Pyramids é adversário do Flamengo na semi da Copa Intercontinental
Copa Intercontinental de Clubes Futebol

Pyramids: conheça adversário “rico” do Flamengo que viu projeto de longa data finalmente funcionar

Em busca de chegar à final da Copa Intercontinental da Fifa, o Flamengo enfrenta o Pyramids no Estádio Ahmad Bin Ali, em Al-Rayyan (Catar), às 14 horas (de Brasília) deste sábado (13). O adversário do Rubro-Negro é considerado um time “rico” no Egito, que começou a colher frutos de um alto investimento nesta década. Abaixo, saiba mais sobre a equipe egípcia. 

História do Pyramids

O Pyramids Football Club nasceu em 2008 sob a denominação Al Assiouty Sport, fundado na cidade de Beni Suef, no Alto Egito, por um grupo local que buscava dar competitividade a uma região tradicionalmente afastada dos holofotes do futebol egípcio. A trajetória inicial foi modesta: acesso à primeira divisão em 2014, queda imediata e retorno em 2017 após campanha convincente na segunda divisão. O clube só começou a chamar atenção internacional quando seu destino mudou dramaticamente com a entrada de um investidor estrangeiro de grande porte.

Em 2018, o milionário Turki Al-Sheikh, então presidente da Autoridade Esportiva Saudita, comprou o clube, mudou sua sede para o Cairo e o renomeou Pyramids FC, desencadeando uma revolução no departamento de futebol. Com uma injeção financeira significativa, o clube contratou jogadores brasileiros de destaque, como Keno, Rodriguinho, Carlos Eduardo e Ribamar, e trouxe o técnico brasileiro Alberto Valentim para comandar o projeto. A aposta era ousada e buscava transformar um clube sem tradição em protagonista continental, ainda que o entrosamento entre dirigentes, elenco e torcedores tenha enfrentado desafios no caminho.

A ambição do sheik não terminou em contratações exuberantes. A chegada de brasileiros e do treinador estrangeiro foi um símbolo de um projeto que prometia competir de igual para igual com os gigantes Al-Ahly e Zamalek no cenário egípcio. No entanto, o ciclo de Turki foi relativamente curto: em 2019 o clube foi adquirido por Salem Al Shamsi, empresário dos Emirados Árabes Unidos, que manteve a política de investimentos, mas também buscou uma gestão mais sustentável e focada em resultados a longo prazo dentro e fora do Egito.

Resultados

A transformação do Pyramids em uma força do futebol egípcio e africano aconteceu de forma acelerada após a mudança de propriedade. O clube rompeu um duopólio que parecia impenetrável no Egito, historicamente dominado por Al-Ahly e Zamalek, alcançando posições de destaque no Campeonato Egípcio. Nas últimas temporadas, o Pyramids foi vice-campeão da liga nas edições 2021–22, 2022–23 e 2023–24, mostrando consistência e competitividade no torneio doméstico.

O ápice dessa ascensão veio na temporada 2024–25, quando o Pyramids conquistou a Liga dos Campeões da CAF, derrotando o Mamelodi Sundowns da África do Sul por 3 a 2 no agregado da final, em um marco histórico para o clube e para o futebol egípcio. Esse título continental abriu portas para a participação em competições intercontinentais, incluindo a Copa Intercontinental da FIFA, onde atualmente enfrenta o Flamengo nas semifinais.

Além disso, o clube venceu a Copa do Egito em 2023–24 e outras honrarias como a Supercopa da CAF em 2025, consolidando um currículo que cresce a cada temporada. Embora ainda não tenha conquistado o título nacional, o Pyramids estabeleceu-se como uma potência emergente em competições continentais e domésticas.

Time atual

No cenário atual, o Pyramids se apresenta como um time com características ofensivas bem definidas, mas com fragilidades que podem ser exploradas por adversários rápidos e organizados. Segundo análises de especialistas egípcios, os pontos fortes do clube estão na capacidade de pressão alta e nas transições rápidas, com jogadores capazes de acelerar o jogo e aproveitar espaços entre as linhas adversárias. Nomes como o lateral-direito Mohamed El Chibi e o meio-campista Walid El Karti têm sido fundamentais para dar equilíbrio ao meio de campo, enquanto o atacante Fiston Mayele tem sido uma referência ofensiva, inclusive na Copa Intercontinental.

Apesar das qualidades ofensivas, a defesa é apontada como um setor mais vulnerável, especialmente quando o time é pressionado com intensidade ou enfrenta adversários capazes de girar a bola com rapidez. A recomposição defensiva pode ser lenta em determinados momentos, expondo o setor de laterais e zagueiros a contra-ataques. Essa fragilidade tática pode ser um ponto de atenção para o Flamengo, que tradicionalmente explora bem os lados do campo com seus pontas e meias criativos.

Outro aspecto curioso do elenco é a presença de jogadores locais com apelidos inspirados em ídolos brasileiros. O atacante Mostafa Mohamed Zaki Abdelraouf, conhecido como Zico, e o volante Mahmoud Abdelaati, apelidado de Dunga, ilustram a influência cultural do futebol brasileiro no clube e a simpatia dos torcedores egípcios por nomes históricos do Brasil.

No contexto de um encontro que cruza continentes, o Pyramids representa um adversário “rico” em história recente e ambições sólidas. Sua evolução de um modesto clube provincial para campeão africano e rival do Flamengo em competições intercontinentais reflete não apenas investimentos financeiros, mas também uma estratégia de longo prazo que finalmente parece dar frutos no palco global.

Foto: Reprodução/X/@pyramidsfc