Hajdar vai pilotar a RBR em 2026
Automobilismo Fórmula 1

RBR cita semelhança com Senna para justificar escolha por Hadjar na equipe principal

A Red Bull Racing (RBR) escolheu Isack Hadjar para sua equipe principal na temporada 2026 da Fórmula 1. Ele substituirá Yuki Tsunoda e formará dupla com Max Verstappen. A decisão marca um voto de confiança no jovem franco-argelino, após uma temporada de estreia promissora.

Semelhanças com Senna e Schumacher que pesaram na escolha

A promoção de Hadjar à RBR não se deve apenas aos resultados práticos, mas também a uma convicção interna da escuderia de que ele carrega um instinto competitivo raro — tal como tiveram lendas como Ayrton Senna e Michael Schumacher. Esse ponto foi destacado pelo consultor da equipe, Helmut Marko, numa entrevista ao podcast Beyond the Grid“.

“Sim, Hadjar tem as características para se tornar um campeão mundial. Um exemplo simples: a maioria dos circuitos são novos para ele, e após três voltas, ele já é competitivo”, disse. “Acompanhei Michael Schumacher de perto, e também Senna – todos eles tinham isso: não precisavam de 15 voltas ou de quantos testes. Eles chegavam, davam um soco e já estavam lá”, acrescentou.

Em outras palavras, para Marko e para a RBR, Hadjar demonstra a capacidade de adaptação e a frieza mental que caracterizaram os dois maiores ícones da Fórmula 1 — não apenas talento bruto, mas também a prontidão imediata para competir num nível elevado desde os primeiros giros. Essa “qualidade Senna/Schumacher” teria sido determinante para que a equipe apostasse nele como companheiro de Verstappen.

Exemplos concretos de adaptação precoce

A confiabilidade da aposta em Hadjar ganha sustentação em corridas específicas da temporada 2025. Em muitos circuitos em que ele jamais havia pilotado antes, o desempenho se manteve competitivo desde os primeiros instantes. Conforme reportagem da “Motorsport Week”, de um total de 12 circuitos novos para ele em 2025, Hadjar demonstrou indiferença à novidade das pistas — poucas voltas foram suficientes para que ele se tornasse competitivo.

Casos emblemáticos incluem o desempenho no circuito de Suzuka, no Japão — onde ele marcou seus primeiros pontos na Fórmula 1 com um oitavo lugar, após largar em sétimo — e, mais adiante na temporada, o resultado no circuito de Las Vegas, em condições adversas, onde qualificou em oitavo e encerrou a prova em sexto. Essas atuações contra o desconhecimento das pistas reforçaram internamente a convicção de que Hadjar possui o instinto e a adaptabilidade típicos de um campeão nato.

Trajetória até a Fórmula 1 e ascensão em 2025

Isack Hadjar, de origem franco-argelina, teve uma trajetória tradicional nas categorias de base: começou no kart, passou pela Fórmula 4 francesa, Fórmula Regional Europeia, Fórmula 3 e, em 2023, estreou na Fórmula 2. Em 2024, ao volante da equipe Campos, foi vice-campeão da F2, o que o colocou na mira da estrutura da RBR.

Sua estreia na Fórmula 1, em 2025, pela equipe satélite Racing Bulls, começou de forma traumática — abandonou ainda na volta de apresentação do GP da Austrália, visivelmente abalado. Contudo, essa adversidade não definiu sua temporada. Aos poucos, ele ganhou ritmo: pontuou pela primeira vez no GP do Japão, com uma corrida sólida em Suzuka.

O ponto alto da sua campanha veio no GP da Holanda, em Zandvoort, quando conquistou seu primeiro pódio na F1 — largou em quarto e resistiu a rivais fortes como George Russell e Charles Leclerc. Com isso, tornou-se o francês mais jovem a chegar ao pódio na Fórmula 1.

Ao longo da temporada, Hadjar também se destacou em sessões de classificação, com frequência alcançando posições entre os melhores da parte intermediária do grid. Esses resultados, somados ao pódio e à regularidade, estão levando o jovem a terminar 2025 em 10º lugar no Mundial de Pilotos à frente de seu companheiro na Racing Bulls, Liam Lawson.

Por que a RBR aposta alto

A promoção de Hadjar à equipe principal da RBR representa uma aposta calculada: a equipe deseja um piloto jovem, adaptável desde o primeiro momento e mentalmente preparado para lidar com a pressão de correr ao lado de um campeão como Verstappen. Além disso, Hadjar já provou que consegue extrair o máximo de um carro de médio desempenho — uma característica essencial para resistir a eventuais fases mais difíceis que a RBR possa enfrentar com o novo regulamento técnico e motor a partir de 2026.

O fato de a RBR explicitamente mencionar a semelhança de Hadjar com Senna e Schumacher — não como tributo ou marketing, mas como avaliação de DNA competitivo — sugere que a escuderia estava buscando mais do que velocidade crua: procura alguém com instinto, frieza e capacidade de enfrentar desafios imediatos, mesmo sob pressão.

Para Hadjar, trata-se de um reconhecimento de sua trajetória, da resiliência mostrada após o início conturbado, e da combinação de velocidade, adaptabilidade e maturidade que demonstrou durante toda a temporada de 2025.

Se a aposta der certo, 2026 pode marcar o nascimento de uma nova grande figura na Fórmula 1 — um piloto que, desde cedo, carrega não apenas talentos físicos e técnicos, mas também a ambição e o instinto de campeões.

Foto: Reprodução/Instagram