George Russell venceu o GP da Austrália, que abriu a temporada 2026 da Fórmula 1 na madrugada deste domingo (08). O britânico largou da pole, protagonizou uma batalha eletrizante com Charles Leclerc no começo da prova e conquistou sua sexta vitória na categoria.
A Mercedes confirmou o favoritismo apontado pelas rivais e pela mídia e emplacou uma dobradinha com Andrea Kimi Antonelli em segundo. Leclerc terminou em terceiro após uma estratégia equivocada da Ferrari que o tirou da disputa direta pela vitória. Gabriel Bortoleto foi um dos destaques da corrida e conquistou seus primeiros dois pontos na temporada ao finalizar na nona posição.
Saiba como foi o GP da Austrália, corrida inaugural do novo regulamento da Fórmula 1:
Piastri mantém maldição caseira na Austrália
O GP da Austrália nunca viu um piloto da casa terminar no pódio. O mais próximo disso ocorreu quando Daniel Ricciardo participou da cerimônia após o segundo lugar em 2014, mas acabou desclassificado por irregularidades no combustível. E em 2026, o tabu seguiu intacto.
Oscar Piastri sequer conseguiu largar em Albert Park. Classificado em quinto, o australiano bateu ao sair da garagem rumo ao grid cerca de meia hora antes do início da prova.
Os danos foram grandes demais para que os mecânicos da McLaren reparassem o carro a tempo da largada. Assim, a corrida começou com um piloto a menos, justamente o herói local.
Ferrari dispara na largada, marcada por passa-repassa
Consequência dos novos motores, que demoram mais para carregar o turbo, a corrida contou com um novo procedimento de largada. Após o último carro alinhar no grid, os pilotos tiveram dez segundos para se preparar.
Quando as luzes vermelhas se apagaram, a Ferrari disparou. Leclerc assumiu a ponta e Lewis Hamilton saltou de sétimo para quarto. Russell caiu para segundo, enquanto Antonelli, que havia se classificado em segundo, despencou para sétimo.
Outra surpresa foi Arvid Lindblad, estreante na categoria, que assumiu provisoriamente a terceira posição. Ainda no complemento da primeira volta, Hamilton o ultrapassou.
O que se esperava da mudança na dinâmica de corrida ficou evidente logo no início. Pilotos que atacavam em uma reta e ultrapassavam usando o máximo da bateria eram rapidamente reultrapassados quando a carga se esgotava. Na segunda volta, Russell reassumiu a liderança, mas Leclerc reagiu e retomou a ponta no giro seguinte.
Hamilton também entrou na disputa, logo atrás de Russell, enquanto a outra Mercedes, de Antonelli, recuperava parte das posições perdidas nos metros iniciais. Ao fim da volta 5, o italiano já era quinto e partia para cima de Isack Hadjar.
Leclerc, Russell e Hamilton protagonizam batalha eletrizante no início
Russell concretizou a terceira troca de liderança na volta 8, entre as curvas 2 e 3, mas Leclerc retomou a ponta no trecho entre as curvas 8 e 12. Enquanto os dois seguiam trocando posições, Hamilton se aproximou e passou a pressionar o compatriota.
A Ferrari acabou formando um sanduíche sobre Russell em uma disputa tanto técnica quanto estratégica. Enquanto isso, Antonelli se aproximava dos três primeiros e já aparecia em quarto após ultrapassar Hadjar.
O piloto da Red Bull provocou a primeira neutralização na volta 11. Uma falha na unidade de potência de Hadjar o fez parar ao lado da pista, acionando o Virtual Safety Car. A interrupção permitiu que boa parte do grid realizasse pit stops sem grande perda de tempo.
Entre eles estavam os dois carros da Mercedes, que colocaram pneus duros. Leclerc e Hamilton permaneceram na pista e assumiram as primeiras posições. Pelo rádio, Hamilton reclamou com a Ferrari e afirmou que ao menos um dos dois deveria ter parado.
