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Futebol Copa do Mundo

Saka responde dentro de campo e reacende debate sobre decisão de Tuchel na Copa do Mundo

A disputa pelo terceiro lugar da Copa do Mundo de 2026 acabou ganhando um significado muito maior para a Inglaterra do que apenas terminar o torneio no pódio. A vitória por 6 a 4 sobre a França serviu como palco para uma atuação memorável de Bukayo Saka, autor de um hat-trick que imediatamente recolocou em discussão uma das decisões mais polêmicas de Thomas Tuchel durante a campanha inglesa: deixar um dos principais jogadores da equipe no banco de reservas durante toda a semifinal contra a Argentina.

Poucos dias antes, a Inglaterra havia desperdiçado a chance de disputar sua primeira final de Copa do Mundo desde 1966. Depois de abrir o placar diante da Argentina, viu a vantagem desaparecer nos minutos finais e sofreu a virada por 2 a 1, resultado que encerrou mais uma tentativa inglesa de voltar ao topo do futebol mundial.

Naquele jogo, Saka permaneceu entre os reservas durante os 90 minutos. A escolha do treinador foi alvo de críticas imediatamente após a eliminação, principalmente porque o atacante estava liberado para atuar. A resposta do camisa 7 veio da melhor maneira possível: dentro das quatro linhas.

Hat-trick reforça importância de Saka para a seleção inglesa

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Foto: AP Photo/Lynne Sladky

Contra a França, Saka mostrou por que é considerado um dos jogadores mais decisivos da atual geração inglesa.

O atacante marcou três gols e liderou uma atuação ofensiva impressionante da Inglaterra. Ainda no primeiro tempo, participou diretamente da vantagem de 4 a 0 construída pela equipe. Primeiro, aproveitou o rebote após defesa em finalização de Marcus Rashford. Depois, recebeu um excelente passe de Eberechi Eze e finalizou com tranquilidade para ampliar.

Quando a França ensaiou uma reação na etapa final, diminuindo a diferença no placar, Saka voltou a aparecer. Dessa vez, converteu um pênalti com categoria para completar seu hat-trick e devolver tranquilidade aos ingleses.

O feito colocou seu nome ao lado de alguns dos maiores atacantes da história da seleção. Saka tornou-se apenas o quarto jogador da Inglaterra a marcar três gols em uma partida de Copa do Mundo, repetindo um feito alcançado anteriormente apenas por Geoff Hurst, Gary Lineker e Harry Kane. Além disso, foi somente o segundo inglês a conseguir um hat-trick em uma fase eliminatória do torneio, depois da histórica atuação de Hurst na final de 1966.

Mais do que os números, a atuação evidenciou o impacto que Saka pode oferecer quando está em condições físicas adequadas.

Mesmo participando de apenas três partidas como titular durante toda a Copa, o atacante encerrou o torneio com três gols e três assistências em somente 357 minutos disputados. Isso representa uma participação direta em gol a cada 59,5 minutos, uma média extremamente elevada para um jogador que teve sua utilização cuidadosamente controlada.

A estratégia de Tuchel dividiu opiniões

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Foto: Justin Setterfield/Getty Images

Apesar da repercussão causada pela ausência de Saka na semifinal, Thomas Tuchel deixou claro que a decisão não teve relação com questões técnicas.

O treinador explicou que o atacante chegou à Copa convivendo com um problema persistente no tendão de Aquiles, consequência de uma temporada bastante complicada pelo Arsenal. Antes mesmo do início do Mundial, Tuchel já havia informado que Saka não conseguia participar de todos os treinamentos em intensidade máxima e que seria necessário administrar sua carga física durante toda a competição.

Essa estratégia fez com que sua utilização fosse planejada jogo a jogo.

Na semifinal diante da Argentina, o treinador optou por Morgan Rogers na ponta direita. A escolha parecia correta durante boa parte da partida. Rogers participou da jogada que terminou no gol de Anthony Gordon e ajudou a Inglaterra a controlar o confronto durante vários momentos.

No entanto, o cenário mudou completamente após as alterações promovidas por Tuchel na segunda etapa.

Com a equipe passando a atuar de forma mais defensiva, a Argentina ganhou espaço para crescer na partida. Enzo Fernández empatou aos 85 minutos e Lautaro Martínez completou a virada nos acréscimos, aproveitando cruzamento de Lionel Messi.

Enquanto isso, Saka chegou a realizar o aquecimento diversas vezes, mas acabou não sendo chamado para entrar em campo.

Após o torneio, Tuchel explicou que pretendia utilizá-lo, mas afirmou que a partida ficou tão caótica nos minutos finais que acabou optando por outras mudanças.

Segundo o treinador, isso não altera em absolutamente nada a importância do jogador dentro do elenco.

O desempenho reforça seu papel no ciclo para a Eurocopa

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Foto: Chadan Khanna/AFP

Mesmo reconhecendo que gostaria de ter jogado mais durante a Copa do Mundo, Saka evitou qualquer tipo de polêmica.

O atacante afirmou que prefere responder dentro de campo e que o momento não era adequado para discutir decisões do treinador.

Essa postura acabou sendo reforçada por sua atuação diante da França.

Embora seja impossível afirmar que sua entrada teria mudado o resultado contra a Argentina, o desempenho inevitavelmente aumentou o debate sobre aquela decisão. Em torneios de tiro curto, detalhes costumam definir campanhas inteiras, e a ausência de um dos jogadores mais produtivos da seleção inglesa continuará sendo lembrada como um dos principais pontos de discussão da eliminação.

Por outro lado, Tuchel também apresentou argumentos consistentes para justificar sua escolha. O controle físico de Saka fazia parte do planejamento desde antes da estreia, e preservar um atleta que ainda se recuperava de um problema no tendão de Aquiles era visto como prioridade para evitar uma nova lesão.

Independentemente da polêmica, a reta final da Copa deixou uma mensagem importante para o futuro da seleção inglesa.

A Inglaterra conta com um jogador capaz de decidir partidas em alto nível contra qualquer adversário. Aos 24 anos, Saka chega ao próximo ciclo internacional consolidado como uma das principais referências técnicas da equipe e, segundo o próprio Thomas Tuchel, continua sendo um dos pilares do projeto para a Eurocopa de 2028.

Se havia alguma dúvida sobre sua importância dentro da seleção, o hat-trick em Miami praticamente encerrou qualquer discussão. A atuação não apagou a dor da eliminação na semifinal, mas reafirmou que, quando está em campo, Bukayo Saka permanece entre os jogadores mais decisivos do futebol inglês.

(Foto de capa: FIFA)

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Kaique