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Futebol

Como Thiago Silva virou “segundo técnico” do Fluminense na era Marcão?

Thiago Silva sempre foi uma das principais lideranças do Fluminense, mas a chegada de Marcão mudou um pouco a maneira como essa liderança aparece. O zagueiro passou a ter mais liberdade para conversar com o treinador, sugerir ajustes e participar das discussões sobre o funcionamento da equipe.

Não é uma divisão de comando. Marcão continua responsável pelas decisões. A diferença é que Thiago ganhou espaço para contribuir também na parte tática, algo que vai além da orientação aos companheiros dentro de campo.

Thiago passou a participar mais dos ajustes

Um dos exemplos aconteceu na vitória sobre o Palmeiras. Poupado, Thiago pediu para ficar no banco e acompanhou a partida ao lado da comissão técnica. Durante o jogo, conversou com Marcão e passou orientações aos jogadores.

A situação chamou atenção porque mostrou que a participação do zagueiro não depende de estar em campo. Thiago consegue acompanhar o jogo de outra perspectiva e discutir com o treinador o que precisa ser corrigido.

Isso também apareceu na preparação para o confronto com o Independiente Rivadavia. Depois dos problemas apresentados na bola aérea no primeiro duelo, Thiago participou de uma conversa com Marcão e Fábio para encontrar soluções para o setor.

É aí que a experiência do zagueiro passa a ter um peso diferente.

A influência chegou às decisões durante os jogos

Em Mendoza, contra o Rivadavia, Thiago teve participação em outra mudança importante. Após a expulsão de Canobbio, sugeriu a Marcão uma inversão entre Serna e Soteldo para reorganizar o Fluminense.

A alteração foi feita e, alguns minutos depois, Serna marcou o gol tricolor. A sugestão, obviamente, não explica sozinha o gol. Mas mostra que Thiago já tem liberdade para discutir a estrutura da equipe com o treinador. Não está apenas pensando em como a defesa deve se posicionar ou orientando os companheiros.

Ele também está olhando para o time como um todo.

Isso combina com a trajetória de Thiago. São muitos anos convivendo com diferentes treinadores, sistemas e situações de jogo. Além disso, o zagueiro já demonstra interesse em seguir no futebol depois de encerrar a carreira.

Marcão encontrou um aliado dentro de campo

A relação faz sentido também pelas características dos dois. Marcão conhece o Fluminense profundamente e tem a visão da equipe de fora. Thiago, por sua vez, está dentro do jogo e consegue perceber detalhes que nem sempre são fáceis de identificar da lateral do campo.

Um pode complementar o outro. E o momento do Fluminense ajudou a fortalecer essa parceria. Desde a saída de Zubeldía, o time venceu o Palmeiras, avançou contra o Independiente Rivadavia na Libertadores e depois virou sobre o Remo. A sequência fez Marcão ganhar respaldo e permanecer no cargo até dezembro.

Thiago participou desse processo sem ultrapassar a função do treinador.

O “segundo técnico” está mais na influência do que no cargo

Thiago Silva não escala o Fluminense, não decide substituições e não comanda a equipe. Essas responsabilidades continuam sendo de Marcão. O que mudou foi o espaço dado ao zagueiro para opinar.

Ele conversa com o treinador, ajuda nas correções defensivas, sugere mudanças e orienta os companheiros. E Marcão parece disposto a ouvir justamente porque reconhece que essa experiência pode ajudar o time.

Para o Fluminense, é uma situação interessante. O treinador ganhou um jogador capaz de fazer uma leitura diferente do jogo e levar essas percepções diretamente para ele.

Thiago continua sendo o capitão e um dos principais jogadores do elenco. Só que, na era Marcão, sua participação passou a ir um pouco além disso. Não virou treinador. Mas já funciona, em alguns momentos, como os olhos de Marcão dentro do campo.

Foto: Lucas Merçon/Fluminense/Divulgação