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Surpresa da última Copa, Marrocos chega ainda mais forte para 2026

A Copa do Mundo de 2022 mudou completamente a forma como o futebol mundial enxerga Marrocos. A seleção africana deixou de ser vista apenas como uma equipe capaz de causar dificuldades aos favoritos para se transformar em uma candidata legítima a campanhas profundas em grandes torneios. Quatro anos depois da histórica semifinal no Catar, os Leões do Atlas chegam ao Mundial de 2026 carregando um peso diferente: o das expectativas.

A campanha realizada no Catar entrou para a história. Marrocos se tornou a primeira seleção africana a alcançar uma semifinal de Copa do Mundo e derrubou gigantes como Espanha e Portugal durante o caminho. Mais impressionante ainda foi a forma como conseguiu esse feito. A equipe sofreu apenas um gol até chegar entre as quatro melhores do torneio, construindo sua trajetória a partir de uma defesa extremamente organizada e de transições rápidas.

Mas o mais interessante é que a seleção não ficou parada no tempo. Em vez de tentar apenas repetir a fórmula que deu certo em 2022, Marrocos iniciou um processo de renovação que tornou a equipe mais talentosa, mais versátil e potencialmente mais perigosa para a Copa de 2026.

De seleção reativa para uma equipe mais agressiva

O time que surpreendeu o mundo no Catar era extremamente eficiente sem a bola. A proposta de Walid Regragui passava por defender em bloco baixo, fechar espaços e explorar os contra-ataques sempre que surgisse uma oportunidade.

Os números daquela campanha ajudam a explicar o sucesso. Nas oitavas de final contra a Espanha, os marroquinos permitiram que os espanhóis ultrapassassem a marca de mil toques na bola, mas cederam apenas uma finalização no alvo durante os 120 minutos. Na fase seguinte, a organização defensiva e os ataques rápidos foram fundamentais para eliminar Portugal.

A grande diferença é que a versão atual de Marrocos parece muito mais confortável quando precisa assumir o protagonismo.

A Copa Africana de Nações de 2025 mostrou claramente essa evolução. Jogando em casa e pressionada pelo favoritismo, a seleção terminou a competição com 201 toques dentro da área adversária, o maior número do torneio. Também acumulou 108 finalizações, demonstrando uma postura muito mais agressiva do que aquela vista na Copa de 2022.

Os dados defensivos continuaram impressionantes. A equipe sofreu apenas 5,6 chutes por partida, a menor média da competição. Ou seja, conseguiu aumentar sua produção ofensiva sem perder a solidez que sempre foi sua principal característica.

Essa mudança ficou ainda mais evidente na pressão exercida sobre os adversários. Marrocos registrou 52 recuperações de bola em zonas avançadas do campo durante a Copa Africana. Dessas recuperações, 12 terminaram em finalizações. Para efeito de comparação, na Copa do Mundo de 2022 a equipe havia produzido apenas quatro chutes originados desse tipo de situação.

A nova geração aumenta o teto da seleção

Brahim Díaz foi o autor do segundo gol de Marrocos, na estreia da CAN, contra Comores. Foto: Sebastien Bozon / AFP via Getty Images
Brahim Díaz foi o autor do segundo gol de Marrocos, na estreia da CAN, contra Comores. Foto: Sebastien Bozon / AFP via Getty Images

Parte dessa evolução pode ser explicada pela chegada de novos jogadores ao elenco principal.

Os pilares da campanha histórica continuam presentes. Yassine Bounou segue sendo uma das referências no gol, Achraf Hakimi permanece como líder técnico e Noussair Mazraoui continua sendo uma peça importante no sistema defensivo.

Ao redor deles, porém, surgiu uma geração extremamente talentosa.

O principal símbolo dessa renovação é Brahim Díaz. O meia do Real Madrid teve uma campanha extraordinária na Copa Africana de Nações de 2025. Depois de marcar sete gols durante as Eliminatórias, terminou a fase final do torneio com cinco gols e se consolidou como uma das principais estrelas da seleção.

Sua influência vai muito além das finalizações. Díaz liderou a competição em tentativas de drible, acumulando 42 ações individuais. Mesmo quando não conseguia concluir as jogadas, frequentemente obrigava os adversários a cometer faltas. Não por acaso, foi o jogador que mais sofreu infrações em todo o torneio.

Outro nome fundamental é Neil El Aynaoui. O meio-campista da Roma estreou pela seleção principal apenas em 2025, mas rapidamente se tornou indispensável. Desde agosto daquele ano, nenhum jogador de linha disputou mais minutos pela seleção do que ele.

Com precisão superior a 90% nos passes durante a Copa Africana e grande intensidade defensiva, El Aynaoui oferece equilíbrio ao meio-campo e ajuda Marrocos a controlar melhor os jogos.

Hakimi continua sendo o coração da equipe

Hakimi
Foto: PSG via Getty Images

Mesmo com tantas novidades, existe um jogador que continua sendo o principal motor da seleção: Achraf Hakimi.

O lateral-direito do Paris Saint-Germain segue sendo uma das principais armas ofensivas da equipe. Durante o mata-mata da Copa Africana de Nações de 2025, terminou entre os líderes do torneio em criação de oportunidades e assistências esperadas.

Sua importância tática permanece enorme. Entretanto, existe uma diferença importante em relação a 2022.

Naquela Copa do Mundo, cerca de 46% dos ataques marroquinos aconteciam pelo lado direito do campo. Hoje a equipe apresenta muito mais equilíbrio. A presença de jogadores como Abde Ezzalzouli ampliou as opções ofensivas pelo lado esquerdo, tornando o ataque menos previsível.

Essa diversidade ofensiva faz com que os adversários tenham mais dificuldade para neutralizar a seleção.

A pressão será o maior desafio

Se em 2022 Marrocos entrou em campo sem responsabilidade e surpreendeu o mundo, a situação agora é completamente diferente.

Os Leões do Atlas chegam à Copa de 2026 ocupando a oitava posição no ranking da FIFA e carregando expectativas elevadas. Segundo projeções da Opta, a equipe possui 88,8% de chances de avançar para o mata-mata e 10,3% de probabilidade de alcançar novamente as semifinais.

Os números mostram o quanto a percepção sobre a seleção mudou em poucos anos.

O desafio agora não é apenas jogar bem. É provar que a campanha histórica do Catar não foi uma exceção. Marrocos precisa mostrar que realmente pertence ao grupo das seleções capazes de competir com as maiores potências do futebol mundial.

Pela qualidade do elenco, pela evolução tática e pela mistura entre experiência e juventude, existem motivos para acreditar nisso. Resta saber se a seleção conseguirá lidar com um cenário completamente novo: entrar em uma Copa do Mundo não mais como azarão, mas como uma equipe que todos esperam ver brigando novamente entre as melhores do planeta.

(Foto de capa: Reprodução)

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Kaique