Regras da Loteria Teriam Mudado o Draft da NBA
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Regras da Loteria teriam mudado a história do Draft na NBA

A NBA está prestes a implementar uma das reformas mais drásticas na história da loteria do Draft. Com o novo sistema 3-2-1, os três piores times terão odds achatadas, haverá proibição de escolhas no top 5 por três anos consecutivos e o pior time da liga poderá cair até a 12ª posição. 

Essas mudanças visam combater o tanking, mas também teriam alterado completamente o rumo de vários drafts recentes. Hipóteses como Luka Dončić nos Grizzlies, Ben Simmons nos Lakers e Amen Thompson nos Pacers mostram como o equilíbrio competitivo poderia ter sido bem diferente.

A regra que impede times de escolher no top 5 por três anos seguidos seria a grande vilã (ou heroína) dessas simulações. Ela puniria reconstruções longas e premiaria times que não abusaram do tanking. Vamos analisar os cenários mais impactantes desde 2016.

Luka Dončić nos Memphis Grizzlies (2018)

Em 2018, os Suns escolheram Deandre Ayton em primeiro lugar e os Kings pegaram Marvin Bagley em segundo. Luka Dončić caiu até a terceira escolha do Atlanta Hawks, que o trocou por Trae Young. Com a nova regra, os Suns estariam impedidos de escolher no top 5 por causa de Josh Jackson (2017) e Dragan Bender (2016). Os Kings também teriam problemas por picks anteriores.

Resultado provável: os Grizzlies, que escolheram Jaren Jackson Jr. em quarto lugar, teriam a primeira escolha e provavelmente pegariam Dončić. Memphis teria construído em torno de um talento geracional ao lado de Jackson Jr. e, depois, Ja Morant. A franquia poderia ter um ou dois títulos hoje, mudando completamente o Oeste. Dončić nos Grizzlies teria acelerado a reconstrução e criado um dos times mais perigosos da liga.

Ben Simmons nos Lakers e Brandon Ingram nos Celtics (2016)

Os 76ers venceram a loteria em 2016 e escolheram Ben Simmons. Com a reforma, eles estariam fora do top 5 por causa de Joel Embiid (2014) e Jahlil Okafor (2015). Simmons provavelmente iria para os Lakers, que teriam a primeira escolha.

Os Celtics escolheriam Brandon Ingram em segundo lugar (quase todos os scouts preferiam Ingram a Jaylen Brown na época). Brown poderia ter caído para o final do top 10. Os Lakers com Simmons ao lado de um jovem LeBron (que chegou em 2018) gerariam um cenário fascinante, mas problemático. Simmons nunca lidou bem com pressão midiática, em Los Angeles seria ainda pior. Já os Celtics poderiam ter perdido o título de 2024 sem Jaylen Brown.

Amen Thompson nos Pacers

Em 2023, Rockets (4º) e Pistons (5º) teriam picks deslocadas caso a regra da loteria fosse diferente. Os Pacers, que escolheram Bilal Coulibaly em 7º, pegariam Amen Thompson em quarto lugar. Thompson seria o encaixe perfeito ao lado de Tyrese Haliburton: defesa de elite, transição rápida e complementariedade tática.

Indiana chegou à final em 2025 mesmo sem Thompson. Com ele, talvez tivesse vencido o título. A ausência de Haliburton no Game 7 poderia ter sido compensada por Thompson marcando Shai Gilgeous-Alexander. Os Pacers seriam ainda mais perigosos hoje.

Outros cenários impactantes da loteria do Draft

  • VJ Edgecombe nos Jazz: Os Spurs estariam impedidos por Wembanyama e Castle. Os Sixers pegariam Dylan Harper em segundo. Os Jazz, que escolheram Ace Bailey, teriam Edgecombe, um dos melhores rookies da última temporada. Utah estaria ainda mais forte com Keyonte George, Lauri Markkanen, Jaren Jackson Jr. e Edgecombe.
  • Chicago Bulls e Sacramento Kings: Times presos no meio da tabela, como Bulls e Kings seriam beneficiados em drafts passados, mas punidos agora. A regra força equilíbrio: ou você reconstrói rápido ou sofre as consequências.

Por que a reforma da loteria da NBa é necessária, mas arriscada?

O tanking virou epidemia. Nove dos dez times fora dos playoffs em 2025/26 praticaram algum grau de perda intencional. A temporada regular perdeu qualidade e credibilidade. Achatar as odds e limitar o top 5 visam punir quem perde de propósito por anos seguidos.

No entanto, a reforma da loteria do draft da NBA também cria novos problemas. Times médios terão mais incentivo para tankar levemente. Reconstruções longas e honestas podem ser prejudicadas. A NBA sempre corre atrás do próprio rabo: toda mudança gera consequências não previstas.

Foto: NBA.