (Manchester United)
Dorgu viveu uma temporada de transição sob os comandos de Ruben Amorim e Michael Carrick, flertando com o meio-campo. Porém, os dados mostram que foi como lateral-esquerdo/ala que o jovem de 21 anos atingiu seus melhores números. Passes verticais, cruzamentos precisos e posicionamento no ataque superam quase todos os concorrentes da posição na liga.
O meio-campo do futebol inglês
Volante: Alex Iwobi (Fulham)
Iwobi reinventou sua carreira nesta temporada. Deixando as pontas para atuar como um volante box-to-box, o nigeriano apresentou resistência física e velocidade. A análise de dados aponta que seu posicionamento ofensivo é o melhor entre todos os volantes da Premier League, com uma de suas principais características sendo a qualidade de drible herdada dos tempos de ponta.
Volante: Ryan Christie (Bournemouth)
O Bournemouth fez uma temporada fantástica e, mesmo que Ryan Christie não seja tão reconhecido, sem o seu papel, a temporada dos Cherries não teria sido tão boa. O escocês é o verdadeiro jogador operário da equipe. Ele se destaca justamente no chamado “trabalho sujo”, sobressaindo em situações de desequilíbrio defensivo e sendo um dos melhores na transição e no controle de contra-ataques adversários.
Meio-campo ofensivo: Florian Wirtz (Liverpool)
Wirtz foi rotulado precocemente como um fracasso pela exigente torcida de Anfield após sua transferência do Bayer Leverkusen. Wirtz é o caso mais emblemático de injustiça midiática. De acordo com os dados, o alemão foi, estatisticamente, o melhor meio-campista ofensivo da Premier League. Ele lidera isoladamente os passes para criação de chances e assistências esperadas, além de ter o drible mais eficiente da posição. Em passes decisivos, fica atrás apenas de Bruno Fernandes e Cole Palmer.
Atacantes
Ponta: Samuel Chukwueze (Fulham)
Com três gols e quatro assistências, o impacto de Chukwueze parece tímido, mas seu valor real reside na fase defensiva. Sob a orientação de Marco Silva, o ponta nigeriano ficou excelente na recuperação de posse e no combate ao contra-ataque.
Ponta: Jack Grealish (Everton)
Para a tristeza dos torcedores do Everton, Jack Grealish sofreu uma lesão que o retirou dos gramados em janeiro. Mesmo que o jogador não tenha efetuado dribles espetaculares pelo Everton, ele foi importante na contribuição sem bola.
Centroavante: Nick Woltemade (Newcastle)
Substituir Alexander Isak, que deixou a equipe para assinar com o Liverpool, no comando do ataque do Newcastle era uma missão ingrata, e Woltemade sofreu críticas por perder a titularidade no time de Eddie Howe após ter dificuldades para marcar gols. Apesar da fase recente, o atacante marcou quatro vezes em suas cinco primeiras partidas no clube, além de o jovem alemão terminar a temporada como o melhor finalizador em curta distância da Premier League.
Créditos da foto de capa: Simon Galloway/PA