Nesta quarta-feira (30), às 21h30 (horário de Brasília), pela volta das semifinais da Conmebol Libertadores, o Botafogo irá enfrentar o Peñarol no estádio Centenário, em Montevidéu. O jogo, originalmente marcado para o Campéon del Siglo, teve o local alterado pela Conmebol após a equipe uruguaia anunciar que não permitiria a entrada de brasileiros no espaço, acirrando ainda mais os ânimos entre as respectivas equipes.
Com as tensões em alta entre a entidade máxima do futebol sul-americano, a Associação Uruguaia de Futebol e o governo uruguaio, a decisão foi tomada apenas no final do dia desta terça-feira (29) e foi feita para garantir a segurança das torcidas. O Centenário tem cerca de 25 mil lugares a mais que a casa do Peñarol – 65 mil a 40 mil – o que de acordo com o governo facilita o sistema de segurança. Brasileiros no Uruguai já relataram ataques racistas e ameaças por parte da torcida local.
O clima hostil com os botafoguenses é uma consequência da confusão ocorrida às vésperas do jogo de ida no Rio de Janeiro. O presidente do Peñarol Ignacio Ruglio, chegou a afirmar que o Botafogo criou “clima de guerra” para a semifinal. O dirigente também reclamou da mudança de local.

Presidente do Peñarol reclama da troca de estádio
Pouco depois da confirmação da mudança de estádio pela Conmebol, que queria ver cumprido seu regulamento (que prevê a presença de visitantes), Ignacio Ruglio deu entrevista coletiva, na noite desta terça-feira (29). Segundo ele, o Peñarol não teve outra opção, e a entidade sul-americana ameaçou realizar o jogo com portões fechados.
“Nós, dirigentes, queríamos jogar essa partida com nossos torcedores e não com portões fechados. Tivemos a recomendação da AUF (federação uruguaia) e do Ministério do Interior (para jogar no Centenário) com torcida. Ideia que obviamente não nos agradou no início, porque era aceitar um precedente de que sairíamos da nossa casa.”
“Voltamos a repetir que não era a solução que queríamos. Mas muitas vezes temos que tomar decisões. Mas às 17h ou 18h da tarde, nos comunicaram que a partida seria retirada do Uruguai ou seria sem público. E a menos pior das soluções era jogar no Centenário. Conversamos como nossos jogadores e comissão técnica, e o que eles queriam era estar com nosso público.”
O presidente ainda disse que a situação dos uruguaios detidos no Brasil foram parte da negociação:
“Como parte da negociação de aceitar jogar no Centenário, botamos como prioridade que a AUF, o governo uruguaio, Botafogo e a Conmebol se comprometam a partir de quinta-feira a se instalar no Rio de Janeiro até que nossos detidos voltem ao Uruguai.”