Um final de mês turbulento em campo e fora dele. É assim que o Athletico pode se definir após a polêmica saída de Cuca do comando, e render conflito com dirigentes e jogadores. O treinador pediu demissão no último domingo após empate do rubro-negro contra o Corinthians na Ligga Arena, e teve o pedido confirmado em reunião do dia seguinte no CT do Caju, em Curitiba. A decisão do técnico não caiu bem entre atletas e diretores, e sobretudo, ao presidente Mario Celso Petraglia, que veio a público declarar sua “decepção” com o profissional, contratado em março.
O manda-chuva athleticano se manifestou nas redes sociais numa longa publicação, dirigindo palavras duras contra Cuca, afirmando que o treinador de 61 anos usou o clube e logo depois o traiu, pedindo para sair sem dar explicações mais coerentes com a decisão. No texto postado em seu Facebook pessoal, Petraglia expôs o fato de ter aberto as portas do Athletico para que o técnico conseguisse diminuir o estrago ocorrido em sua imagem após uma tensa e rápida passagem pelo Corinthians em 2023.
Contratado no segundo semestre do ano passado pelo clube paulista, sob muita polêmica em meio à um episódio no qual é apontado como envolvido em um caso de abuso sexual de uma menor na Suíça, na década de 1980, Cuca sofreu altíssima rejeição da torcida alvinegra e comandou a equipe em apenas dois jogos, pedindo demissão diante da pressão sofrida por ele e familiares. Em janeiro deste ano, o treinador teve a condenação anulada pela justiça do país europeu e receberia uma indenização de 9,5 mil francos suíços (R$ 54,8 mil) na extinção do processo.
Petraglia reforça que Athletico não será mais usado por pessoas sem caráter
Além de citar que o Athletico deu “a cara a tapa” para amenizar o episódio vivenciado pelo treinador nos anos 80 e trazido à tona recentemente, dando o status de rejeitado pelos clubes a Cuca, Petraglia afirmou que o clube não será mais “usado e abusado pelo mau caratismo das pessoas”, referindo-se ao tumulto provocado pelo treinador na delegação athleticana após o jogo do último domingo. O presidente revelou que o profissional teve um “comportamento descontrolado” nos vestiários ao se dirigir aos atletas antes da entrevista coletiva, onde revelou que conversaria com a direção sobre sua permanência no cargo na segunda-feira.
O jogo em questão foi o empate do Athletico contra o Corinthians em 1 a 1, pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro, na Ligga Arena, e foi o terceiro confronto seguido no qual a equipe sofreu um gol nos acréscimos do segundo tempo. Mario Celso Petraglia classificou as atitudes de Cuca perante os jogadores e a imprensa ao final da partida como “piti” e desejou que o treinador encontre outro clube disposto a recebê-lo com boa vontade assim como o Furacão, mesmo tendo contrariedade de parte da torcida.
Contratado em março para substituir Juan Carlos Osorio, Cuca conquistou o Campeonato Paranaense de 2024, e comandou a equipe durante 22 jogos, somando 14 vitórias, três empates e cinco derrotas, obtendo um aproveitamento de 68,1%.
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Após desabafo de Petraglia, Cuca rebate críticas
Em nota divulgada na manhã desta terça-feira à imprensa, logo depois da publicação feita por Petraglia nas redes sociais, Cuca rebateu o dirigente athleticano, e deu sua versão sobre o ocorrido no vestiário da equipe ao final da partida contra o Corinthians em Curitiba. O treinador declarou que “vestiário é algo sagrado” e que tinha como intenção proteger o elenco em meio às críticas da torcida, que demonstrou raiva logo depois de um novo empate sofrido nos instantes finais de jogo.
Cuca reforçou ter assumido a responsabilidade nos três jogos empatados pelo Athletico – anteriormente ao Corinthians, contra Flamengo e Botafogo, buscando acolher os jogadores que se mostravam desolados no vestiário da Ligga Arena. E que ter colocado o cargo de técnico à disposição do clube ao final da conversa com os atletas foi uma forma de resguardá-los da culpa pela sequência apontada como negativa pelos rubro-negros.
Finalizando a declaração, o ex-treinador do Furacão citou que “não gostaria de ter deixado o trabalho antes de concluído” e que sua relação com o elenco até o momento da última conversa era “mutuamente equilibrada e respeitosa”. Cuca agradeceu a “oportunidade de ter comandado o time de coração”, aos torcedores, funcionários do clube e jogadores. Num tom de direcionamento a responder Mario Celso Petraglia, o técnico utilizou uma frase usada pelo mesmo em sua nota: “O tempo é senhor da razão”.
Foto: José Tramontin/Athletico