Como já é de conhecimento geral, a equipe Red Bull sempre manteve o nome de seus carros com as iniciais “RB” seguidas do número sequencial do ano do carro, sendo RB01, RB02, RB03 e assim por diante. No entanto, em 2021, isso mudou por conta de uma temporada conturbada pela Covid-19 e o congelamento do regulamento. A Red Bull batizou seu carro com o nome de RB16B, que se tornou lendário para a equipe de Milton Keynes por ser o primeiro carro campeão de Max Verstappen.
No ano seguinte, a Red Bull pulou o numeral 17 e lançou o RB18, gerando um certo burburinho em torno do nome RB17. Em junho, ficou claro que o RB17 seria o primeiro carro de rua da marca de energéticos. Não me entenda mal, ao falar de um carro de rua, não estamos falando de um carro comum para uso diário, mas sim da realização do sonho do projetista Adrian Newey.
Adrian nunca escondeu que um dos seus maiores sonhos era construir um carro de produção, um esportivo que fosse uma obra de arte sobre rodas e que refletisse a beleza da aerodinâmica e da engenharia mecânica. O projetista britânico foi para as pranchetas e teve total liberdade para a criação e realização de seu sonho. O resultado é uma obra de arte ímpar no mundo automotivo.
Adrian reuniu seus 40 anos de experiência no automobilismo e sua paixão pela marca Red Bull para a criação do RB17. Incorporou elementos como a lendária suspensão ativa do Williams FW14B, a preferência pelos sonoros V10 da sua época campeã na McLaren e os desenhos extremamente agressivos com fluxo de ar de um Fórmula 1 moderno. Adrian deu tudo de si em sua grande obra-prima.
O RB17 possui números agressivos, como um Hypercar deve ter: cerca de 1200 cavalos, sendo 1000 cv gerados por um motor V10 de 4.2 litros naturalmente aspirado, com um limitador de giros na casa dos 15.000 RPM (relembrando os motores da era antiga da F1), e mais 200 cv gerados por uma unidade elétrica integrada. Com um peso em torno de 900 kg, utilizando e abusando de fibra de carbono, titânio, magnésio e outros materiais leves, o bólido tem uma velocidade final referencial de cerca de 350 km/h!.
Afinal, a Red Bull vai entrar no Endurance?
Sobre a possibilidade de o carro participar de provas de Endurance como WEC ou IMSA, Adrian afirmou que não, mas que isso depende:
“O carro precisaria de um redesign completo, principalmente na parte aerodinâmica e em sua motorização. Tínhamos mais coisas que precisaríamos incorporar no carro, pois queríamos que ele atendesse às condições mínimas de segurança dos LMH (os Hypercars do WEC)”, adicionou o britânico.
O RB17 é a concretização de um sonho e um ideal. Diferente do Aston Martin Valkyrie, no qual Adrian participou do projeto, o RB17 é um carro que tem a assinatura de Adrian em cada parafuso. É uma celebração dos 20 anos de projetos, títulos e conquistas da parceria entre Adrian Newey e Red Bull Racing.



