Senegal
Futebol Copa do Mundo

Inspirado por 2002, Senegal sonha com uma nova campanha histórica na Copa do Mundo

A seleção de Senegal chega para a Copa do Mundo de 2026 carregando uma mistura de expectativa e ambição. Curiosamente, a caminhada da seleção africana começará justamente diante da França, adversária que marcou um dos capítulos mais importantes de sua história. Em 2002, na estreia dos Leões da Teranga em Mundiais, os senegaleses surpreenderam o planeta ao derrotar os então campeões do mundo por 1 a 0 e iniciaram uma campanha que terminou nas quartas de final.

Mais de duas décadas depois, o cenário é diferente. Senegal já não é mais uma novidade no futebol internacional. A seleção construiu uma trajetória relevante, acumulou experiência e chega aos Estados Unidos, Canadá e México acreditando que pode voltar a realizar uma campanha de destaque.

E para entender por que existe tanta confiança em torno da equipe, é preciso olhar para o caminho percorrido até aqui.

A jornada de Senegal entre a surpresa de 2002 e a dor de 2018

A campanha de 2002 colocou o Senegal no mapa do futebol mundial. Depois de eliminar a França na estreia, a equipe avançou para o mata-mata e chegou até as quartas de final, tornando-se apenas a segunda seleção africana a alcançar essa fase em uma Copa do Mundo. O problema é que manter aquele nível não foi simples.

Nos anos seguintes, o Senegal enfrentou dificuldades para repetir o sucesso. A seleção ficou fora das Copas de 2006, 2010 e 2014, atravessando um longo período de ausência justamente quando existia a expectativa de consolidação após o desempenho histórico no Japão e na Coreia do Sul.

Durante esse período, o país passou por mudanças importantes. Novos jogadores começaram a surgir, a renovação aconteceu de forma gradual e a federação buscou reconstruir um projeto capaz de recolocar a seleção entre as principais forças do continente.

Neste cenário, a grande virada aconteceu quando Aliou Cissé, capitão daquela equipe de 2002, assumiu o comando técnico. O ex-zagueiro passou a liderar um trabalho que priorizava identidade, organização e continuidade. Desta forma, os resultados começaram a aparecer.

Em 2018, o Senegal voltou à Copa do Mundo depois de doze anos longe do torneio. A equipe chegou à Rússia cercada por expectativa e mostrou competitividade logo na fase de grupos. O problema é que sua eliminação entrou para a história de uma maneira extremamente cruel.

Após terminar empatado com o Japão em pontos, saldo de gols e número de gols marcados, o Senegal acabou eliminado pelo critério disciplinar. Os japoneses haviam recebido menos cartões amarelos durante a competição e avançaram de fase. Vale lembrar que foi a primeira vez que uma seleção deixou uma Copa do Mundo por causa da regra do Fair Play.

A eliminação foi dolorosa e gerou enorme repercussão. Porém, olhando em perspectiva, aquele momento acabou funcionando como mais uma etapa do crescimento da seleção. Senegal demonstrava organização, competitividade e dava sinais claros de que estava construindo algo maior.

A geração de Senegal quer ir além

A conquista da Copa Africana de Nações em 2022 representou um marco importante para Senegal e reforçou a sensação de que a geração atual poderia alcançar objetivos ainda maiores.

Hoje, Senegal possui um dos elencos mais fortes do continente africano. Sadio Mané continua sendo a principal referência técnica e emocional da equipe, enquanto nomes como Édouard Mendy, Kalidou Koulibaly, Pape Matar Sarr, Nicolas Jackson, Ismaïla Sarr e Iliman Ndiaye ajudam a formar uma base experiente e competitiva.

Além da qualidade individual, existe outro fator que chama atenção. Grande parte desses jogadores atua junta há vários anos. O grupo passou por momentos difíceis, conquistou títulos e acumulou experiências importantes em competições internacionais. Isso ajuda a explicar por que existe tanta confiança em torno da seleção.

Aliou Cissé também se tornou uma peça fundamental dentro desse processo. Após tantos anos no comando, o treinador construiu uma identidade clara para a equipe, algo raro no futebol de seleções.

Neste cenário, Senegal chega à Copa do Mundo de 2026 cercado por expectativas elevadas. Não se trata apenas de repetir a campanha de 2002 ou apagar a frustração de 2018. O objetivo é mostrar que o crescimento da seleção não foi passageiro.

Os Leões da Teranga entram no torneio acreditando que possuem condições de competir contra qualquer adversário. E depois de uma trajetória marcada por momentos históricos, ausências dolorosas e uma eliminação que entrou para os livros das Copas, Senegal vê no Mundial de 2026 a oportunidade de escrever mais um capítulo importante da sua história.

Créditos da foto de capa: AFP.