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Premier League entra na reta final com disputa quente pelo título, vagas europeias e fuga do rebaixamento

A temporada da Premier League entra oficialmente no momento em que ninguém pisca ou vai no banheiro: a reta final. Com menos de dez rodadas restantes, cada ponto começa a valer ouro, seja na briga pelo título, nas vagas para a UEFA Champions League ou na dramática luta contra o rebaixamento.

O cenário atual mistura pressão, matemática e um bom nível de imprevisibilidade. Em outras palavras: o tipo de final de campeonato que faz o torcedor olhar tabela, calendário e até saldo de gols antes de dormir.

Arsenal tenta manter vantagem sobre o Manchester City

No topo da tabela da Premier League, quem está na frente é o Arsenal. Os Gunners abriram uma vantagem de sete pontos sobre o Manchester City, mas com um detalhe importante: o time de Londres disputou uma partida a mais.

Ou seja, a diferença pode diminuir rapidamente caso os Citizens vençam seu jogo pendente. Mesmo assim, o Arsenal chega às últimas rodadas com um calendário teoricamente mais amigável.

Entre os oito jogos restantes, quatro serão em casa contra equipes que ocupam a zona intermediária da tabela. O fator Emirates pode pesar bastante nesse momento decisivo, mas também, é necessário ressaltar como estará a vida do Arsenal nesta altura, porque além da Premier League, tem Champions na jogada.

Mas existe um compromisso que já está circulado em vermelho no calendário: a visita ao Etihad Stadium no dia 19 de abril. Esse duelo contra o Manchester City tem tudo para funcionar como uma verdadeira “final antecipada” do campeonato, para simples separar os homens dos meninos.

Apesar da pressão, há um ponto que pode animar os torcedores do Arsenal. Nesta temporada, o Manchester City não tem apresentado o mesmo domínio quase assustador dos últimos anos sob comando de Pep Guardiola.

Para se ter uma ideia, após 29 rodadas os Citizens somaram 60 pontos, um número que só foi pior em duas temporadas desde que Guardiola chegou ao clube: na primeira, em 2016/17, e na campanha passada.

Isso ajuda a explicar por que a corrida pelo título da Premier League parece mais aberta do que em outros anos recentes da Premier League.

Outro indicador interessante aparece nas estatísticas avançadas. Tanto Arsenal quanto Manchester City apresentam números de “expected goals” inferiores aos de campeões recentes. Em termos simples: nenhuma das duas equipes tem sido dominante de forma absoluta.

Essa pequena margem de imperfeição aumenta as chances de tropeços na reta final, o que pode deixar a disputa ainda mais emocionante.

Premier League e sua corrida pelas vagas da Champions

Se a briga pelo título da Premier League já está pegando fogo, a luta por vagas na Champions League promete ser um verdadeiro caos organizado. Com a possibilidade de o quinto colocado também garantir vaga no torneio europeu, quatro clubes estão praticamente colados na tabela.

Manchester United, Aston Villa, Chelsea e Liverpool estão separados por apenas três pontos. Em outras palavras: um tropeço aqui, uma vitória ali e a tabela pode virar completamente de cabeça para baixo.

Os Villains, por exemplo, têm um calendário aparentemente mais tranquilo após enfrentar os Diabos Vermelhos neste fim de semana em Old Trafford. Nos seis jogos seguintes, quatro serão contra equipes que atualmente estão entre as seis últimas da tabela.

Mas existe um detalhe curioso nesta Premier League: enfrentar times desesperados para fugir do rebaixamento nem sempre é a tarefa mais simples. Nessa fase da temporada, todo jogo vira decisão. Já o Liverpool vive uma situação interessante. Os Reds começam a sequência final enfrentando equipes de meio de tabela, o que pode ajudar o time a ganhar embalo.

Por outro lado, maio promete ser uma verdadeira maratona de decisões: o Liverpool enfrentará seus três concorrentes diretos por vaga na Champions League em sequência. Se quiser voltar ao torneio europeu mais importante, terá que provar isso dentro de campo.

O Aston Villa, aliás, já parecia praticamente garantido no top-5 da Premier League alguns meses atrás. A equipe chegou a abrir oito pontos de vantagem sobre os concorrentes e até foi citada como possível candidata ao título.

Mas uma combinação de fatores mudou o cenário: lesões importantes no elenco e o fim daquela fase em que os chutes de fora da área estavam entrando como se fosse videogame. Resultado: a disputa voltou a ficar totalmente aberta.

Luta contra o rebaixamento também pega fogo

Se lá em cima a tensão já é grande, na parte de baixo da tabela o clima é praticamente de sobrevivência. Wolverhampton e Burnley parecem ter poucas chances de escapar, precisando praticamente de um milagre futebolístico para permanecer na Premier League. Com isso, resta uma vaga indesejada que deve ser ocupada por um entre quatro clubes: Leeds United, Tottenham, Nottingham Forest e West Ham.

O Leeds, que tem mais pontos no momento, também possui o calendário mais favorável no papel. Entre os jogos restantes, apenas um é contra equipe do chamado “top-6”, justamente contra o Manchester United, em 13 de abril. Além disso, o clube ainda terá confrontos em casa contra os dois últimos colocados da tabela, o que pode ser decisivo.

Já o West Ham aparece como o candidato mais ameaçado neste momento. O clube ocupa a zona de rebaixamento e enfrenta a sequência de jogos mais complicada entre os concorrentes. Mas existe um fator que pode mudar essa história.

Desde que passou a ser comandado por Nuno Espírito Santo, o desempenho da equipe melhorou bastante. Nos últimos oito jogos da Premier League, apenas quatro equipes conquistaram mais pontos que os Hammers.

Além disso, os números de desempenho, especialmente o saldo de gols esperados, também indicam evolução real, não apenas resultados ocasionais.

Ou seja: apesar da situação na tabela, o West Ham pode estar longe de entregar os pontos.

Uma reta final que promete drama até o último minuto

Entre título, vagas europeias e fuga do rebaixamento, a Premier League caminha para um dos finais de temporada mais emocionantes dos últimos anos.

O Arsenal tenta quebrar um jejum de títulos que já dura duas décadas. O Manchester City busca manter sua hegemonia recente. Enquanto isso, gigantes tradicionais brigam ponto a ponto por uma vaga na Champions.

E lá embaixo, cada rodada pode mudar completamente o destino de clubes históricos. Traduzindo: prepare o café, até uma cervejinha, dependendo do horário, a calculadora e o coração. Porque na Premier League, a reta final raramente decepciona.

Foto: REUTERS