O valor médio de uma contratação de alto nível na Premier League aumentou exponencialmente. Isto porque jogadores que custam mais de £ 100 milhões não são mais uma exceção e estão se tornando cada vez mais comuns na Premier League.
Esta tendência iniciou-se com a venda do meia-atacante Jack Grealish do Aston Villa para o Manchester City em 2021 pelo valor de £ 100 milhões. Com isto, estas transferências ganharam força, estabelecendo um novo padrão para o talento do calibre da Premier League, que continua a quebrar recordes.
A partir desta venda, as vendas subiram muito além da inflação geral do mercado de transferências. A consequência deste aumento foi o aumento do preço médio dos jogadores de elite na década passada. Este crescimento tornou-se particularmente nítido nos últimos três anos. Entre 2016 e 2023, os valores médios mantiveram-se parcialmente estáveis, podendo apresentar flutuações, porém, sem a disparidade atual. Em relação ao caso Grealish, a ideia de um investimento superior a £ 100 milhões ficou mais habitual.
O começo da forte ascensão das caras transferências
A venda do polêmico jogador inglês, somada à transferência do belga Romelu Lukaku de £ 97,5 milhões no mesmo para o Chelsea, pode representar um marco claro na grande ascensão do mercado de luxo. Essas transferências abriram passagem para negociações subsequentes na casa dos nove dígitos, envolvendo Enzo Fernández e Moisés Caicedo para os Blues, bem como Declan Rice para o Arsenal, realizadas em 2023.
Esses acordos se reforçam de parte a parte, ficando ainda mais possíveis, pois os clubes da Premier League detêm maior riqueza e, consequentemente, mais recursos do que os rivais. O dinheiro obtido decorre também das receitas de transmissão, patrocínios e comerciais, que superam disparadamente as de boa parte das demais ligas europeias.
Ainda que os times da Premier League do meio da tabela costumam gerar mais receitas do que os clubes da Champions League, elevando o poder de compra, mas também fortificando as posições de negociação. A maioria das equipes da competição inglesa não está sob pressão para vender seus principais jogadores com o objetivo de equilibrar as contas.
A ideia de que os chamados ‘seis grandes’ podem forçar a venda de clubes menores é menos aplicável em uma era de proprietários com grande poder aquisitivo e maiores ganhos financeiros. A concepção desse poder de negociação também tem sido utilizada para aumentar os preços entre os times concorrentes.
Em 2025, o Liverpool contratou Florian Wirtz (£ 116,5 milhões) e Alexander Isak (£ 125 milhões), enquanto na janela de transferências atual foram investidas quantias volumosas em Elliot Anderson (£ 116 milhões), Sandro Tonali (£ 100 milhões) e Morgan Rogers (£ 117 milhões).
Essas alterações fizeram com que as médias dos imóveis de luxo aumentassem, passando de £36,6 milhões entre 2024-25 para £70,5 milhões em 2026. Em resumo, a compra de Anthony Gordon pelo Barcelona junto ao Newcastle por £70 milhões de libras está completamente em sintonia com a direção atual para um atleta de ponta no mercado.
A meta de £ 100 milhões deve permanecer?
Mesmo que haja critérios a serem estabelecidos, a tendência é que continue nos próximos anos. A métrica mais evidente é que um jogador com experiência comprovada na Premier League, sendo que Wirtz e Fernández são exceções a esta regra. A idade ideal (entre 24 e 26 anos) também é uma consideração crucial.
O francês Paul Pogba foi contratado pelo Manchester United pela bagatela de £93,25 milhões em 2016. No entanto, esta transferência foi vista como uma completa anomalia na época. A Premier League agora possui uma lista crescente de negócios milionários, ainda que tenha as regras de gastos atreladas à receita. Os clubes com recursos enormes têm liberdade para investir de maneira pesada.
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