A Copa do Mundo de 2026 chega ao momento mais aguardado desde o início da competição. Restam apenas quatro seleções na disputa pelo título: França, Espanha, Inglaterra e Argentina. Depois de semanas marcadas por grandes jogos, surpresas e campanhas consistentes, o torneio entra na reta decisiva com dois confrontos que reúnem tradição, talento e histórias importantes dentro do futebol mundial.
De um lado, França e Espanha colocam frente a frente duas das seleções mais técnicas da atualidade, em um duelo que reúne alguns dos jogadores mais talentosos do planeta. Do outro, Inglaterra e Argentina voltam a protagonizar uma das rivalidades mais famosas da história das Copas do Mundo, agora valendo uma vaga inédita na decisão do torneio.
Além do peso da camisa, os quatro semifinalistas chegam sustentados por campanhas diferentes, mas igualmente eficientes. Enquanto os franceses impressionam pelo poder ofensivo, os espanhóis apostam na organização coletiva. Ingleses e argentinos, por sua vez, mostraram força mental para superar partidas equilibradas e seguem vivos na luta pelo título.
França e Espanha colocam frente a frente duas das seleções mais completas da competição

O primeiro confronto das semifinais reúne duas equipes que figuram entre as principais favoritas desde o início da Copa.
A França chega embalada por uma campanha extremamente sólida. O ataque liderado por Kylian Mbappé é o mais eficiente do torneio, e o camisa 10 segue disputando a artilharia da competição com Lionel Messi. O atacante soma oito gols e continua sendo a principal referência ofensiva da equipe comandada por Didier Deschamps.
Mas limitar a França apenas a Mbappé seria um erro.
Ousmane Dembélé também vive grande fase e já marcou cinco gols na Copa, enquanto Michael Olise lidera o torneio em assistências, com cinco passes decisivos. Esse equilíbrio ofensivo permite que a seleção francesa encontre diferentes caminhos para vencer suas partidas, independentemente da estratégia adotada pelo adversário.
Do outro lado estará uma Espanha que talvez ainda não tenha apresentado seu melhor futebol, mas que segue crescendo dentro da competição.
A equipe comandada por Luis de la Fuente mantém uma impressionante sequência de 36 partidas sem derrota, acumulando 27 vitórias e nove empates desde março de 2024.
Mesmo sem grandes atuações individuais de Lamine Yamal até aqui, os espanhóis encontraram soluções importantes.
Mikel Merino saiu do banco para decidir tanto a classificação contra Portugal quanto a vitória diante da Bélgica nas quartas de final. Já Mikel Oyarzabal, autor de quatro gols na competição, permanece como uma das principais armas ofensivas da equipe.
A expectativa gira justamente em torno de Lamine Yamal.
Considerado um dos maiores talentos do futebol mundial, o jovem do Barcelona marcou apenas um gol nesta Copa, mas continua sendo peça fundamental pelo poder de desequilíbrio individual, velocidade e capacidade de criar espaços para os companheiros.
Outro aspecto que aumenta o equilíbrio do confronto é o histórico recente.
Na Eurocopa de 2024, a Espanha derrotou justamente a França por 2 a 1 na semifinal antes de conquistar o título continental.
Agora, os franceses buscam a revanche em um cenário ainda maior.
Inglaterra e Argentina revivem um dos maiores clássicos da história das Copas

Se França e Espanha representam o duelo técnico das semifinais, Inglaterra e Argentina carregam o peso da tradição.
As duas seleções voltam a se enfrentar em uma Copa do Mundo pela primeira vez desde 2002.
Ao longo da história, construíram uma rivalidade marcada por episódios que entraram definitivamente para a memória do futebol.
Desde a expulsão de Antonio Rattín em 1966 até os episódios protagonizados por Diego Maradona em 1986, passando pelo cartão vermelho de David Beckham em 1998 e sua redenção em 2002, praticamente todos os confrontos produziram momentos históricos.
Agora, pela primeira vez, uma vaga na final será o prêmio desse clássico.
A Argentina chega liderada por Lionel Messi, que continua escrevendo novos capítulos em sua trajetória pela seleção. O camisa 10 divide a liderança da artilharia da competição com Mbappé, ambos com oito gols, e segue sendo o principal organizador do jogo argentino.
A Inglaterra, também possui seu próprio protagonista.
Jude Bellingham vive talvez a melhor fase da carreira.
O meio-campista marcou dois gols nas oitavas de final contra o México e repetiu o feito diante da Noruega nas quartas, tornando-se o primeiro jogador desde Diego Maradona, em 1986, a marcar dois gols em partidas eliminatórias consecutivas de uma Copa do Mundo.
Harry Kane também aparece entre os principais goleadores do torneio, com seis gols, oferecendo mais uma alternativa ofensiva para Thomas Tuchel.
Apesar da qualidade individual, nenhuma das duas seleções convenceu completamente até aqui.
A Argentina precisou superar confrontos bastante equilibrados durante a fase eliminatória.
A Inglaterra também sofreu para eliminar México e Noruega, recorrendo frequentemente ao talento individual de Bellingham para decidir partidas.
Ainda assim, ambas demonstraram uma característica fundamental em torneios curtos: capacidade de vencer mesmo quando não apresentam seu melhor futebol.
Os números também ajudam a explicar o momento inglês.
Desde a Copa de 2018, a Inglaterra alcançou quatro semifinais em grandes competições internacionais, igualando tudo o que havia conseguido em toda sua história anteriormente.
Thomas Tuchel também inicia sua trajetória de forma histórica.
Ele tornou-se apenas o segundo treinador inglês a permanecer invicto nas seis primeiras partidas de Copa do Mundo, repetindo exatamente o desempenho obtido por Alf Ramsey durante a campanha do título de 1966.
Do lado argentino, a consistência também impressiona.
A seleção alcança sua terceira semifinal nas últimas quatro edições da Copa do Mundo, consolidando uma geração que continua competindo entre as principais forças do futebol mundial.
Independentemente dos resultados, as semifinais colocam frente a frente quatro seleções que chegam por caminhos diferentes, mas sustentadas por argumentos sólidos.
A França aposta na profundidade de seu elenco e na eficiência ofensiva.
A Espanha confia na organização coletiva e no talento de uma nova geração.
A Inglaterra deposita boa parte de suas esperanças no momento extraordinário vivido por Jude Bellingham.
Já a Argentina continua liderada por Lionel Messi, que busca conduzir sua seleção a mais uma decisão mundial.
Com tantos ingredientes reunidos, a expectativa é de que os dois confrontos entreguem partidas equilibradas, grandes atuações individuais e mais capítulos memoráveis para a história das Copas do Mundo.