Rogério Ceni está por um fio no Bahia?
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Rogério Ceni está por um fio no Bahia? Confira!

Após a derrota do Bahia para o Remo por 4 a 1, os questionamentos sobre a permanência de Rogério Ceni voltaram à tona. Com uma eliminação precoce na Pré-Libertadores para o O’Higgins e o título estadual contra o Vitória, Ceni vive uma montanha-russa de emoções e a cada mês sua posição no comando técnico do Bahia se torna uma incógnita.

O colapso do Bahia de Rogério Ceni contra o Remo

O Bahia entrou no Mangueirão invicto no Brasileirão 2026 e com a melhor campanha da competição até a oitava rodada. Nos sete jogos anteriores, o time somava 14 pontos (quatro vitórias, dois empates e uma derrota), com saldo de gols positivo e média de 1,57 pontos por jogo. 

O ataque marcava em média 1,71 gols por partida e a defesa sofria apenas 0,86 gol, números que colocavam o Esquadrão como um dos mais equilibrados do torneio.

Contra o Remo, porém, o desempenho desmoronou após o gol de Everaldo aos 35 minutos do primeiro tempo. 

Até aquele momento, o Bahia dominava completamente: 65% de posse de bola, quatro finalizações (duas no alvo) contra zero do Remo e controle total das ações ofensivas. Após o 1 a 0, o time mudou radicalmente: no segundo tempo, posse caiu para 48%, finalizações despencaram para apenas três (uma no alvo) e o Remo dominou com 12 chutes (seis no alvo), marcando quatro gols.

A virada por 4 a 1 representou o pior desempenho defensivo do Bahia na temporada: quatro gols sofridos em um único jogo, algo que não acontecia desde 2024. O pênalti perdido por Luciano Juba aos sete minutos do segundo tempo (quando o placar ainda era 2 a 1) foi o ponto de virada psicológico: após a defesa de Marcelo Rangel, o Remo marcou o terceiro gol em menos de dez minutos e liquidou a partida.

Rogério Ceni foi direto na crítica: “Foi um desastre o que produzimos no segundo tempo. É inaceitável. Uma coisa é vir e não conseguir jogar, se o Remo tivesse nos anulado. Mas não. A gente veio, teve 35 minutos de domínio total e depois parou de jogar. Não tem como explicar isso acontecer depois de sair na frente do placar. É triste o que aconteceu com a gente, inexplicável a mudança de comportamento.”

A montanha-russa da temporada: bons momentos e tropeços graves

Rogério Ceni começou 2026 com o título do Campeonato Baiano (vitória sobre o Vitória na final), garantindo vaga na Copa do Nordeste e na Copa do Brasil. No entanto, a eliminação na Pré-Libertadores para o O’Higgins (derrota por 2 a 0 no agregado) expôs fragilidades em jogos eliminatórios fora de casa. No Brasileirão, o Bahia liderava isolado até a sétima rodada, mas a derrota para o Remo encerrou a invencibilidade e o deixou em quinto lugar com 14 pontos.

Os números gerais sob Ceni em 2026 mostram inconsistência: em 12 jogos oficiais (Baiano, Pré-Libertadores e Brasileirão), o aproveitamento é de 58,3% (sete vitórias, dois empates e três derrotas). O ataque marca 1,58 gols por jogo, mas a defesa sofre 1,25 gols em média,  números que pioram drasticamente em jogos fora (média de 2,0 gols sofridos). 

A dependência de Everaldo (quatro gols no Brasileirão) e Erick Pulga (três assistências) é alta, e o time não tem profundidade para reagir quando sai na frente.

Rogério Ceni reconheceu o problema mental: “Você não pode mudar de atitude depois de fazer um gol e sair na frente do jogo. Você tem que ter prazer de viver o jogo, se adaptar ao que o jogo pede. Fizemos isso bem até o momento de vantagem. Para brigar lá no alto, temos que continuar batendo até aumentar a vantagem.”

Pressão crescente: o próximo mês define o futuro de Rogério Ceni

Com o próximo jogo contra o Athletico Paranaense no dia 1º de abril, o Bahia entra em sequência decisiva (Copa do Brasil, Brasileirão e Nordestão). Se repetir o padrão de dominar e depois desabar, a pressão sobre Rogério Ceni pode se tornar insustentável. A diretoria investiu pesado no elenco para brigar por título nacional e vaga na Libertadores 2027, mas tropeços como o do Mangueirão custam caro em imagem e tabela.

Rogério Ceni tem histórico de resultados em momentos críticos (títulos com Fortaleza e título baiano recente), mas também saídas conturbadas em grandes clubes. Os números atuais mostram um time capaz de jogar bem por 35-45 minutos, mas incapaz de sustentar o nível quando lidera. 

A derrota para o Remo não foi só placar: foi um alerta sobre força mental e consistência. Se o Bahia não reagir rápido, Ceni pode ser o próximo a pagar o preço. O mês de abril será decisivo para saber se ele vira a chave ou se a montanha-russa termina em demissão.

Crédito: Letícia Martins/EC Bahia