O Real Madrid começou a temporada 2026/27 de maneira irregular. A equipe comandada por José Mourinho venceu a maior parte dos jogos, mas também deixou pontos pelo caminho e já aparece seis atrás do Barcelona em setembro.
Algumas atuações foram convincentes. Outras, porém, exigiram gols nos minutos finais para evitar tropeços que poderiam deixar a situação ainda mais complicada em La Liga.
E é justamente nesse cenário que surge um dos personagens mais inesperados do início de temporada: Carlos Espí.
O atacante de 20 anos praticamente não joga, mas já teve influência direta em quatro pontos conquistados pelo Real Madrid. Segundo o Diario AS, ele esteve em campo por apenas 26 dos 720 minutos disponíveis na temporada, o equivalente a 3,6% do total.
Mesmo assim, marcou dois gols decisivos.
Carlos Espí precisou de apenas 26 minutos para decidir
José Mourinho ainda não deu mais de dez minutos para Carlos Espí em uma única partida.
O jovem atuou por dez minutos contra o Espanyol, quatro diante da Real Sociedad, oito contra o Real Betis, apenas um contra a Inter de Milão e três contra o Elche.
Diante de Málaga, Rayo Vallecano e Atlético de Madrid, sequer entrou em campo.
A utilização mínima, porém, não impediu Espí de assumir uma função curiosa dentro do elenco: a de especialista em emergências.
Contra o Espanyol, marcou aos 90 minutos e transformou um empate em vitória por 2 a 1.
Diante do Elche, voltou a aparecer no momento decisivo. Aos 91 minutos, balançou as redes e garantiu mais um triunfo dramático para o Real Madrid.
O impacto poderia ser ainda maior.
Espí também marcou contra o Real Betis, mas o gol acabou anulado por um impedimento extremamente ajustado. O Real deixou pontos naquela partida.
Por isso, causou estranheza o fato de Mourinho não utilizar o jovem diante do Atlético de Madrid.
Antonio Rüdiger havia diminuído a desvantagem do Real perto do fim, e a equipe precisava aumentar a presença dentro da área. Mourinho ainda tinha possibilidade de realizar uma substituição, mas manteve Espí no banco.
O Real Madrid acabou não conseguindo buscar o resultado no Metropolitano.
Sem seus gols, distância para o Barcelona seria de 10 pontos
Os números ajudam a dimensionar o impacto de Carlos Espí.
Sem os gols decisivos contra Espanyol e Elche, o Real Madrid teria conquistado quatro pontos a menos em La Liga.
Em vez dos 15 pontos atuais, teria apenas 11.
Nesse cenário, a equipe de Mourinho não estaria seis pontos atrás do Barcelona, mas dez. Além disso, ocuparia apenas a sexta colocação do campeonato.
É um impacto enorme para um jogador que participou de somente 3,6% dos minutos da equipe na temporada.
Espí também raramente entra simplesmente para substituir Kylian Mbappé.
Quando utiliza o jovem, Mourinho normalmente retira um meio-campista para aumentar o número de jogadores dentro da área nos minutos finais. O atacante passa a funcionar como mais uma referência física quando o Real precisa buscar desesperadamente um gol.
Até agora, a estratégia funcionou.
Espaço como titular continua praticamente inexistente
Apesar dos gols decisivos, a possibilidade de Carlos Espí assumir uma vaga entre os titulares ainda parece pequena.
Kylian Mbappé segue como principal referência do ataque do Real Madrid e peça central do projeto de Mourinho.
Por isso, a discussão não parece ser sobre uma possível mudança imediata no time inicial, mas sobre a quantidade de oportunidades recebidas pelo jovem.
Com dois gols e quatro pontos diretamente ligados às suas entradas, Espí apresentou argumentos para receber mais espaço durante as partidas.
O atacante já mostrou que consegue oferecer algo diferente quando o Real precisa aumentar a presença dentro da área.
Também desenvolveu uma característica especialmente valiosa para qualquer jogador vindo do banco: conseguir entrar em partidas praticamente encerradas e produzir impacto imediato.
Foram necessários apenas 26 minutos para Carlos Espí mudar duas vezes o destino do Real Madrid em La Liga.
Sem ele, a distância para o Barcelona neste início de temporada seria ainda maior.
O jovem provavelmente continuará tendo dificuldades para ameaçar a titularidade de Mbappé. Mas, depois de transformar tão poucos minutos em quatro pontos, parece cada vez mais difícil justificar que suas oportunidades continuem tão limitadas.
Foto: Antonio Villalba (Barcelona)


