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Chegou a hora de Sylvinho brilhar no Brasil? Confira a análise tática do treinador, alvo do Botafogo

O técnico Sylvinho foi mais um nome cotado para assumir o Botafogo nesses últimos dias, e parece interessar a diretoria. Depois de contarem com Rafa Benítez e Roberto Mancini entre as opções, John Textor está pensando em tirar o brasileiro do comando da Albânia, onde chegaram a surpreender na última Eurocopa.

O tempo tem passado a equipe carioca continua sem um treinador, após a saída de Artur Jorge para o Catar. Apesar de ter feito algumas movimentações no mercado da bola, não pode se dar ao luxo de contratar profissionais que talvez não se encaixem com o novo técnico. Diante disso, a equipe alvinegra está focada em resolver essa questão, antes de se reforçar ainda mais, para suprir os importantes atletas perdidos.

Sylvinho não teve uma grande passagem pelo Brasil, ao comandar o Corinthians. Traremos alguns flashes de seus trabalhos no Timão, assim como ressaltaremos pontos interessantes de seu atual trabalho na Albânia, que chegou na Eurocopa com um exímio retrospecto nas Eliminatórias para uma das principais competições do mundo.

Como Sylvinho jogava?

Sylvinho
Foto: FEP / Panoramic

 

Um dos primeiros passos de Sylvinho no futebol como treinador, foi no Lyon, da França. Ponto interessante pelo fato dele estar sendo atrelado ao Botafogo agora, porque contam com o mesmo dono, no caso, John Textor. O técnico brasileiro sempre deixou claro seu gosto pela formação 4-3-3, e suas vontades de trabalhar com a posse de bola ao seu favor.

Ao observar os primeiros jogos do brasileiro no futebol francês, grandes resultados foram conquistados nas partidas iniciais. Entretanto, os problemas começaram a aparecer, como por exemplo, o fato dos laterais não terem liberdade para subir. Mesmo com apenas um volante e na situação, dois meio-campistas avançados, próximos dos pontas e do centroavante, Sylvinho gostava de manter a linha de quatro defensores presa lá atrás.

Sem a presença dos laterais, a troca de passes não tinha fundamento e nem objetividade. A posse de bola existia, mas não contava com um futuro interessante, alguma jogada criada com qualidade. Nesse esquema, a presença de um volante com mais qualidade na saída de bola acaba sendo necessária, algo que o Botafogo conseguiria colocar nas mãos de Sylvinho, com Marlon Freitas e Gregore.

A questão é que, na França, Sylvinho fazia questão de utilizar um profissional que só tinha capacidades defensivas. Então, não era possível vê-lo acionando bolas longas, e investidas interessante para os pontas em velocidade ou algo do tipo, ele simplesmente estava mais preocupado com o sistema defensivo e também, não apresentava os indícios para entregar o que era pedido pelo técnico brasileiro.

Assim como Mancini, esse novo alvo do Botafogo chama atenção pelas suas ideias defensivas. Depois de ter sido demitido do Lyon, Sylvinho citou o ponto de seu volante não conseguir entregar exatamente o que ele queria. Diante disso, vivenciou a oportunidade no Corinthians, onde tinha peças como Cantillo, Gabriel e Roni para corresponder os seus desejos.

A proposta dele no Timão era a utilização do seu 4-3-3, que ao se defender, formava duas linhas de 4, ou até uma de quatro e outra de 5. Essa situação deixava o grupo de Sylvinho de olho nos contra-ataques, para acionar Gustavo Silva na época, que era dos jogadores mais velozes do elenco. Enquanto isso, quando os olhos eram voltados para o ataque, a presença de um volante de contenção e um regista (pivô), para auxiliar na saída de bola, e outro que teria o trabalho de fazer o “box-to-box”.

Mesmo sem a presença de laterais avançados, ele gostava bastante de colocar o time para atacar pelos lados. Na intenção de chegar até o último terço do gramado. Na cabeça dele, as individualidades dos seus pontais se sobressairiam, caso não houvesse outro profissional do time no mesmo local, trazendo outra peça para a marcação ou até, dividindo o espaço.

