Strasbourg
Futebol Ligue 1 UEFA Europa Conference League

Projeto do Strasbourg não foi feito para “alimentar” o Chelsea; Confira a estrutura dos grupos multi-clubes

O Strasbourg vem se consolidando como uma potência emergente no futebol francês e europeu, embora sua relação com o Chelsea ainda irrite uma parcela barulhenta de seus torcedores. Atualmente na quinta colocação da Ligue 1 — depois de terminarem em sétimo na temporada anterior e garantirem vaga em uma competição europeia pela primeira vez em seis anos — o clube figura entre os favoritos da UEFA Europa Conference League nesta edição. O próximo confronto será diante do Crystal Palace, uma das equipes mais fortes do torneio, no renovado Estádio de la Meinau, nesta quinta-feira (27), às 17h (horário de Brasília).

Apesar disso, o Strasbourg — adquirido pela BlueCo, liderada por Todd Boehly e pela Clearlake Capital, por 65 milhões de libras — ainda enfrenta resistência de parte da sua torcida mais radical, que acusa o clube de ter se tornado uma espécie de “satélite” do Chelsea. O presidente Marc Keller rejeita essa alegação. Algumas transações entre os dois clubes chamaram atenção ao longo do ano, como a transferência gratuita de Ben Chilwell, a venda de Mathis Amougou à Ligue 1 durante o verão, poucos meses após sua chegada aos Blues, e outras movimentações semelhantes.

Da mesma maneira, o defensor Mamadou Sarr foi vendido ao Chelsea por cerca de 12 milhões de libras em junho e retornou por empréstimo ao Strasbourg em agosto. Já Ishe Samuels-Smith voltou ao time londrino no último dia da janela — a mesma janela em que havia sido adquirido pelo clube francês por 6,5 milhões de libras, antes de ser emprestado ao Swansea, que disputa a segunda divisão inglesa. Além disso, jovens dos Blues como Mike Penders e Kendry Paez também estão sendo emprestados aos Bleu et Blanc.

Os grupos ultras do Strasbourg — quatro no total, com 1.539 membros — sustentam que o modelo de multipropriedade ameaça os valores tradicionais do clube. Keller afirmou que esses torcedores “exageraram” ao atacarem o capitão Emanuel Emegha com uma faixa chamando-o de “peão da BlueCo”, em um jogo contra o Le Havre no início da temporada. O protesto ocorreu após o anúncio de que o atacante holandês se transferiria ao Chelsea em julho de 2026, após a Copa do Mundo, que será realizada no Canadá, nos Estados Unidos e no México.

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Mas afinal, o que beneficia o Chelsea também beneficia o Strasbourg na Ligue 1 e na UEFA Europa Conference League?

O atual presidente Marc Keller, que comandou o consórcio que comprou o Strasbourg por um euro em 2012, liderou a reconstrução do clube, que havia despencado até a quarta divisão amadora após uma crise financeira. Desde então, o time voltou à elite em cinco anos e agora disputa competições europeias — apenas duas temporadas após firmar parceria com o Chelsea.

Segundo Keller, as conversas com Behdad Eghbali e Todd Boehly sempre tiveram como foco estruturar um modelo eficiente de multipropriedade desde o início, aliado a maior capacidade financeira. O Strasbourg já vinha reforçando sua saúde financeira anualmente antes da compra, mas os novos parceiros chegam com ambições maiores, sonhando em manter o clube entre os seis ou sete primeiros e garantir vaga em torneios europeus com mais frequência.

No Estádio de la Meinau, o investimento da BlueCo é visível: guindastes trabalham na ampliação da capacidade de 26 mil para 32 mil lugares — etapa final de uma reforma avaliada em 157 milhões de libras. Caminhando pelas instalações modernizadas, chama atenção o cuidado com os detalhes, incluindo monumentos que homenageiam todos os atletas que já vestiram a camisa azul.

O diretor esportivo David Weir foi contratado no mês passado após deixar o Brighton. Entretanto, como no Chelsea, o elenco do Strasbourg já vinha sendo reformulado pela BlueCo — com 112 milhões de libras investidos na montagem de um dos times mais jovens das cinco principais ligas europeias, com média de idade de apenas 21,5 anos. Entre esses campeonatos, apenas PSG e Parma possuem elencos mais jovens; o Chelsea aparece logo atrás.

O meio-campista Andrey Santos, emprestado ao Strasbourg por 18 meses, foi um dos primeiros a aproveitar essa conexão entre os clubes. Ele afirma que continua acompanhando os jogos e trocando mensagens com o técnico Liam Rosenior. Durante o verão, o Strasbourg arrecadou 74 milhões de libras em vendas, incluindo Dilane Bakwa para o Nottingham Forest e o ex-capitão Habib Diarra para o Sunderland, ambos por cerca de 30 milhões.

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Rosenior — a ascensão do técnico que vem transformando o Strasbourg

O estilo dinâmico de Rosenior tem empolgado os torcedores, e Chilwell afirma acreditar que o ex-comandante do Hull City pode chegar “ao topo”. Ele goza de grande respeito dentro da BlueCo. Embora esteja aprimorando o francês, ainda conduz a maioria das reuniões e entrevistas em inglês.

Sua habilidade em desenvolver talentos, aliada a sua filosofia de jogo e gestão de grupo, o colocou na mira de diversos clubes durante o verão, incluindo o Bayer Leverkusen. No momento, o Strasbourg joga em alto nível sob seu comando, com um elenco jovem que ainda tem espaço para crescer nesta temporada e sonhar com uma vaga na próxima UEFA Champions League.

A BlueCo já o conhecia de seu trabalho na Inglaterra, e quando Keller o encontrou, ficou claro que as ideias de Rosenior para o Strasbourg eram ambiciosas — e, segundo ele, tudo o que o treinador prometeu está efetivamente se concretizando.

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Multipropriedade: comum no futebol moderno, mas polêmica em Strasbourg

O modelo de multipropriedade (MCO, na sigla em inglês) existe desde os anos 1990, mas ganhou força com o City Football Group (CFG), dono do Manchester City e de mais 13 clubes pelo mundo.

Hoje, quase metade das equipes da Premier League está sob alguma forma de quarentena regulatória devido a esse tipo de estrutura — Manchester United, Brighton, Nottingham Forest, Brentford, Aston Villa, Burnley, Leeds United e Bournemouth. O Crystal Palace já esteve nessa situação antes de Woody Johnson contratar John Textor no verão.

Essas normas podem criar barreiras. No fim da temporada passada, Chelsea e Strasbourg poderiam ter se classificado para a mesma competição europeia, o que obrigou a BlueCo a colocar temporariamente o clube francês em um “fundo fiduciário cego” para reduzir sua influência.

Situações semelhantes já ocorreram: Tony Bloom fez isso com o Union Saint-Gilloise; Evangelos Marinakis tomou a mesma medida quando Nottingham Forest e Olympiacos corriam risco de se cruzar na Europa; Jim Ratcliffe colocou Nice e Lausanne-Sport sob esse modelo; e o CFG fez o mesmo com o Girona em 2024.

Se um dia Chelsea e Strasbourg voltarem a disputar o mesmo torneio europeu, os dois clubes poderão ser proibidos de realizar empréstimos entre si por três janelas de transferências — medida aplicada a Manchester United/Nice e Manchester City/Girona em 2024.

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