Futebol Copa do Mundo

Como seria a nossa seleção só com jogadores que atuam no Brasil

Com a intenção de fazer um exercício de imaginação com uma pitada de provocação, surgiu a ideia de montar uma Seleção Brasileira formada exclusivamente por jogadores que atuam hoje no futebol nacional, mas com uma regra pré-definida.

Não existe promessa, não vale “poderia ser”. Aqui, o critério é claro: já vestiu a amarelinha. É quase como abrir um álbum de figurinhas recente e perceber que, mesmo com a exportação constante de talentos, ainda existe muita qualidade jogando por aqui. E o resultado, curiosamente, não é só interessante. É competitivo.

Os 26 convocados: “A Seleção Brasileira mais brasileira”

A convocação completa revela um grupo bastante equilibrado:

Goleiros: Hugo Souza, Weverton e Everson.

Laterais: Vitinho, Paulo Henrique, Alex Sandro, Kaiki e Luciano Juba.

Zagueiros: Danilo, Léo Pereira, Léo Ortiz, Fabrício Bruno e Murilo.

Meio-campistas: Jean Lucas, Danilo, Arthur, Gérson, Andreas Pereira, Lucas Paquetá e Matheus Pereira.

Atacantes: Neymar, Samuel Lino, Artur, Vitor Roque, Pedro e Kaio Jorge.

Uma equipe titular bem interessante

Essa é o tipo de lista que faz o torcedor parar e pensar: dá jogo. Quando a gente coloca essa seleção em campo, o cenário fica ainda mais interessante. Confira o 11 inicial: Hugo Souza; Vitinho, Danilo, Léo Pereira e Alex Sandro; Danilo, Gérson, Andreas Pereira e Lucas Paquetá; Neymar e Pedro.

Existe um equilíbrio muito claro aqui. A defesa combina experiência internacional, segurança e força física. Vitinho traz bagagem de alto nível, já jogou fora do país, disputou grandes jogos e é bem equilibrado. Do outro lado, Alex Sandro soma ainda mais experiência, sendo um lateral de confiança defensiva, forte na marcação e taticamente muito sólido.

Na zaga, Danilo é um jogador que foi praticamente confirmado por Carlo Ancelotti, pela liderança, versatilidade e regularidade. Ao seu lado, Léo Pereira se consolida como um dos zagueiros mais seguros em atividade no Brasil, cada vez mais confiável em duelos e no posicionamento. Além de tudo, a defesa seria muito entrosada, já que três dos quatro jogadores atuam no Flamengo.

A Seleção de jogadores que atuam no Brasil tem nomes de peso
A Seleção de jogadores que atuam no Brasil tem nomes de peso (Imagem: Pedro Vilela / Getty Images)

No meio-campo, mora talvez o ponto mais interessante dessa equipe. Danilo, do Botafogo, vive um grande momento e hoje pode ser considerado o melhor jogador em atividade no futebol brasileiro: intenso, dinâmico, inteligente e com eficiência nas fases defensiva e ofensiva. Ao redor dele, o trio formado por Gérson, Andreas Pereira e Lucas Paquetá se encaixa de maneira quase complementar.

Gérson é quem sustenta o ritmo, protege a bola e dá força física e técnica. Andreas Pereira oferece experiência internacional, inteligência de jogo e bola parada, contribuindo também com intensidade. Já Paquetá é o jogador que organiza, pensa o jogo e encontra soluções criativas, além de ter uma boa finalização de fora da área. Juntos, eles formam um meio-campo equilibrado e versátil, capaz de se adaptar a diferentes cenários.

E no ataque, a combinação poderia dar muito certo. Neymar e Pedro formam uma dupla que une improviso e eficiência. Neymar, inclusive, poderia atuar em uma função semelhante à de Messi na Argentina: como um segundo atacante, flutuando entre linhas, achando espaços e sendo o grande articulador ofensivo. Pedro, por sua vez, é o finalizador, o homem de área que transforma chances em gol.

Um banco que muda jogo

Se o time titular de seleção já chama atenção, o banco de reservas oferece soluções que podem mudar completamente o cenário de uma partida. Por exemplo, se o jogo pedir mais profundidade pelos lados, Luciano Juba surge como uma opção ofensiva para a lateral.

Caso a necessidade seja fortalecer o meio-campo, Jean Lucas entra como um jogador de intensidade, marcação, mas que também sabe jogar. Assim como Arthur, que é técnico, experiência e cadencia o jogo como poucos. E para momentos em que a criatividade precisa aparecer, Matheus Pereira é aquele nome capaz de fazer o ataque jogar.

Na frente, as alternativas também são interessantes. Vitor Roque e Samuel Lino trazem velocidade, agressividade e drible, perfeitos para explorar espaços e bagunçar defesas mais cansadas, podendo transformar um 4-4-2 em 4-3-3. E, se a ideia for povoar a área, Kaio Jorge aparece como um jovem com faro de gol. É um elenco que não só sustenta o nível, mas oferece variações táticas reais.

Daria jogo? Mais do que parece

A grande graça desse exercício é que ele não para na teoria. Dá para imaginar esse time competindo de verdade. Em uma Copa do Mundo não seria absurdo projetar essa seleção chegando com autoridade ao mata-mata. Quartas de final parecem um caminho bem possível. Fase que o Brasil, completo, foi eliminado nas duas últimas copas.

Essa pensamento se sustenta, porque o segredo está no equilíbrio. Não há setores frágeis, e muitos jogadores já estão acostumados a jogos grandes. É um time competitivo, sem o brilho das grandes gerações, mas extremamente confiável.

De olho na lista final: quem já está dentro e quem ainda sonha

Quando o assunto sai do campo da imaginação e entra na realidade da convocação final de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo, alguns nomes dessa lista já aparecem com força. Os dois Danilos, Léo Pereira e Alex Sandro despontam como jogadores praticamente confirmados por Carlo Ancelotti.

Correndo por fora, mas ainda sonhando, aparecem Hugo Souza e Lucas Paquetá. Dois jogadores que já estiveram mais dentro e dependem de sequência nessa reta final com alto desempenho para transformarem possibilidade em certeza.

E Neymar, ainda tem chances de ser convocado para a Seleção Brasileira para disputar a Copa do Mundo?
E Neymar, ainda tem chances de ser convocado para a Seleção Brasileira para disputar a Copa do Mundo? (Imagem: Pedro Vilela/Getty Images)

E então chegamos ao ponto mais intrigante de todos: Neymar será ou não convocado? Com o futebol atual dele, fica difícil ter uma chance, mas ele ainda tem alguns jogos pela frente para tentar impressionar Ancelotti. Fisicamente o craque parece melhor a cada jogo, mas ritmo, intensidade e o fator emocional ainda o deixam bem aquém do que já foi.

No fim das contas, a seleção “dos que atuam no Brasil” não é só uma brincadeira. É quase um lembrete: o futebol brasileiro ainda tem grandes valores atuando dentro de casa. E, às vezes, tudo o que a gente precisa é de um bom exercício de imaginação para perceber isso.

(Imagem de capa: Getty Images Sport)