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Futebol Premier League

Salah se despede do Liverpool como um dos maiores da história do clube; veja

A saída de Mohamed Salah do Liverpool marca o fim de uma era daquelas que dificilmente se repetem. Não é exagero dizer que o egípcio entra na prateleira mais alta da história do clube e também da Premier League. Os números já contam uma parte da história, mas quem acompanhou de perto sabe que o impacto vai muito além de gols e assistências.

Quando chegou a Anfield, em 2017, vindo da Roma por “apenas” £34 milhões, pouca gente imaginava o que estava por vir. Era visto como um bom jogador, promissor, mas longe de ser um craque geracional. Ainda mais considerando que sua passagem pelo Chelsea tinha sido bem discreta.

Só que no sistema de Jürgen Klopp, tudo mudou. E mudou rápido.

De aposta promissora a ídolo absoluto

O começo até foi meio estranho. O primeiro gol saiu meio na marra, quase em cima da linha, contra o Watford. Mas depois disso, virou rotina. Gol atrás de gol, recorde atrás de recorde.

Na primeira temporada, já foram 44 gols. Um absurdo. E não era só quantidade, era impacto. Decidia jogo grande, chamava responsabilidade, resolvia quando o time mais precisava. Virou referência instantânea.

E aí nasceu aquele trio ofensivo que marcou época: Salah, Sadio Mané e Roberto Firmino. Um ataque que misturava velocidade, inteligência e intensidade. Enquanto Mané destruía pela esquerda e Firmino costurava o jogo, Salah era o cara da finalização. Frio, direto, quase inevitável.

Foi com essa base que o Liverpool voltou ao topo da Europa e da Inglaterra.

Mohamed Salah beija o prêmio da chuteira de ouro da Premier League — honraria dada àquele que foi artilheiro do torneio.
Mohamed Salah beija o prêmio da chuteira de ouro da Premier League — honraria dada àquele que foi artilheiro do torneio. Foto: Paul Ellis/AFP — Divulgação.

Números gigantes e títulos históricos

Os números de Salah impressionam por si só: 255 gols em 435 jogos pelo clube. Na Premier League, são 189 gols e 92 assistências — participação direta em 281 gols. É simplesmente o maior número de contribuições por um único clube na história da liga.

Mas mais importante que os números são os títulos. Com Salah como protagonista, o Liverpool conquistou Champions League, Premier League, FA Cup, Copa da Liga, Supercopa da Uefa e Mundial de Clubes.

Teve também momentos marcantes, como a redenção na final da Champions de 2019 contra o Tottenham, depois do trauma contra o Real Madrid em 2018, quando saiu lesionado após lance com Sergio Ramos.

Salah não só ganhou, ele marcou época. Foi o símbolo de um Liverpool dominante, agressivo e competitivo.

Salah deixou sua marca no jogo do título do Liverpool sobre o Tottenham. - Isak jogador
Foto: Carl Recine/Getty Images

Constância absurda e protagonismo contínuo

Uma das coisas mais impressionantes da carreira de Salah é a regularidade. Não foi um cara de uma ou duas temporadas mágicas. Ele entregou alto nível por anos seguidos.

Mesmo nos “piores” anos, ainda fazia mais de 20 gols. Em 2019-20, por exemplo, marcou 23 e ajudou o Liverpool a conquistar a tão sonhada Premier League após 30 anos.

E quando o time passou por reformulação, com saídas de nomes como Jordan Henderson e Fabinho, ele continuou sendo o ponto de equilíbrio. No chamado “Liverpool 2.0”, seguiu decisivo, mesmo com mudanças de estilo e elenco.

Até com a saída de Klopp e a chegada de Arne Slot, Salah ainda conseguiu manter protagonismo e liderar o time em momentos importantes.

Fim de ciclo, emoções e legado de Salah intacto

Claro que nem tudo foi perfeito. Houve momentos de tensão, como discussões com Klopp e depois com Slot. Teve também uma queda de rendimento recente, influenciada por fatores dentro e fora de campo.

Um dos momentos mais marcantes foi a morte do companheiro Diogo Jota, que abalou profundamente o elenco. Salah demonstrou isso publicamente, em uma cena forte em Anfield, visivelmente emocionado após homenagens da torcida.

Depois disso, vieram críticas, banco de reservas e até declarações fortes, dizendo que se sentiu “jogado debaixo do ônibus” pelo clube. Situações que, em outro contexto, poderiam manchar uma história.

Salah é reverenciado pelos torcedores em Anfield. Foto: Liverpool FC/Liverpool FC via Getty Images.
Salah é reverenciado pelos torcedores em Anfield. Foto: Liverpool FC/Liverpool FC via Getty Images.

Mas não aqui.

Porque o que Salah construiu é grande demais para ser reduzido a momentos isolados. Ele deixa o Liverpool como ídolo máximo, referência global e um dos maiores jogadores da história da Premier League.

Quando o tempo passar e a poeira baixar, vai ficar o que realmente importa: gols, títulos, noites inesquecíveis em Anfield e a sensação de que quem viu Salah jogar, viu algo especial.