Renato Paiva Botafogo
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Quem é Renato Paiva e como ele fará o Botafogo jogar?

O técnico Renato Paiva retorna ao futebol brasileiro e desta vez, com as cores do Botafogo em sua camisa. O português que teve uma passagem pelo Bahia, foi o escolhido por John Textor para ocupar o lugar vago por Artur Jorge, desde a saída dele para o futebol catari. O ex-tricolor baiano foi apresentado nesta sexta-feira (28), depois de ter presenciado a derrota para o Racing, ontem, pela Recopa Sul-Americana.

O profissional de 54 anos estava livre no mercado desde dezembro de 2024, quando deixou o Toluca, do México. Em janeiro, o nome de Renato Paiva foi oferecido a John Textor, porém, o empresário decidiu por seguir outros caminhos, porque o sonho de contar com André Jardine, Tite, Roberto Mancini, Vasco Matos, Hernán Crespo, entre outros era o foco do Botafogo.

Com o passar do tempo, as flores murcharam, o tempo passou e a pressão aumentou. Os nomes de Crespo e Renato Paiva ganharam importância, e na concepção da diretoria do clube carioca, contar com o português seria melhor do que o ex-atacante argentino. Diante das peças presentes no grupo, o ex-Bahia parecia ter mais condições de colocar o Glorioso para jogar como Textor e Companhia desejavam.

A contratação de Renato Paiva nesta altura da temporada, levanta um ar de insegurança, em prol da falta de efetividade nas principais escolhas do Botafogo. Entretanto, o português conseguiu se portar de uma forma convicta, segura e humilde em sua entrevista de apresentação. Demonstrou conhecer as peças presentes no elenco do clube carioca, e entender bastante sobre o esporte em si.

Tem noção das dificuldades que terá pela frente, porque o Glorioso é o atual campeão da Copa Libertadores e do Brasileirão, mas já perdeu três títulos pela frente. Essa movimentação coloca muito mais peso nas costas dele, porém, está disposto a vivenciar essa realidade, na busca por fazer esquecer, os seus tempos não tão interessantes de Bahia.

Quem é Renato Paiva?

Renato Paiva
Foto: Felipe Oliveira/Bahia

 

O técnico Renato Paiva começou suas atividades no times de base do Benfica, de Portugal, crescendo de produção com o tempo. Não chegou a assumir as Águias no profissional, porém, teve bons primeiros passos em sua carreira, para se encaminhar ao Independente del Valle. Por lá, vivenciou seu primeiro trabalho de destaque em sua campanha na posição.

Chegou a ser campeão equatoriano na equipe, dando início ao chamado de atenção dos times sul-americanos ao seu redor. Sempre destacou o desejo e vontade de trabalhar com times mais ofensivos, pensando mais em amassar o seu adversário como um trator, do que dar toques cruciais no sistema defensivo.

Dá para dizer que compartilha da ideia de que, se você faz mais gols do que toma, a vitória no final do confronto é sua. Diante de 60 confrontos no Del Valle, Renato Paiva conquistou 31 vitórias, 15 derrotas e 14 empates ao todo. Os números são interessantes, mas demonstram como o seus ideais podem ser uma faca de dois gumes, principalmente pelo alto número de derrotas, equilibrados com os empates.

Em seguida do time equatoriano, comandou o León, do México, mas teve uma passagem bem curta por lá, apenas 18 jogos no comando. O retrospecto não foi nada bom por lá, estamos falando de seis vitórias, quatro empates e oito derrotas, tendo início em julho e terminando seus trabalhos por lá em novembro do mesmo ano.

Depois desse fracasso mexicano, Renato Paiva se direcionou para o Bahia no dia 1 de janeiro de 2023. Por lá, conseguiu ficar até setembro, não foi capaz de resistir a pressão da torcida por resultados, deixando o cargo próximo do término da temporada. O português não é dos mais queridos pela torcida do tricolor baiano, muito pela sua arrogância, algo que era possível de notar nas entrevistas.

A questão é, fazem dois anos desses episódios, existe um mundo em que ele tenha mudado, ou que não tenha brecha para se portar desta maneira. Após seu trabalho no Bahia, Renato Paiva se movimentou para o Toluca, do México, onde fez um bom time, ficando por lá durante quase duas temporadas inteiras, quando concluiria a segunda, foi demitido.

No total dos dois últimos trabalhos de Paiva, com Bahia e Toluca somados, falamos de 93 jogos, com 41 vitórias, 27 empates, 25 derrotas, 53.8% aproveitamento,  153 gols (1.6 /j!),  111 gols sofridos (1.2 /j),  12.1 finalizações realizadas /j,  9.7 finalizações sofridas, /j 47.8% posse de bola e 24 jogos sem sofrer gols (26%).

Como joga Renato Paiva?

Renato Paiva Bahia Botafogo
Foto: Celo Gil, Pera Photo Press

 

Em diversas oportunidades, Renato Paiva sempre deixou claro que é um fãzaço do jogo posicional. O português procura colocar os seus jogadores para ocuparem espaços específicos dentro do campo, para garantir um dos seus principais focos, a superioridade numérica. A intenção é utilizar esse fator para facilitar a progressão da equipe no âmbito ofensivo, chegar com mais poderio sobre o adversário.

Se trata de uma situação semelhante a múltiplos times do Brasileirão hoje, que após a perda da bola, já se apresentam enérgicos para recuperá-la. A questão é que, para essas situações funcionarem, o time precisa estar numa exímia forma física, para aguentar essas altas frequências de corrida, marcação e ataque, algo que o Botafogo não tem apresentado até o momento.

Apesar de ter o 4-2-3-1 como um dos seus esquemas favoritos, Renato Paiva não vê problema em variar essas formações, dependendo do seu oponente. Já ocorreu de utilizar três zagueiros, tendo uma maior amplitude com os alas, uma tática que ele curte bastante, porque gosta da presença de jogadores rápidos próximos as saídas pelas direita e pela esquerda.

Sempre será mais um atleta para facilitar na saída de bola, algo que é visado com muita força pelo português. Ele gosta bastante da presença do goleiro com capacidade para efetuar passes, e desafogar a marcação pressão do adversário. Ao observar Renato Paiva e Hernán Crespo, os dois últimos nomes da lista para ser treinador do Botafogo, dá para notar uma diferença interessante.

O técnico argentino faz questão de ter a posse da bola para si, mas a situação já é diferente com Renato Paiva. O treinador português não vê a necessidade de fazer 20 passes até chegar numa oportunidade de gol, ele acredita que a partir da forma como os seus profissionais estiverem postados em campo, é possível encontrar uma bola longa, ou uma tentativa veloz de ataque com menos toques.

Outros pontos levantados pelo técnico europeu são as dinâmicas como tabela, desmarque e terceiro homem. Qualquer fator que facilite e abra os espaços para seus jogadores atacarem, ele estará de acordo em utilizar. Na presença das ações em função de como os oponentes se posicionam, sem esquecer do principal, o objetivismo.

 Foto: Hector Vivas/Getty Images