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Reinier de Ridder abandona o peso-médio e faz alerta sobre os perigos dos cortes extremos no MMA

Reinier de Ridder decidiu que não quer mais passar pelo mesmo processo. Depois de enfrentar dificuldades físicas em suas últimas lutas no peso-médio, o holandês resolveu subir definitivamente para o meio-pesado, categoria até 93 kg, em busca de uma carreira mais saudável e de melhores resultados dentro do UFC.

A mudança acontece depois de um período complicado. De Ridder começou muito bem sua trajetória no UFC, conquistando quatro vitórias consecutivas, incluindo triunfos importantes sobre Robert Whittaker e Bo Nickal. O problema apareceu quando a sequência de combates começou a exigir cortes de peso cada vez mais frequentes.

Em 2025, o lutador chegou a fazer sua quarta luta no ano. Contra Brendan Allen, seu corpo simplesmente não respondeu como deveria, e seu córner precisou interromper o combate. Na luta seguinte, diante de Caio Borralho, de Ridder novamente apresentou uma atuação abaixo do esperado e acabou derrotado.

Para o holandês, os problemas não estavam necessariamente relacionados apenas aos adversários. O processo de preparação para chegar às 185 libras, aproximadamente 84 kg, estava cobrando um preço muito alto.

Agora, diante de Roman Dolidze no UFC Sacramento, ele inicia oficialmente uma nova fase da carreira.

Seis cortes de peso em pouco mais de um ano fizeram de Ridder repensar a carreira

Reinier de Ridder UFC Vancouver

A principal preocupação de Reinier de Ridder está relacionada à frequência com que precisou reduzir seu peso para competir no peso-médio.

Segundo o próprio lutador, ele realizou aproximadamente seis cortes de peso em pouco mais de um ano. O problema, segundo ele, não aparecia apenas na semana da luta. A preparação já era afetada durante os treinamentos, principalmente pela necessidade de restringir drasticamente a alimentação.

De Ridder explicou que tinha dificuldades para se recuperar entre os treinos porque precisava limitar suas calorias de maneira extrema. Isso fazia com que o processo de preparação fosse desgastante antes mesmo de chegar ao octógono.

A situação ajuda a entender por que o holandês decidiu abandonar definitivamente a categoria.

Existe uma diferença importante entre simplesmente perder peso e realizar um corte extremo para uma luta. No MMA, muitos atletas passam semanas reduzindo o peso corporal e, nos últimos dias antes da pesagem, diminuem ainda mais o peso por meio de estratégias de desidratação.

O objetivo é chegar ao limite da categoria na balança e depois recuperar parte do peso antes da luta.

Essa prática pode criar uma vantagem física durante o combate, mas também aumenta a exigência sobre o organismo. E foi justamente esse equilíbrio que de Ridder passou a questionar.

O lutador reconhece que as oportunidades foram parte do problema. Ele recebeu adversários importantes e, diante da possibilidade de grandes lutas, sempre respondeu positivamente.

A consequência foi uma sequência de cortes que, segundo sua própria avaliação, acabou prejudicando seu rendimento.

Depois de seis cortes em pouco mais de um ano, ele chegou à conclusão de que não valia mais a pena continuar.

A mudança para os 93 kg, portanto, não representa apenas uma tentativa de enfrentar adversários maiores. É também uma decisão relacionada à longevidade de sua carreira.

De Ridder acredita que poderá treinar melhor, recuperar-se mais rapidamente e chegar às lutas em melhores condições físicas.

Além disso, o holandês também chamou atenção para um problema maior dentro do MMA.

“Que p*rra estamos fazendo?”: de Ridder questiona sistema de cortes do MMA

Reinier de Ridder
Foto: Jeff Bottari/Zuffa LLC

A crítica de Reinier de Ridder vai além de sua própria carreira.

O lutador questionou o sistema atual de categorias de peso do MMA, principalmente porque muitos atletas competem com um peso muito diferente daquele apresentado na pesagem.

A lógica é conhecida. Um lutador do peso-médio precisa bater 185 libras na balança, aproximadamente 84 kg. No entanto, depois da pesagem, muitos atletas recuperam bastante peso antes de entrar no octógono.

De Ridder afirmou que muitos lutadores que batem 185 libras chegam à luta pesando aproximadamente 210 ou até 215 libras, algo próximo de 95 a 98 kg.

É justamente essa diferença que incomoda o holandês.

Na visão dele, o sistema incentiva os atletas a fazerem cortes extremos porque, se um lutador decidir não cortar tanto peso, pode acabar enfrentando alguém que possui uma vantagem física enorme.

“Se estou lutando contra caras que são perigosos, que são tão bons quanto nós, e que pesam 25 libras a mais, aí temos um problema”, afirmou.

O ponto levantado por de Ridder é que existe um incentivo coletivo para o corte de peso. Mesmo que um atleta não queira passar por um processo extremo, ele pode sentir que precisa fazê-lo para não entregar uma vantagem física ao adversário.

Por isso, o holandês acredita que o MMA precisa encontrar uma solução.

Ele não apresentou um modelo específico para substituir o sistema atual, mas defendeu que alguma mudança precisa acontecer antes que um atleta sofra consequências ainda mais graves.

Para de Ridder, existe uma inversão de prioridades quando o corte de peso se torna a parte mais difícil da preparação.

“Mentalmente, bater o peso vem primeiro e depois a luta vem em segundo lugar, o que é completamente errado”, afirmou.

A mudança para o meio-pesado pode ser justamente sua resposta pessoal para esse problema.

Agora, em vez de tentar chegar aos 84 kg, de Ridder poderá competir até 93 kg e não precisará passar pelo mesmo processo que vinha desgastando seu corpo.

O objetivo é simples: recuperar sua melhor versão dentro do octógono.

Aos 34 anos, o holandês sabe que sua carreira está em uma fase importante. Depois de derrotas consecutivas, ele precisa de uma reação para voltar a se aproximar dos principais nomes do UFC.

Uma vitória sobre Roman Dolidze pode ser o primeiro passo.

De Ridder acredita que a categoria até 93 kg oferece vários confrontos interessantes e, caso consiga vencer de maneira convincente, poderá rapidamente buscar um adversário do top 10.

A mudança de categoria, portanto, pode representar muito mais do que uma alteração de peso.

Pode ser a tentativa de recuperar saúde, confiança e desempenho.

Depois de perceber que os cortes extremos estavam cobrando um preço alto, Reinier de Ridder decidiu que não quer mais voltar aos 84 kg. Para ele, o peso-médio ficou definitivamente no passado.

Agora, a missão é provar que pode construir uma nova trajetória no meio-pesado, desta vez sem precisar colocar o próprio corpo no limite antes mesmo de começar a luta.

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Kaique