Carlos Sainz Williams Fórmula 1
Automobilismo Fórmula 1

Sainz acusa Fórmula 1 de mascarar realidade sobre novos carros

Após duas corridas da temporada 2026, o novo regulamento da Fórmula 1 segue dividindo opiniões entre pilotos e fãs. Desta vez, Carlos Sainz Jr., da Williams, criticou duramente os novos carros e acusou a categoria de manipular gráficos da transmissão para “vender algo” ao público.

Durante o GP da China do último domingo (15), espectadores notaram trechos em que as informações exibidas na tela aparentemente congelavam em pontos específicos da reta oposta de Xangai, voltando ao normal apenas durante a frenagem. A suspeita é de que a transmissão estaria omitindo a queda de velocidade final causada pelo fim da carga energética do motor.

O espanhol defendeu mudanças no regulamento e pediu o abandono do que classificou como “uma fórmula que não é a correta” para proporcionar boas corridas. Apesar das críticas, a prova foi bem recebida por parte dos fãs, impulsionada pela disputa intensa entre Lewis Hamilton e Charles Leclerc pelo terceiro lugar que se estendeu por boa parte da corrida.

Categoria é acusada de esconder fenômeno do superclipping

Fórmula 1 2026
Foto: Mark Sutton / Formula 1 via Getty Images

As imagens da transmissão oficial chamaram atenção porque, em algumas onboards, o gráfico de velocidade (km/h) simplesmente travava após determinado ponto da reta. O valor permanecia fixo até o momento da frenagem, quando então surgia uma queda brusca. O som do motor, no entanto, indicava que o superclipping (queda de velocidade em decorrência do esgotamento da bateria) já estava em ação e que uma perda significativa de velocidade ocorria antes da curva.

Na prática, é como se um carro de Fórmula 1 a 330 km/h só apresentasse redução para cerca de 200 km/h no instante em que o piloto aciona o freio, embora essa desaceleração já estivesse acontecendo gradualmente antes disso.

O fenômeno está ligado às novas unidades de potência, que divide igualmente a potência gerada pela parte elétrica e à combustão. Desde o início, esse conceito gerou reações negativas entre competidores e fãs. Os efeitos foram mais evidentes no GP da Austrália, por conta das características do circuito de Melbourne, enquanto na China passaram mais despercebidos.

Segundo Sainz, “eles [a Fórmula 1] estão tentando vender algo que acho que todos sabemos que não é a fórmula certa”. O piloto se junta a outros críticos do regulamento, como os campeões mundiais Fernando Alonso, Lando Norris e Max Verstappen.

Sainz: “essa não é a Fórmula 1 que eu gostaria de ver”

O espanhol ressaltou que, embora o problema tenha sido quase insignificante em Xangai, outras pistas do calendário podem apresentar corridas caóticas caso não haja mudanças.

“Em Melbourne, Monza e Spa, [o regulamento] definitivamente precisa ser repensado. O desenvolvimento também vai ajudar, mas tenho 100% de certeza de que isso não é a Fórmula 1 que eu gostaria de ver. E tenho certeza de que as pessoas no topo sabem disso.”

A crítica vai além do superclipping. O piloto também citou a ausência de quatro competidores na largada — Alexander Albon, Gabriel Bortoleto, Norris e Oscar Piastri — além dos abandonos de Lance Stroll, Alonso e Verstappen, como sinais de alerta sobre a confiabilidade dos carros.

O número 55 foi um dos beneficiados pelos incidentes que tiraram sete pilotos da prova, conquistando seus primeiros dois pontos na temporada. Ainda assim, demonstrou preocupação com a imagem da categoria e com o que considera ser a Fórmula 1 “ideal”.

“Ainda cabe às equipes produzir motores confiáveis, mas, quando as regras são tão exigentes e restritivas, isso se torna difícil, porque tudo é extremamente complexo”, argumentou.

Por ora, a única mudança aprovada pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) para a temporada 2026 da Fórmula 1 diz respeito às taxas de compressão. A partir do GP de Mônaco, esse componente da unidade de potência passará a ser verificado a 180 °C, e não mais em temperatura ambiente.

(Foto principal: Simon Galloway / LAT Images via Getty Images)