O VSC terminou na volta 14 e a corrida foi retomada. Logo depois, Fernando Alonso recolheu aos boxes para abandonar, mas voltou à pista voltas depois para coletar dados do conjunto Aston Martin-Honda, que enfrenta problemas crônicos de vibração. Mais tarde, o espanhol recolheria o carro novamente.
Com pneus novos, Russell passou a reduzir rapidamente a distância para as Ferrari.
Ferrari insiste no “plano A” após novo VSC
Valtteri Bottas causou a segunda interrupção da corrida após mais um problema de confiabilidade. O piloto da Cadillac parou o carro próximo à entrada do pit lane na volta 18 e provocou um novo Virtual Safety Car.
Os carros que ainda não haviam parado finalmente foram aos boxes, exceto Leclerc e Hamilton. A dupla já havia passado pela entrada quando o VSC foi acionado e, na volta seguinte, os boxes foram fechados pela direção de prova.
Na volta 25, Leclerc trocou os pneus médios pelos duros. Hamilton assumiu a liderança provisória, mas já estava ao alcance de Russell. O heptacampeão seguiu na pista por mais tempo e acabou ultrapassado pelo piloto da Mercedes na volta 28, pouco antes de finalmente parar para colocar pneus duros.
Após as paradas da Ferrari, Russell e Antonelli passaram a formar uma dobradinha na liderança, enquanto os rivais vinham com pneus mais novos. O plano das duas equipes era fazer apenas uma parada, o que, em teoria, mantinha a Ferrari na disputa a longo prazo.
Não foi, na prática, o que se viu, já que a vantagem da Mercedes pouco foi encurtada por Leclerc e Hamilton nas voltas seguintes.
Bortoleto ataca no fim e garante pontos
Após largar em décimo e se manter próximo da zona de pontos durante boa parte da corrida, Bortoleto aproveitou um breve período de VSC, causado por detritos da asa de Sergio Pérez espalhados na pista, para colocar pneus duros novos. Ele retornou em 11º.
O brasileiro passou a descontar a vantagem para Pierre Gasly, que travava disputa com o compatriota Esteban Ocon. Na volta 39, Bortoleto ultrapassou o piloto da Haas.
No embalo, também superou Gasly no início da volta 40 e assumiu a nona posição, que ocupava antes da parada. À sua frente, Oliver Bearman e Lindblad disputavam a sétima colocação, o que permitia ao brasileiro reduzir gradualmente a diferença.
Bortoleto alcançou Lindblad a três voltas do fim, mas não teve ritmo suficiente para atacar a oitava posição.

Russell lidera dobradinha da Mercedes
Imbatível desde que assumiu a liderança após as paradas da Ferrari, Russell recebeu a bandeira quadriculada em primeiro e conquistou a sexta vitória de sua carreira. Antonelli cruzou quatro segundos atrás. A dobradinha da equipe alemã foi a primeira desde o GP de Las Vegas de 2024, quando Russell triunfou sobre Hamilton.
Leclerc terminou em terceiro e completou o pódio com a sensação de que o resultado poderia ter sido melhor não fosse a estratégia adotada pela Ferrari.
Confira o resultado final do GP da Austrália:
- George Russell (Mercedes)
- Kimi Antonelli (Mercedes)
- Charles Leclerc (Ferrari)
- Lewis Hamilton (Ferrari)
- Lando Norris (McLaren)
- Max Verstappen (Red Bull)
- Ollie Bearman (Haas)
- Arvid Lindblad (Racing Bulls)
- Gabriel Bortoleto (Audi)
- Pierre Gasly (Alpine)
- Esteban Ocon (Haas)
- Alex Albon (Williams)
- Liam Lawson (Racing Bulls)
- Franco Colapinto (Alpine)
- Carlos Sainz (Williams)
- Sergio Pérez (Cadillac)
- Lance Stroll (Aston Martin)
- DNF – Fernando Alonso (Aston Martin)
- DNF – Valtteri Bottas (Cadillac)
- DNF – Isack Hadjar (Red Bull)
- DNS – Oscar Piastri (McLaren)
- DNS – Nico Hulkenberg (Audi)
Foto: Divulgação/Formula 1

