O atacante Mohamed Salah voltou a ser decisivo em grande noite europeia e entrou para a história da UEFA Champions League. No triunfo por 4 a 0 do Liverpool sobre o Galatasaray, pelas oitavas de final, o egípcio marcou seu 50º gol na competição e se tornou o primeiro jogador africano a atingir essa marca.
Mais do que o número simbólico, a atuação mostrou um Salah diferente dentro de campo — mais centralizado, participativo e, principalmente, decisivo em um momento em que vinha sendo questionado.
Noite começa com erro, mas termina histórica
O roteiro da partida parecia seguir um caminho preocupante para o atacante. Ainda no primeiro tempo, Salah desperdiçou um pênalti, defendido pelo goleiro Uğurcan Çakır. O lance reforçava a impressão de uma temporada abaixo do habitual para o camisa 11.
Mas o segundo tempo mudou completamente o cenário.
Primeiro, Salah deu uma assistência precisa para Hugo Ekitiké ampliar o placar. Depois, participou da jogada que resultou no gol de Ryan Gravenberch. E, pouco depois da hora de jogo, deixou sua marca com um golaço.
Após tabela com Florian Wirtz, o egípcio cortou para dentro e finalizou colocado, no ângulo, sem chances para o goleiro. Um lance que resumiu bem o tipo de jogador que ele é quando está em alto nível.
Marca histórica e lugar entre os grandes
O gol não foi apenas bonito — foi histórico. Com ele, Salah chegou a 50 gols na Champions League, entrando em um grupo seleto de apenas 11 jogadores que atingiram esse número desde a criação do formato atual, em 1992/93.
Ele alcançou a marca em 97 jogos, mesma quantidade do lendário Raúl González. Entre os jogadores ativos, também divide posição com Harry Kane e Thierry Henry no ranking histórico.
A maior parte desses gols foi construída com a camisa do Liverpool — 47 ao todo — além de passagens anteriores por Basel e Roma.
Mudança tática faz diferença
Um dos pontos mais interessantes da atuação foi a mudança no posicionamento de Salah. O técnico Arne Slot optou por utilizá-lo em uma função mais central, atuando próximo de Ekitiké em um sistema com dois atacantes.
Essa alteração aumentou significativamente sua presença na área adversária. Contra o Galatasaray, Salah teve 13 toques dentro da área — um dos maiores números da sua temporada.
Mesmo com gol e assistência saindo de fora da área, o volume ofensivo foi evidente. Ele finalizou sete vezes, sendo seis no alvo, e registrou seu maior índice de gols esperados (xG) sem pênalti em um único jogo na temporada.
Desempenho reforça importância em momentos decisivos de Salah
Apesar de uma temporada irregular, Salah mostrou mais uma vez que continua sendo um jogador capaz de decidir em jogos grandes.
Além do impacto direto na classificação, ele também alcançou outra marca expressiva: chegou a mais de 200 participações em gols pelo Liverpool em Anfield, somando gols e assistências.
Isso reforça seu peso histórico no clube e sua importância mesmo em momentos de oscilação coletiva.
Desafio maior pela frente
Agora, o Liverpool terá um teste ainda mais duro nas quartas de final, diante do Paris Saint-Germain, atual campeão da competição.
Curiosamente, o PSG é justamente um dos poucos adversários contra os quais Salah ainda não conseguiu marcar na Champions, mesmo após vários confrontos.
Se quiser manter o embalo e seguir fazendo história, o egípcio terá a chance perfeita para quebrar esse tabu.
Temporada ainda pode mudar
A atuação diante do Galatasaray pode representar um ponto de virada para Salah na temporada. A mudança de função, aliada à confiança recuperada, abre caminho para um final de campanha mais positivo.
Se conseguir manter esse nível, o Liverpool ainda pode transformar uma temporada irregular em uma história de sucesso — especialmente se o camisa 11 continuar sendo decisivo nos momentos que realmente importam.