Laurent Mekies negou que exista qualquer conflito de interesses entre a Red Bull Racing e sua equipe irmã, a Racing Bulls, após alegações feitas por equipes rivais da Fórmula 1. A aquisição da então equipe Minardi pela Red Bull, em 2005, fez com que a empresa passasse a controlar duas equipes na categoria máxima do automobilismo. Desde então, ambas competem na categoria há 21 temporadas sob a mesma controladora.
Apesar de compartilharem a mesma empresa-mãe e possuírem nomes semelhantes, as duas estruturas operam como entidades independentes.
Nos últimos anos, entretanto, essa situação de propriedade dupla passou a ser alvo de críticas frequentes por parte de concorrentes. Embora ambas as equipes sigam as rigorosas diretrizes esportivas da FIA, que determinam que não pode haver compartilhamento de princípios aerodinâmicos fundamentais, alguns adversários acreditam que a proximidade entre elas poderia ser utilizada para influenciar situações de pista.
O CEO da McLaren, Zak Brown, tem sido um dos críticos mais constantes desse modelo. Segundo ele, a existência de uma equipe irmã representa uma vantagem considerada injusta para as demais equipes da Fórmula 1, que não contam com esse tipo de estrutura. O chefe da Mercedes, Toto Wolff, também reforçou esse ponto de vista ao afirmar que a relação entre as duas equipes pode representar uma vantagem competitiva.
Mesmo diante dessas críticas, Mekies sustenta que tanto a Red Bull Racing quanto a Racing Bulls cumprem integralmente todas as regras estabelecidas pela FIA e que a independência esportiva entre as equipes é preservada em todas as circunstâncias.
Mekies reforça que as equipes competem de forma independente
Ao comentar o assunto, Mekies destacou que o principal objetivo dos regulamentos é garantir que todas as equipes disputem as corridas de maneira independente, independentemente de qualquer vínculo corporativo existente entre elas.
Segundo ele, o foco das regras não está na estrutura acionária das equipes, mas sim na garantia de que cada uma atue por conta própria durante os eventos esportivos. “Estamos apoiando 11 equipes competindo de forma independente na pista. E a regulamentação existe justamente para garantir que essas 11 equipes corram de maneira independente”, afirmou Mekies.
O dirigente francês também comparou a situação da Red Bull e da Racing Bulls com outras relações existentes no grid. Ele lembrou que várias equipes utilizam componentes fornecidos por concorrentes sem que isso comprometa a independência esportiva.
Como exemplo, citou a Mercedes, que fornece unidades de potência para McLaren, Williams e Alpine. Apesar desse compartilhamento de componentes, todas essas equipes competem entre si normalmente e tomam decisões próprias durante os fins de semana de corrida.
Mekies argumentou que a independência esportiva deve ser preservada independentemente de as equipes terem os mesmos proprietários, utilizarem o mesmo motor, a mesma caixa de câmbio ou até mesmo componentes semelhantes de suspensão. Para ele, o elemento central é garantir que todas as decisões esportivas sejam tomadas de forma autônoma e em conformidade com os regulamentos da FIA.
Mudança de Mekies para a Red Bull gerou questionamentos
Um dos principais pontos levantados por Brown e Wolff foi a rápida promoção de Mekies para a equipe principal da Red Bull na temporada passada.
A saída de Christian Horner durante o campeonato provocou forte repercussão no paddock. No entanto, sua substituição já estava organizada, e Mekies deixou a Racing Bulls para assumir um cargo na equipe principal de maneira aparentemente tranquila.
Essa movimentação gerou questionamentos por parte de algumas equipes rivais. Para esses críticos, a proximidade que Mekies mantinha com a Racing Bulls poderia resultar em algum tipo de influência sobre decisões ou comportamentos na pista.
Respondendo a essas suspeitas, Mekies afirmou que existem regras extremamente detalhadas regulando a transferência de funcionários entre equipes. Ele ressaltou que os períodos obrigatórios de afastamento, conhecidos como “gardening leave”, são rigorosamente respeitados.
Segundo ele, não apenas as exigências da FIA são cumpridas integralmente, como a própria organização adota prazos ainda mais rigorosos para evitar qualquer tipo de questionamento. “Existe uma regulamentação extremamente precisa e detalhada sobre a transferência de pessoal e sobre o tempo mínimo de afastamento entre uma equipe e outra”, explicou.
Mekies acrescentou que a Red Bull vai além do exigido oficialmente justamente para impedir dúvidas sobre possíveis vantagens decorrentes da movimentação de profissionais entre as duas estruturas. Mesmo assim, reconheceu que as discussões continuam acontecendo, o que, em sua visão, faz parte de um jogo político comum dentro da Fórmula 1.
Caso envolvendo Verstappen e Lawson também foi abordado
Outro episódio que alimentou as discussões ocorreu em Miami, quando Max Verstappen pareceu ultrapassar Liam Lawson com relativa facilidade durante a corrida. A situação levou alguns observadores a questionarem se a Racing Bulls teria oferecido pouca resistência ao piloto da Red Bull Racing. Mekies rejeitou completamente essa interpretação.
Ele afirmou que uma análise detalhada das interações entre os carros das duas equipes ao longo da temporada mostra exatamente o contrário. Segundo o dirigente, há diversos exemplos de disputas difíceis entre pilotos da Racing Bulls e da Red Bull Racing.
Mekies observou que, especialmente no início do campeonato, quando o carro da Red Bull não era tão competitivo quanto o esperado, houve inúmeras oportunidades para avaliar essas disputas diretamente na pista. De acordo com a análise interna da equipe, os carros da Racing Bulls estão entre os adversários mais difíceis de ultrapassar para a Red Bull dentro do pelotão intermediário.
Por esse motivo, ele classificou como absurda qualquer sugestão de que existiria algum tratamento diferenciado durante as corridas. “Seríamos mais do que tolos, sabendo toda a atenção que existe no mundo sobre esse assunto, se pensássemos em adotar um comportamento que não fosse compatível com os regulamentos esportivos”, declarou.
Apesar das críticas e suspeitas levantadas por algumas equipes rivais, a FIA não indicou até o momento que exista qualquer problema envolvendo a participação conjunta da Red Bull Racing e da Racing Bulls na F1. Segundo Mekies, ambas continuam operando dentro das normas estabelecidas e competindo de forma totalmente independente nas pistas.
Foto: (Red Bull Racing)