Problemas de Sylvinho no Corinthians

Sylvinho
Foto: ANDRÉ FABIANO/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO

 

A vida de Sylvinho não foi nada fácil no Corinthians, apesar do apoio da diretoria, acabou sendo demitido por conta da pressão externa da torcida. A sua despedida ocorreu na derrota para o Santos, ao ser mandado embora no vestiário do confronto, e nem sequer, deu uma entrevista coletiva para falar sobre o assunto em seguida.

Foram 43 jogos no comando do Timão, com 16 vitórias, 14 empates e 13 derrotas. Na presença de 42 gols marcados e 40 sofridos. Um ponto visado na época, era a falta de compactação do esquema, as linhas defensivas, do meio de campo e do ataque, se encontravam bem distante e afastadas, dando espaço para erros de comunicação, principalmente nas ações ofensivas.

Sem deixar para trás os erros no Lyon, Sylvinho se encontrava com problemas para atacar, pelo simples fato de ser fácil marcar o seu time. Diante de uma troca de passes lentas, sem grande fundamento e objetividade, não havia oportunidades para encontrar espaços ou falhas da marcação, então sobrava tudo para os atletas abrirem com suas próprias individualidades.

Sylvinho e seu sucesso na Albânia

Sylvinho Albânia
Foto: Tullio Puglia – UEFA (2023 UEFA, UEFA)

 

Para fazer sucesso no futebol e na Albânia, Sylvinho precisou se reinventar quanto as suas ideias. Depois de largar o 4-3-3 e viver o 4-2-3-1, também fez questão de deixar para trás outro ponto que gostava bastante: a posse da bola. Hoje em dia, o treinador brasileiro não faz muita questão de ter o jogo em seus pés, prefere se abdicar dela, para encontrar opções melhores de contra-ataque.

O time não conta com 11 exímios jogadores com a bola no pé, mas se esforça com unhas e dentes para segurar o seu adversário. Sem esquecer de uma questão interessante, as jogadas criadas são interessantes, muita das vezes algo inimaginável, ensaiado ao ponto de ser surpreendente, mas também, é bom ressaltar na qualidade dos chutes de longa distância, onde parecem ter mais facilidade e qualidade para tal.

Nas Eliminatórias para Euro, a equipe de Sylvinho só foi derrotada em uma única oportunidade, num grupo com República Tcheca e Polônia. Até conseguiram passar em primeiro lugar, com 15 pontos somados, mas alguns pontos chamam atenção. Sem a bola, gostam bastante de se compactar defensivamente, fechando duas linhas de quatro na defesa, até com uma tendo cinco profissionais, algo que já estava presente no jogo do brasileiro.

A realidade de pressionar o adversário, até existe, porém, a Albânia não se dá ao luxo de fazer essa movimentação com qualquer um, sabe seu lugar. Em oito partidas possíveis, o time de Sylvinho teve menos posse de bola que o adversário em cinco ocasiões, e em três delas, foi superior. É claro que essa segunda situação não ocorreu contra as principais seleções de seu grupo (os poloneses e os tchecos).

Outro ponto a ser citado, é como sabiam sofrer. Era raro terminarem as partidas com mais chutes que o adversários, em oito partidas, tiveram menos tiros tentados em seis confrontos. Em apenas dois, foram superiores, sendo um desses confrontos diante das Ilhas Faroe, que são cotadas como uma das piores seleções da atualidade.

Na intenção de deixar o adversário jogar, Sylvinho faz questão de dar importância a bola quando está em seus pés, principalmente pelo desejo do oponente em tê-la. Por conta disso, a bola longa e a troca de passes rápidos foram colocadas em seu esquema, muito por conta da presença de atacantes fortes para ganharem a bola no alto, e já acionarem os atletas mais rápidos do elenco.

Nesta nova etapa de sua carreira, conta com outra ideia sendo mantida, a falta de compactação dos seus jogadores. A amplitude é muito alta, ficam muito afastados, dando espaço para o profissional com a bola, ter espaço para tomar suas decisões, mas também, tem chances de ser uma faca de dois gumes, pela presença dos marcadores bem posicionadas, e impedindo a facilidade no passe.

A questão é que, sem bola ficam mais compactos, e com ela, a amplitude maior existe.

Foto: Matthias Rietschel/Reuters