A segunda rodada do Brasileirão reservou mais um resultado importante para o Red Bull Bragantino e aumentou o sinal de alerta no Atlético Mineiro. Em Bragança Paulista, sob forte chuva, o Massa Bruta foi mais organizado, mais paciente e, sobretudo, mais assertivo para vencer o Galo por 1 a 0, com gol de Gustavinho, e assumir, ao menos momentaneamente, a liderança da competição com seis pontos.
Para o Atlético, o revés aprofunda um início preocupante: apenas um ponto somado e desempenho ainda distante do esperado para um elenco recheado de ambições.
O jogo
O duelo começou com cara de jogo estudado, mas rapidamente ficou claro que o excesso de cautela vinha acompanhado de muitos erros técnicos. As duas equipes apresentaram dificuldades na circulação da bola, especialmente por conta do gramado pesado pela chuva. Passes simples eram desperdiçados, e jogadas promissoras morriam antes mesmo de se desenvolver.
A primeira chance clara foi do Bragantino, em bola parada. Após cobrança de falta, o zagueiro Gustavo Marques apareceu completamente livre na pequena área, mas cabeceou por cima, desperdiçando uma oportunidade clara de abrir o placar cedo. O lance foi um prenúncio do que viria a seguir: um Bragantino mais confortável no jogo e um Atlético Mineiro com dificuldades para se organizar.
Mesmo com as condições adversas, o Massa Bruta passou a assumir o controle da posse de bola. Com trocas de passes curtas e movimentação constante, a equipe paulista aproveitou um Atlético Mineiro que simplesmente não conseguiu usar o meio de campo. Sem aproximação entre os setores, o Galo passou a apostar em lançamentos longos, facilmente neutralizados pela defesa adversária.
Everson começou a trabalhar mais do que gostaria. Primeiro em um chute de longa distância, depois em uma boa finalização de Gabriel, o goleiro atleticano evitou que a superioridade do Bragantino se transformasse em vantagem ainda mais cedo. O cenário, no entanto, indicava que o gol era questão de tempo.
Aos 38 minutos, a pressão do Bragantino finalmente se traduziu em gol. Gabriel aproveitou sobra na intermediária e chutou firme. A bola desviou em Alonso e sobrou limpa para Gustavo Neves, que foi rápido na leitura do lance e finalizou de primeira, no cantinho, sem chances para Everson. Um gol que simbolizou bem a diferença de postura entre as equipes: atenção, agressividade e rapidez de execução de um lado; passividade e desorganização do outro.
Antes do intervalo, o jovem meia ainda quase ampliou. Recebeu na marca do pênalti e bateu com precisão, mas Everson fez uma defesa espetacular para manter o Atlético vivo na partida. O primeiro tempo terminou com a sensação clara de que o Bragantino havia sido superior, mesmo sem precisar acelerar demais.
Para o segundo tempo, o Atlético Mineiro voltou com duas mudanças e uma postura um pouco mais agressiva. O time passou a ocupar melhor o campo ofensivo e conseguiu, ao menos, equilibrar as ações. Com o duelo mais aberto, surgiram espaços dos dois lados.
Na melhor chance do Galo, Preciado apareceu completamente livre pela direita e cruzou rasteiro. A bola passou por Cleiton e parecia destinada a Hulk, mas Alix Vinicius apareceu no último instante para salvar o Bragantino. Foi um raro momento de desorganização defensiva dos donos da casa.
O Massa Bruta, porém, não se acomodou. Aos 15 minutos, Gustavo Marques voltou a vencer pelo alto em cobrança de escanteio, cabeceou para o chão e viu a bola quicar ao lado da trave. Mais uma chance clara desperdiçada, mas que reforçava a superioridade do time paulista no jogo aéreo.
Com o passar do tempo e as muitas substituições, o Atlético tentou aumentar a pressão. Aos 26 minutos, chegou muito perto do empate em um chute colocado de fora da área que explodiu no travessão. Foi o lance de maior perigo do Galo em toda a partida.
A partir daí, o Bragantino recuou suas linhas e passou a administrar a vantagem. O Atlético, sem criatividade e com poucas ideias, teve dificuldades ainda maiores para criar. Cuello chegou a balançar as redes, mas a arbitragem marcou falta na origem do lance sem maiores discussões.
Nos acréscimos, o Galo ainda reclamou de um possível pênalti em Renan Lodi, mas nada foi assinalado. O apito final confirmou a vitória do Bragantino e escancarou realidades bem distintas neste início de Brasileirão.
RB Bragantino começa o campeonato sólido, enquanto Atlético oscila no seu próprio estilo de jogo
A vitória coloca o Red Bull Bragantino na liderança provisória do campeonato e reforça a imagem de um time organizado, competitivo e consciente de suas virtudes. Mesmo sem uma atuação brilhante, o Massa Bruta foi sólido defensivamente, eficiente quando teve a chance e soube sofrer nos momentos finais.
Já o Atlético Mineiro sai de Bragança Paulista com mais dúvidas do que respostas. O time segue desorganizado no meio-campo, depende excessivamente de jogadas individuais e mostra pouca capacidade de reação coletiva. Com apenas um ponto em duas rodadas, o início preocupa não só pelo resultado, mas pelo desempenho.
O Brasileirão é longo, mas a mensagem desta noite chuvosa foi clara: enquanto o Bragantino apresenta um plano e o executa com convicção, o Atlético Mineiro ainda busca entender quem é, e isso, em um campeonato tão equilibrado, pode custar caro.
(Foto: Ari Ferreira/RB Bragantino)